FB_init

Showing posts with label Teologia da Libertação. Show all posts
Showing posts with label Teologia da Libertação. Show all posts

Sunday, September 15, 2013

Liberation Theology

Here is my presentation on Liberation Theology

Liberation Theology
Topics
1. Motivation for Liberation Theology
2. Summary of Theology
3. History

1. Motivation for Liberation Theology
- Hunger, injustices, violence (in Latin America, then in the world)

2. Summary of Theology
- How can those who suffer say God is love?
- Catholics & Protestants
- Emphasis on praxis
- 1st: acting in the world with the poor. Only after comes theological reflexion.
- Two main tools
    - Social Sciences - especially Sociology and Political Sciences ( what about Marxism? Marxism as indirect, embedded theory in Social Sciences in general. According to Gutierrez, no direct application.)
     - Biblical Exegesis  - from the poor

2. Summary of Theology
- Rejection of unjust structures
- Rejection of dualisms / (like body vs spirit).

- New models of life in communities (like the Anabaptists)
Formation of Base Ecclesial Communities
    - Small communities that read the Bible and think about social/political challenges.
     - Brazil: 70,000 BECs / ~ 1.8 million members.
- Main methodology of BECs: see-judge-act  
- BECs: Bad business for churches
- The School of the Americas in the US: “We helped destroy Liberation Theology”  ( did they? )

2. Summary of Theology
- Althaus-Reid
  - Indecent Theology - reconfigures Lib. Theo
  - ‘poor’ / ‘oppressed’ is insufficient: transgender, etc
  - Don’t [patronize, romanticize] the poor
  - Don’t “move” the poor to systematic theology
  - Academics of Lib. Theo. gave in to the capitalism system
  - The need to subvert theology & economy with indecency


2. Summary of Theology
“The crime of liberation theology was that it takes the Gospels seriously. [...] The Gospels are radical pacifist material, if you take a look at them. That was the major crime that set off the Reagan wars of terror.” - N. Chomsky

“When I share the bread with the poor, they call me a saint. When I ask why they are poor, they call me a communist.” - Dom Hélder Câmara

2. Summary of Theology

3. History - Early history, 50s, early 60s
 - Sublimus Dei - bull - 1537 - Pope Paul III - Indians are human beings
 -  Valladolid debate - 1551 - Las Casas vs Sepulveda
  --------
 - 1959 - Cuban Revolution
    - Armed revolution
 - 1961 - Cuba : nationalization lands, including religious institutions
   - “Atheist state” (1976)
 - Vatican II (62) - Not much input from South
 - Conference: “Christ and the Brazilian Revolutionary Process” (62, by Protestants)


3. History - Mid 60s
- Wave of military coups begin (Brazil 64)
- Movement of Priests for the Third World (Arg 67 - 76)
[ - Student protests in France (68) ]
[ - Trudeau becomes PM (68) ]
- Conference of Medellín, Colombia - (68) - Theology by the South
  “Latin America finds itself, in many places, in a situation of injustice which may be called institutionalized violence. Such situation demands global, daring, urgent and profoundly renewing transformations” - Medellín, “On Peace”, ch 16
- Rockefeller, Vice President of USA (68): “If the catholics put in practice what they wrote in Medellín, our interests are in danger”

3. History - 70s
- Gustavo Guitiérrez writes the book “Liberation Theology” (72)
- Conference of Puebla, Mexico - (79) preferential option for the poor
- Wave of military coups
- Escalation of human rights violations in torture and killings (carried out mostly by army, police)
- Lib.Theo. religious people special targets
- Operation Condor - coordination of police & counter-intelligence in South America
    - American $, moved to armies & police of repressive gov

3. History - 70s
- San Patricio Church massacre (76, Argentina) - 5 priests
-  Pope John Paul II commissions then Archbishop Ratzinger, the prefect of the Congregation for the Doctrine of the Faith (aka Inquisition), to study Liberation Theology
   - Criticisms:
        - Too much politics (not spiritual enough)
        - Catholic Church accomplice of privileged class since Conquista (“don’t say that”)
- Deliberate effort by Rome to censor Liberation Theology

3. History - 80s
- Óscar Romero assassinated in El Salvador (80)
- US and Vatican establish diplomatic relations (84)
- Libertatis Nuntius(84) & Libertatis Conscientia (86)
- L. Boff gets imposition of 1 year of silence by Inquisition for his book (85).
 “Jesus did not have in mind the Church as institution” ‘today a “new church” must arise, which will be an alternative for the incarnation of new ecclesial institutions whose power will be pure service’
- 6 scholar Jesuit priests & 4 American nuns assassinated in El Salvador (89)

3. History - 80s
- Liberation theologians -> academia & people
- Liberation practitioners -> social movements
  - birthplace of many ‘new political movements’/’new organizations’
     - non-hierarchical, anti-institution
- Rise of evangelicals (specially Pentecostals)
- Evangelicals courted by governments
- Waves of missionaries from the US
    - Replacing expelled lib. theologians in seminaries
- Pentecostals increase presence in media

3. History - 90s, 00s
- ‘Radicality’ of Lib. Theology ‘suspended’ by incorporation into existing political institutions
  - Tension between ‘institutions’ & ‘movements’
- To this day Lib. Theologians are targeted and murdered (Colombia)
- Aristide elected President of Haiti (91, 94)
   - 2004 coup d’état backed by the US
- Fernando Lugo elected President of Paraguay (2008)
    - 2012 coup d’état

3. History - 2013
- Bergoglio (Argentina) becomes Pope Francis
- Archbishop Gerhard Ludwig Mueller, prefect of the Congregation for the Doctrine of the Faith (aka Inquisition) writes a book with Gutierrez.

- Mueller: [Lib. Theo.: one of the] “most significant currents of Catholic theology of the 20th century”


-=====-

Supporting documentary: El Cielo Abierto - http://www.youtube.com/watch?v=QeZ67Dbkq48

Supporting testimony: Noam Chomsky on Lib. Theo: http://www.youtube.com/watch?v=SNDG7ErY-k4


Tuesday, September 25, 2012

Palavras Bravas - Sermão proferido na Igreja Menonita de Ottawa


Palavras Bravas   - Gustavo Frederico
Sermão proferido na Igreja Menonita de Ottawa em 12 de Agosto de 2012

Como leigo, é uma oportunidade rara eu pregar. Eu preguei por alguns meses na minha igreja anterior em Vanier, uma igreja Batista, durante o período em que não tinha pastor. O melhor conselho homilético que eu já ouvi veio de um pastor da África do Sul que me disse uma vez que o que um pastor diz em até 10 minutos vem de Deus. De 10 a 15 minutos vem dele ou dela mesmo. Depois de 15 minutos vem do Diabo.
  Um teólogo brasileiro, Valdir Steuernagel, disse uma vez que teologia é pessoal. Que a história do teólogo está por trás do seu fazer-teologia. Estou aqui dando uma palinha de mim mesmo, por assim dizer, enquanto tento falar algo sobre este mistério do além.
  Uma das características do Anabatismo que eu admiro é a sua ênfase na resolução de conflitos. A brabeza, ao meu ver, implica em tensão ou desentendimento. Várias vezes as palavras bravas precedem ou anunciam alguma ação violenta. Então pode-se perguntar: reagir sem raiva é melhor do que reagir com raiva? Existe “conflito bom”? Eu creio que existe “conflito bom”. Palavras bravas podem ser compreensívels, desejáveis ou necessárias, dependendo do contexto.

 Silêncio
 Contrastando com a brabeza eu vejo uma outra reação: o silêncio. Existe uma interpretação perigosa de certas passagens bíblicas como se elas sempre prescrevessem o silêncio e a imobilidade. Quando alguém é ofendido, ferido ou desrespeitado, a pessoa pode escolher não reagir. Isto, porém, pode ser uma prescrição para a pessoa viver tormentada por dentro. Ficar em silêncio pode também aprovar os atos ofensivos. A pessoa seria machucada por fora e por dentro. Existem várias passagens que nos induzirão a não ficarmos bravos. Jesus disse “Bem-aventurados os mansos” [Mateus 5:5a, JFA]. E também “Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também” [Mateus 5:39b NTLH] Isaías descreve o Messias: “Ele foi maltratado, mas aguentou tudo humildemente e não disse uma só palavra.” [Isaías 53:7a NTLH] O poeta escreve em Lamentações 3 “Quando Deus nos faz sofrer, devemos ficar sozinhos, pacientes e em silêncio. Quando somos ofendidos, não devemos reagir; mas sim suportar todos os insultos.” [ Lamentações 3:28,30 NTLH] Mas pensemos: o autor de Lamentações escreve 5 poemas e orações e diz para ficarmos sofrendo em silêncio? Se nós lermos um pouco mais à frente no mesmo capítulo o autor já está orando com raiva: “Ó Senhor, dá-lhes o que merecem, castiga-os pelo que têm feito. Amaldiçoa-os e faze com que eles caiam no desespero. Persegue-os na tua ira, ó Senhor, e acaba com eles aqui na terra!” [ Lamentações 3:64-66 NTLH]

 Jesus Bravo
 Ao olharmos também para Jesus não devemos apenas preconceber um simples Jesus “gentil” que disse “bem-aventurados os mansos”. Também devemos aceitar um Jesus bravo que chama Herodes de raposa, o que aparentemente era um grande insulto. Nós também devemos nos lembrar do Jesus bravo que chamou aos líderes religiosos do seu tempo de “guias cegos”, “tolos e cegos”, “hipócritas”, e “cobras venenosas, ninhada de cobras!”. Você acha que eles se sentiram ofendidos? Você tem algum problema com esse Jesus? Nós devemos também aceitar um Jesus irado expulsando mercadores e consumidores do templo [ Mateus 11:12,13 ]. Dr. Walter Wink explica que “dar a outra face” naquele contexto cultural pode ser algo diferente do que muitos pensam. Naquela época, um senhor repreendia um escravo com um tapa com a mão direita na sua face direita. Se a pessoa ofendida oferecesse o lado esquerdo do rosto, o agressor precisaria bater na pessoa não como senhor, mas como semelhante. Seria um ato de identificação do abuso e exposição do mesmo como tal, sem escalar a violência.
 Quado eu era criança, meu tio, que é pastor Batista no Brasil, me falou uma vez sobre um cristão. Meu tio descreveu como este irmão era manso. Disse que nunca ninguém ouviu falar nada mau vindo dele nenhuma vez. Uma vez, contudo, quando alguém “pisou no seu calo”, ele disse “Seu bobo!” E ele imediatamente sentiu muita culpa com sua explosão de raiva e depois orou a Deus pedindo perdão. Eu não conheci esse homem, mas penso que esses tipos de sentimentos precisam sair do peito para nosso próprio bem-estar. A inércia pode ser uma tentativa de suprimir sentimentos. E isso não é bom. Nós não devemos simplesmente assumir a “inércia” como virtude moral.
  Eu valorizo os momentos quando a realidade bate à nossa porta e vemos as coisas mais claramente. Somos confrontados pela realidade de falha, dor, sofrimento e injustiça. Há algo bom quando há espaço para que nossas expressões de condição humana brotem. Eu gosto desse tipo de oração: a respiração da condição humana.

 Graça e Condição Humana
 Vendo de uma forma, pode não haver problema na igreja em geral convidar pecadores ao arrependimento e a buscar viver ‘padrões mais elevados de moralidade’. Eu creio, contudo, que existe um problema comum que merece um pouco de cuidado. Quando tal convite para ‘padrões mais elevados de moralidade’ vira uma prescrição para noções preconcebidas de comportamento que fazem a pessoa virar uma espécie de super-herói espiritual, nós tendemos a esconder os aspectos não tão bonitos de nossa condição humana. Em outras palavras, se a igreja só mostrar ‘bom comportamento’, ela não abrirá espaço para que nossas imperfeições apareçam. É melhor que nossas imperfeições apareçam ou devemos escondê-las? Peter Rollins escreveu sobre isso desta maneira: “Qual é a alternativa para tentar manter princípios éticos? A resposta é criar espaços de graça nos quais sejamos convidados a trazer nossas trevas à luz, a falar delas em um ambiente no qual não seremos condenados ou culpados. Uma comunidade que nos deixará falar nossas ansiedades e trevas sem pedir que mudemos. Em suma, um lugar onde nós poderemos confrontar nossa humanidade ao invés de fugir dela”.
 Existe um problema inerente quando noções de “espiritual” e “do mundo” ou “sagrado” e “secular” são postas em tensão umas contra as outras. Se ser mais espiritual significar ser menos humano, mostras de humanidade certamente rotularão a pessoa como não-tão-espiritual.

 Deus Acontece Dentro da Vida Humana
 Em 2010, como alguns de vocês sabem, eu e minha família passamos o ano no Brasil. Eu conheci algumas famílias que moravam perto de um lixão e que trabalhavam reciclando. Elas foram removidas à força para o meio do nada pelo governo em um esquema de corrupção com subsídio do Banco Mundial. Joaquim foi um jovem removido junto com sua família. Eles eram membros de uma igreja evangélica de uma denominação grande. Quando Joaquim e outros notaram que nada aconteceria, decidiram fazer algo. Formaram uma pequena associação de bairro. Tentaram falar com políticos locais. Eles tentaram contactar a imprensa local. Acharam um advogado pro bono. Eles até mesmo escreveram um email em Inglês para os burocratas mais altos do Banco Mundial. Por alguma razão, a igreja local não gostou do que o Joaquim fez. Ele foi disciplinado, sendo suspenso do seu papel de líder na igreja e sua família ficou proibida de tomar a santa ceia. Eventualmente ele e sua família foram convidados a se retirarem da igreja. Disseram a ele que estava confiando na justiça dos homens e não na justiça de Deus.
  Deus está no controle da História, nós estamos no controle da História ou é tudo aleatório? Se nós simplesmente dissermos que “Deus está no controle da História”, será difícil de entender como permite tanto sofrimento. Se nós simplesmente dissermos que “nós estamos no controle da História” ou que é tudo aleatório, podemos dar a entender que Deus não age e renunciaríamos a esperança e o sentido. O teólogo brasileiro Leonardo Boff escreveu sobre Bultmann e seus discípulos: "Depois de Kant [...] devemos terminantemente excluir qualquer objetivação de Deus, mesmo a denominação de espírito e pessoa. Deus não é objeto de conhecimento nem existe simplesmente como existem as demais realidades. Ele acontece dentro da vida humana. Ele é aquele acontecimento que permite surgir o amor e no qual o mau e o desesperado recebem esperança e futuro. [...] Deus continua a desempenhar uma função: ele é o símbolo para o comportamento que Cristo exigiu de todos: irrestrito amor e obediência desinteressada aos apelos de reciprocidade ilimitada. Onde quer que se dê isso, lá está Deus presente" [“Jesus Cristo Libertador”, L. Boff, p.210] O teólogo latinoamericano Juan Luis Segundo escreveu: “Se cada palavra de Deus não se referir a uma experiência humana, ela se torna como uma mensagem escrita em uma linguagem desconhecida” [“A Libertação da Teologia”, Juan Luis Segundo]
 Eu particularmente fico bravo quando alguém explica a injustiça como sendo algo natural. Especialmente quando o desfavorecido e o pobre são condenados a sofrer por serem quem são. O homem que criou a política do FMI do Brasil nos anos 60 se chamava Roberto Campos. Para justificar a política na qual empresas brasileiras tinham que pagar taxas de juros 7 vezes maiores que empresas estrangeiras, ele disse: “Obviamente, o mundo é desigual. Há quem nasça inteligente e há quem nasça tolo. Há quem nasça atleta e há quem nasça aleijado. O mundo se compõe de pequenas e grandes empresas. Uns morrem cedo, na plenitude da vida; outros se arrastam, criminosamente, numa longa existência inútil. Há uma desigualdade básica fundamental na natureza humana, na condição das coisas. Disto não escapa o mecanismo do crédito.” [Roberto Carlos, CPI da Câmara de Deputados, 6/9/1968] Em outras palavras, o destino de alguns é sofrer para alimentar a ganância de outros poucos extremamente ricos e isto está escrito nas estrelas. Nos círculos religiosos, palavras que espiritualizam relações humanas injustas ou palavras que recorrem a Deus para estigmatizar os “mais humildes dos meus irmãos” são especialmente perigosas. Um dos pastores brasileiros mais famosos, Silas Malafaia, por exemplo, disse que a pobreza é o resultado da disobediência às leis de Deus.
  Se Deus acontece dentro da vida humana, orações são conversas com esta vida e seus contextos. Se Deus acontece dentro da vida humana, a História é sagrada. Especialmente as versões relatadas pelos “mais humildes dos meus irmãos”. Eu costumo prestar mais atenção à consciência que atribui a Deus e a nós mesmos ao mesmo tempo a responsabilidade do nosso destino. Com palavras de raiva é mais fácil pegar Deus pra bode expiatório do que assumir a responsabilidade individual e coletiva por nossas ações ou falta de ações.

   A Bíblia em Uma Mão, o Jornal na Outra
  O cerco de Jerusalém em 587 A.C. pelos Babilônios contém imagens muito violentas. Quando leio Lamentações relaciono-as a algumas histórias brasileiras. Algumas delas talvez sejam violentas demais para descrever aqui. Uma das leituras que chama a minha atenção nesses textos é que eles falam não só de sofrimento e palavras bravas a mim, mas eles também aludem a um contexto maior e a como relações entre nações influenciam as vidas de pessoas comuns. Quando leio  “temos de comprar a nossa própria água de beber; temos de pagar pela nossa própria lenha”, “para termos o que comer, precisamos de pedir, estendendo as mãos aos egípcios e aos assírios” [Lamentações 5:4,6 NTLH] eu me lembro de alguns amigos meus no Brasil que tem que comprar gás do mercado negro controlado pela polícia. Quando eu leio “Deus sabe quando neste país os prisioneiros são massacrados sem compaixão. O Deus Altíssimo sabe quando são desrespeitados os direitos humanos, que ele mesmo nos deu. Sim, o Senhor sabe quando torcem a justiça num processo” [Lamentações 3.34-36 NTLH]  eu me lembro do massacre do Carandiru, onde 111 presidiários foram mortos pela polícia em um dia em 1992. Os líderes religiosos de Jeremias foram culpados de convocarem as pessoas a resistirem aos Babilônios e isto resultou em mais mortes. Eles perseguiram Jeremias e tentaram matá-lo fazendo lobby com o rei. Lemos em Lamentações 4:13: “Tudo isso aconteceu por causa dos pecados e das maldades dos seus profetas e dos seus sacerdotes, culpados de causar a morte de pessoas inocentes”. Minhas palavras bravas não são relacionadas a perseguição pessoal, mas elas falam contra os deputados evangélicos no Congresso Nacional, que recentemente votaram contra o Projeto de Emenda Constitucional que confiscava terras com trabalho escravo.
  Os poemas em Lamentações não tentam explicar, nem justificar, nem ajudar a entender o sofrimento. Ao invés, eles mostram conversas com Deus que olham para a realidade e lutam sinceramente com o divino. Nós só choramos porque existe esperança que alguém ouça.


Creative Commons License

Este sermão está licenciado sob a Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 2.5 Brasil da Creative Commons. 


Você tem a liberdade de:

Sob as seguintes condições:

  • Atribuição — Você deve creditar a obra da forma especificada pelo autor ou licenciante (mas não de maneira que sugira que estes concedem qualquer aval a você ou ao seu uso da obra).
  • Uso não comercial — Você não pode usar esta obra para fins comerciais.
  • Vedada a criação de obras derivadas — Você não pode alterar, transformar ou criar em cima desta obra.

Ficando claro que:

  • Renúncia — Qualquer das condições acima pode ser renunciada se você obtiver permissão do titular dos direitos autorais.
  • Domínio Público — Onde a obra ou qualquer de seus elementos estiver em domínio público sob o direito aplicável, esta condição não é, de maneira alguma, afetada pela licença.
  • Outros Direitos — Os seguintes direitos não são, de maneira alguma, afetados pela licença:
    • Limitações e exceções aos direitos autorais ou quaisquer usos livres aplicáveis;
    • Os direitos morais do autor;
    • Direitos que outras pessoas podem ter sobre a obra ou sobre a utilização da obra, tais comodireitos de imagem ou privacidade.
  • Aviso — Para qualquer reutilização ou distribuição, você deve deixar claro a terceiros os termos da licença a que se encontra submetida esta obra. A melhor maneira de fazer isso é com um link para esta página.

Monday, August 13, 2012

Angry Words


Angry Words   - Gustavo Frederico
A Sermon at the Ottawa Mennonite Church,  12/Aug/2012

 As a lay person, it is a rare opportunity for me to preach. I preached for months at my previous church in Vanier, a Baptist church, during the period it had no pastor. The best homiletical advice I ever heard came from a pastor from South Africa, who said to me jokingly once that what a preacher says in up to 10 minutes comes from God. From 10 to 15 minutes comes from himself or herself. After 15 minutes it comes from the Devil.
 A brazilian theologian, Valdir Steuernagel, once said that theology is personal. That the story of the theologian is behind its theology-making. I am here giving a piece of myself away in a certain way, as I try to state something about all this mystery of the beyond.
 One of the characteristics of Anabaptism that I admire is its emphasis on conflict resolution. How do angry words relate to conflict? I believe they are directly related. Anger, in my mind, implies tension or disagreement. Often angry words precede or announce some violent action. And so one can make other questions: is not reacting with anger any better than acting with anger? Is there such a thing as ‘good conflict’? I believe there is such a thing as ‘good conflict’. Angry words may be understandable, desirable or necessary, depending on the context.
    Silence
  In contrast with anger I see another reaction: silence. There is a dangerous interpretation of certain biblical passages as if they always prescribed silence and inaction. When someone is offended, hurt or disrespected, the person may choose not to react at all. That, however, could be a prescription for one to be torn from the inside. To be silent may also endorse the offensive acts. The person would be harmed from the outside and from the inside. There are many passages that will lead us not to be angry. Jesus said “blessed are the meek” [Matthew 5:5a]. And also “If anyone slaps you on the right cheek, turn to them the other cheek also.” [ Matthew 5:39 TNIV]. Isaiah describes the Messiah: “He was oppressed and afflicted, yet he did not open his mouth; he was led like a lamb to the slaughter, and as a sheep before its shearers is silent, so he did not open his mouth. “ [ Isaiah 53.7 TNIV] The poet in Lamentations 3 writes “When God makes us suffer, we should be alone, patient and in silence. When we are offended, we should not react, but endure all insults” [ Lamentations 3:28,30 Gustavo’s translation from Portuguese Bible ] But let’s think: the author of Lamentations writes 5 poems and prayers and tells us to suffer in silence? If we read a bit further on in the same chapter the author is already praying angrily: “Pay them back what they deserve, O Lord, for what their hands have done. Put a veil over their hearts, and may your curse be on them! Pursue them in anger and destroy them from under the heavens of the Lord.” [ Lamentations 3:64-66 TNIV ]
  Angry Jesus
  When looking at Jesus too, we should not just preconceive the simple ‘gentle’ Jesus who said ‘blessed are the meek’. We should also take an angry Jesus calling Herod a fox, which apparently was a great insult. We should also remember the angry Jesus who said to the religious leaders of his time “you blind guides!”, “you blind fools!”, “you hypocrites!”, “You snakes! You brood of vipers!” . Do you think they felt offended? Are you ok with such a Jesus? We should also take an angry Jesus expelling merchants and shoppers from the temple [ Matthew 11:12,13 ] Dr. Walter Wink explains that to “turn the other cheek” in that cultural context may be something different than what many think. At that time, a master would reprimand a slave with a slap of the right hand on his right cheek. When the offended person offered the left cheek, the offender would need to strike a peer not as a master, but as an equal person. It was an act of identifying an abuse and exposing it as such, without escalating violence.
     When I was a little boy, I heard about a christian man from my uncle, who is a Baptist pastor in Brazil. My uncle was describing how meek this brother was. As I was told, he was never heard to say anything bad to anyone. Once, however, when someone ‘pushed a button’, he said “You dumb!” And he immediately felt very guilty about his outburst of anger and later prayed to God for forgiveness. I didn’t get to know the man, but I think that these kinds of feelings need to get out of one’s chest for one’s own well-being. Inaction may be an attempt to suppress feelings. And that is not good. We should not simply take constant ‘inaction’ as a moral virtue.
 I cherish the moments when reality knocks at our door and we see things more clearly. And I suspect that is often what happens as angry words go out. We are confronted by the reality of failure, pain, suffering and injustice. There is something good when there is space for expressions of our human condition to come out. I like that kind of prayer: the breathing of the human condition.
   Grace and Human Condition
  In one perspective, it may be fine for the church at large to invite sinners to repent and to live up to ‘higher standards’ of morality. I believe, however, that there is a common problem that deserves some care. When such call for ‘higher standards of morality’ turns into a prescription to preconceived notions of behaviour that should turn the person into some sort of spiritual superhero, we tend to hide the not-so-beautiful aspects of our human condition. In other words, if the church only shows ‘good behaviour’, it will not open up space for our brokenness to appear. Is it better for our brokenness to appear or should we hide it? Peter Rollins wrote about it this way: “So what is the alternative to attempting to hold ethical principles? The answer is creating a space of grace in which we are invited to bring our darkness to the surface, to speak of it in an environment in which we will not be condemned or made to feel guilty, a community that will let us speak our anxieties and darkness without asking us to change. In short, a place where we can confront our humanity rather than running from it.” [A] There is an inherent problem when separations between ‘spiritual’ and ‘worldly’ or ‘sacred’ and ‘secular’ are held in tension against each other. If being more spiritual means to be less human, displays of humanity indeed will label the person as not-so-spiritual.
  God Happens Inside the Human Life
  In 2010, as some of you know, I and my family spent the year in Brazil. I got to know some families that lived around a garbage dump and worked recycling garbage. They were forcefully displaced to the middle of nowhere by the government in a scheme of corruption with the subsidy of the World Bank. Joaquim was a young man displaced at the time along with his family. They were members of an evangelical church of a large denomination. When Joaquim and others noticed that nothing would happen, they decided to do something. They sought the help of a small community association. They tried to speak to local politicians. They tried to contact the press. They found a pro bono lawyer. They even wrote an email in English to top bureaucrats of the World Bank. For some reason, the local church didn’t like what Joaquim did. He was disciplined, where he was suspended from his leadership role in the church, and his family was forbidden to take the holy communion. Eventually he and his family were invited to leave. They told him that he was trusting in the justice of men and not in God’s justice.
  Is God in control of History, are we in control of it or is it all random? If we simply said that “God is in control of History”, it would become difficult to understand how he could allow so much suffering. If we simply said that “we are in control of History” or that it is all random, we could imply that God was out of the loop and forego hope and meaning. The brazilian theologian Leonardo Boff wrote about  Bultmann and his disciples: “After Kant [...] we definitely should exclude any objectivity of God, even the denomination of spirit and person. God is not an object of knowledge nor does he simply exist like the other realities. He happens inside the human life. He is that happening that allows the love to appear and in which the evildoer and despaired receive hope and future. [...] God continues to accomplish a function: he is the symbol towards the behaviour that Christ required from all: unbounded love and disinterested obedience to the calls of unlimited reciprocity. Wherever that happens, God is present there.” The latin american theologian Juan Luis Segundo wrote “If each word of God does not refer to a human experience, it becomes like a message written in an unknown language” [ Segundo in “The Liberation of Theology” ]
 I, for instance, get angry when someone explains injustice as something natural. Specially when the weak and the poor are condemned to suffer just because they are who they are. The  man who created the International Monetary Fund policy of Brazil in the late 60s was called Roberto Campos. To justify his policy where brazilian companies had to pay lending rates 7 times higher than foreign companies, he said "Obviously the world is unequal. Some are born intelligent, some stupid. Some are born athletes, others crippled. The world is made up of small and large enterprises. Some die early, in the prime of life; others drag themselves criminally through a long useless existence. There is a basic fundamental inequality in human nature, in the condition of things. The mechanism of credit cannot escape this." In other words, the destiny of some is to suffer to feed the greed of a few extremely rich and that is written in the stars. In religious circles, words that spiritualize unjust human relations or words that resort to God to stigmatize “the least of these” are particularly dangerous. One of the most famous pastors in Brazil, Silas Malafaia, for example, said that poverty is the result of disobedience to the laws of God.
  If God happens inside the human life, prayers are a conversation with human life and its contexts. If God happens inside the human life, History is sacred. Specially the versions reported by “the least of these”. I tend to pay more attention to the conscience that ascribes to God and to ourselves at the same time the responsibility of our fate. With angry words it is easier to play the blame game with God than to take individual or collective responsibility for action or inaction.
  The Bible in One Hand, the Newspaper in the Other
  The siege of Jerusalem in 587 BC by the Babylonians contains very harsh images. When reading Lamentations, I can’t help but relate to some brazilian stories. Some of them may be too graphic to describe here. One of the readings that draws my attention in these texts is that they not only speak about suffering and angry words to myself as an individual, but they also allude to a big picture and how relationships among nations influence the lives of ordinary people. When I read that “We must buy the water we drink; our wood can be had only at a price” “We submitted to Egypt and Assyria to get enough bread” (v.4,6) I remember some friends of mine in Brazil that have to buy propane from the black market controlled by police. When I read “God knows when in this country the prisoners are massacred without compassion. God knows when human rights, which he himself gave to us, are disrespected. Yes, he knows when they twist the justice in a process” [ Lam 3.34-36 Gustavo’s translation from Portuguese Bible ] I remember the Carandiru massacre, where 111 prisoners were killed by police in Brazil in one day in 1992. The religious leaders of the days of Jeremiah were guilty of inviting people to resist the Babylonians, and that resulted in more deaths. They persecuted Jeremiah and tried to kill him lobbying the king. We read in Lamentations 4:13: “All this happened because of the sins and iniquities of your prophets and your priests, guilty of causing the death of innocent people” [ Gustavo’s translation from Portuguese Bible ] My angry words are not related to personal persecution, but they speak to the evangelical deputies in Brazilian congress, who recently voted against a bill to expropriate land where slave labour is found.
 The poems in Lamentations are not trying to explain or justify or help understand suffering. Instead, they depict conversations with God that look at reality and honestly struggle with the divine. We only cry because there is hope that there is someone listening.

Tuesday, August 31, 2010

O reinado que acontece no amor solidário aos pobres - 1

Citações curtas do livro "Deus em nós: O reinado que acontece no amor solidário aos pobres", por Hugo Assmann e Jung Mo Sung.

"
A crítica do consumismo é uma das marcas da esquerda azeda e negativista. Em vez de alegrar-se com uma certa difusão da renda e do poder aquisitivo, os negativistas antimercado despejam o seu moralismo contra o que me dá enorme alegria, ver o povo comprando e fruindo do prazer de comprar. Positivar o prazer em geral e com ele o prazer da compra.
Isso faz parte do sacrificialismo ocidental/cristão, com sua noção de um deus dolorista e antiprazer. Isso evoluiu, pari passu, com o machismo e antifeminismo ocidentais.
O prazer de consumier não é uma invenção do capitalismo. Faz parte da condição humana. O que Hugo Assmann sempre criticou foi o fetiche da mercadoria ditando as relações humanas e sociais. O problema não está no prazer de comprar ou de consumir, mas na classificação do grau da dignidade humana dos indivíduos a partir do critério do padrão de consumo. Aliás, uma das razões da luta em favor dos pobres é para aumentar a capacidade de consumo deles. A 'libertação' não pode significar transformar todcas as pessoas em 'franciscanos' ou monges de vida austera. Esse tipo de vida religiosa, presente nas mais diversas tradições religiosas, deve ser compreendida como uma crítica às sociedades que não reconhecem a humanidade dos pobres, mas não como um ideal de vida para toda a sociedade. Isso seria, como diz Assmann, exaltar um sacrificialismo dolorista.
"

Saturday, May 15, 2010

Ainda sobre "Verdade Absoluta" // Peter Rollins

"Em contraste com Verdade, o termo 'verdade' pode ser tido como relacionado a afirmações de fato acerca da realidade. Diferentemente do Real, 'realidade' é um termo que refere-se ao mundo como nós o experimentamos. Aqui discussões metafísicas são abandonadas em favor de discussões sobre como nós interpretamos e interagimos com o mundo. Por exemplo, alguém pode não ter nenhuma opinião sobre se Deus existe ou não, mas alguém pode ainda assim fazer afirmações com sentido sobre tais coisas como o número de pessoas que se casou em um determinado país em uma determinada hora ou o efeito a longo prazo das emissões de carbono.
  O trabalho até aqui pode parecer sugerir que Verdade não tem lugar dentro do Cristianismo, pois enquanto tal visão não nega sua existência, o fato de que a Verdade (Deus) nunca pode ser concebida em última instância leva a uma erosão do absolutismo que cria um espaço para que o relativismo crie raízes. Contudo um dos principais problemas com tal preocupação é a forma que ela pressupõem uma visão do conhecimento e da verdade que tem mais em comum com Atenas do que com Jerusalém. Embora as visões acima de verdade (em ambas formas maiúscula e minúscula) sejam importantes e ofereçam várias compreensões, esses métodos influenciados pelos Gregos vêem questões sobre verdade e conhecimento de uma maneira fundamentalmente diferente do que aquela encontrada na tradição Judaico-Cristã. Ao invés de descrever o Real ou a realidade, pode-se dizer que a ideia Cristã de 'conhecer a verdade' opera em uma dimensão completamente diferente. Pois ao contrário das perspectivas anteriores que fazem referência à capacidade de fazer afirmações descritivas e substantivas  sobre o Real ou a realidade, a visão Judaico-Cristã de verdade se preocupa com ter um relacionamento com o Real (Deus) que resulta em nós transformando a realidade. A ênfase não está portanto em descrição mas em transformação. Esta perspectiva dá um curto-circuito no longo debate redundante sobre se a verdade é subjetiva ou objetiva, pois aqui Verdade é o Real inconcebível (objetivo) que transforma o indivíduo (subjetivo).
 Embora o Cristianismo possa fazer uso desses outros discursos, a noção primária de verdade dentro do Cristianismo está diretamente conectada com libertação e transformação ao invés de descrição objetiva. Por exemplo, quando nós lemos que Cristo é a verdade e que conhecer a verdade nos libertará, nós nos vemos face à face com a verdade, não como a afirmação objetiva de uma proposição (como se isso libertasse alguém), mas ao invés como aquilo que advém de um encontro que dá vida. A Verdade no Cristianismo não é descrita, mas experimentada. Isto não é então a afirmação de alguma descrição objetiva sobre Verdade mas ao invés descreve a relação com a Verdade. Em outras palavras, a Verdade é Deus e ter tal conhecimento da Verdade é evidenciado não em um sistema doutrinário mas em deixar que a Verdade seja encarnada na vida da pessoa. Portanto, esta alegação de Cristo não é uma forma de alegar que algum sistema teórico trará nova vida, mas uma forma de dizer que ao entrar em um relacionamento com Deus nós acharemos libertação. Conhecer a Verdade é portanto ser conhecido e transformado pela Verdade."

"How (not) to Speak of God". Peter Rollins. Paraclete Press, 2006. páginas 59 a 60.

Tradução livre de Gustavo K-fé Frederico


Friday, April 30, 2010

Letter to friends at the TransFORM conference

(This letter was featured in a short video that I recorded for the TransFORM conference in Washington, DC, USA. See below.)

Dear friends at TransFORM,

  This is Gustavo K-fé Frederico speaking from Brazil. Here we are learning to talk to one another, becoming more aware of the importance of conversation. Here this conversation is nameless still, in embryonic stages. In it the other is not simply the recipient of our message, but equal participant. And this conversation is a long and difficult process over time.
 Our Histories in Brazil and in Latin America are diverse and ambiguous. And the US and Europe - legitimized also by theology - were the authors of some dark chapters in our Histories. But we move on without bitterness. In recent History we have had inspiring theology that was highly contextualized. A few of us are rediscovering Liberation Theology, Integral Mission and other theologies from the "margins". We are learning how they defied the status quo, how they gave a voice to the voiceless and how they made the oppressed subjects of their own liberation. Still, History moves on and so must these theologies.
  As we talk to each other we become aware of the fact that faith does not exist in a void, but is contextualized. So our praxis must not neglect History, Sociology, Philosophy, Anthropology and Political Sciences. I'm not calling folks to senseless academic discussions. On the contrary: I'm proposing a challenge to professionals, leaders and practitioners to contextualize their faith and practice in every aspect. For me if faith is not contextualized it is irrelevant.
  Dear American brothers and sisters, as you think about new communities of faith, do not neglect the hidden Christ in the face of the suffering near you. Some estimates speak about 45 million people living in poverty in 2009 in the US. And there is really no suffering far from you in this globalized age. Please raise your prophetic voice against the hidden forces of oppression and violence. That is a practical epistemological exercise. I know you are thinking about 'small' communities, but do not neglect tough problems including macro-politics. Try to craft new languages of non-violence, justice, beauty and love.
  Babel was a failure with its presumptions, but I invite you to engage with us in dialogue. I invite you to come to Brazil, to come to South America.
  Finally, I leave you with a quote by Althaus-Reid: "If theology is not for liberation, that is, to deliver us from sexual and political ideological constraints of its constructions, and if it is not rooted in our experience and does not become transformative, it is not theology. "

Peace to all

Gustavo K-fé Frederico



Friday, March 26, 2010

Motivation for Feminist Theology

"That was my foot-on-the-door to Feminist Theology. Incidentally, this contact with reality was important for me to learn that the making-theology must begin by listening to un-heard voices, un-told stories, un-known theologies.
[...]
  Reality is though for the majority of people of the feminine sex. Professor Lieve insisted in presenting at that class unfortunate data to prove this:

  • 65% of the work in the world is done by women;
  • 12% of the paid salaries in the world go to women;
  • 2% of properties in the world are on the hands of women;
  • 1 in each 6 women in the world is a victim of incest;
  • 1 in each 4 women will experience some form of sexual violence in life;
  • 75% of people that die of hunger are women and children;
  • In all the world, women do not earn the same salary as men;
  • In all the world, the education level of women is lower than that of men;
  • In countries where women have more diplomas than men, the tendency is for less educated men to hold higher positions, changing, therefore, the criterion of promotion;
  • 98% of structural decisions are made by men;
  • In all the world, women are more dependent on the land than men;
  • In many places of the world, the majority of abortions is of girls.
Given that, the lesson that Feminist Theology teaches us is that before worrying about explaining reality theologies must pay attention to an unjust reality that needs transformation. This situation must be taken as a theological challenge that requires an urgent answer seeking changes.
"

Fragment of "Towards a daily theology: listening to the unheard voices" by Felipe Fanuel Xavier Rodrigues in "Teologias com Sabor de Mangostão". Isabel Aparecida Felix (org). ISBN 978-85-60990-07-8. Nhanduti Editora.

Translation by Gustavo K-fé Frederico

Sunday, March 21, 2010

Teologia da Libertação: montando o quebra-cabeças recente

Ainda estou montando o quebra-cabeças da história da Teologia da Libertação no Brasil. Sexta-feira passada encontrei-me pela primeira vez com um Católico envolvido com a Teologia da Libertação. Foi um encontro muito proveitoso e agradável. Tento resumir o que aprendi, listando minhas perguntas originais e como entendi as respostas:
 - O que aconteceu no Brasil nos últimos 20 anos na área política?
   R: Nós "viramos o poder". Isto é, o PT ganhou as eleições.

- O que aconteceu com a Teologia da Libertação nos últimos 20 anos?
 R: Houve um esforço deliberado para empurrar a Teologia da Libertação para fora da instituição da Igreja Católica Apostólica Romana. Os envolvidos com a práxis praticamente têm que continuar a fazê-lo sem nenhum apoio da igreja. Isto é, estão "nas margens". Acadêmicos acabaram por ficar mais desassociados da práxis e dos movimentos sociais de luta. Nesse esforço, houve uma opção deliberada de convidar bispos contrários à Teologia da Libertação e de pouco interesse com teologia "de conteúdo". De forma geral também houve uma falta de interesse dos estudantes de teologia (aspirantes ao ministério pastoral). Similarmente parece haver mais alienação dos jovens.
  Ao mesmo tempo, os teólogos de libertação deram-se conta de que não bastava fazer uma análise sócio-econômica da situação visando puramente o bem-estar econômico. Isto é, a motivação de ter uma nação mais rica economicamente era equivocada, e a Teologia da Libertação não se deu conta disso em seu início. No desenvolvimento da espiritualidade é necessário considerar a subjetividade, o desejo do indivíduo, a beleza da arte e a experiência do transcendente.

 - Opção "só" pelos pobre?
  R: A Teologia da Libertação se deu conta recentemente de que esta forma de colocar o problema não é muito adequada. A opção deveria ser pelo oprimido. Deu-se conta de que às vezes o próprio pobre oprime o pobre. As generalizações usando categorias econômicas mostraram-se simplistas e até certo ponto equivocada. Não é que todo patrão é mau e todo trabalhador é bom. De qualquer forma, o pobre continua sendo na maioria das vezes o maior oprimido. E ainda conforme as Escrituras vemos Deus no pobre oprimido.
  Também pode-se dizer que o escopo da "Teologia da Libertação" aumentou recentemente com o debate de outros "excluídos": teologia feminista, ecologia, etc.

- Qual o status das CEBs?
R: Diminuiram em número.

- Que influência teve o movimento carismático com a Teologia da Libertação?
R: O movimento carismático cresceu muito dentro da igreja católica nos últmos anos. O movimento carismático ajudou, de certa forma, a Teologia da Libertação a ver a necessidade de se elaborar e articular melhor a espiritualidade. Ver a resposta acima que fala sobre a história da Teologia da Libertação.

- Quais são os jovens que estão envolvidos com a Teologia da Libertação e que blogam hoje?
R: Não tem (no conhecer do meu amigo). Há um desinteresse generalizado entre jovens. Historicamente, nesse esforço da Igreja institucional contra a Teologia da Libertação, os envolvidos com a TL deixaram de treinar uma nova geração nos movimentos sociais. Similarmente, alguns segmentos das lutas sociais escolheram a política de terno e gravata e esqueceram não somente as bases dos movimentos como também não investiram no treinamento e formação de novos líderes mais jovens.

Tuesday, March 16, 2010

Teologia clássica e linguagens fechadas

As pessoas que levantam a pergunta à teologia clássica situam-se, pois, num contexto homogêneo e global de fé, de modo que seus problemas se referem à inteligibilidade das verdades dogmáticas no interior articulado de um sistema orgânico. Em outras palavras, busca-se compreender como as verdades de fé se relacionam entre si, como se interpretam entre si. [...] a teologia clássica faz a pergunta da fé à fé. Reduz ao espaço da fé qualquer outra pergunta. A partir da fé, entende todas as questões. [...] No fundo, não se capta realmente nenhuma pergunta estranha ao mundo da fé e portanto dá aparentes respostas quando a pergunta vem na verdade de real questionamento da fé, e não de simples maior inteligibilidade da mesma.

Trecho do livro "Teologia da Libertação: Roteiro didático para um estudo". J. B. Libanio, ed Loyola, 1987. p. 85.

Minha conclusão: a linguagem de fé, isto é, a linguagem que fala sobre o transcendente, deve a certa altura falar do social senão ela perde sua legitimidade.

Teologia da Libertação e Pós-modernidade (1987)

A TdL [Teologia da Libertação] radica-se, em muitas de suas perguntas e inspiração, numa fé popular pré-moderna. O nosso povo latino-americano vive em muitos elementos uma fé ainda não bombardeada pelos deuses da modernidade. Por outro lado, os teólogos que elaboram principalmente esta teologia já passaram pelas perguntas fundamentais da modernidade e tentaram superá-las nos seus limites individualizantes. A TdL é então um resultado de interessante encontro da pré-modernidade da piedade popular com a pós-modernidade dos teólogos, sem ficar presa à estrita problemática da razão e subjetividade modernas.

Trecho do livro "Teologia da Libertação: Roteiro didático para um estudo". J. B. Libanio, ed Loyola, 1987. p. 100.

Ainda gostaria de citar um trecho do livro "Para Entender Pós-Modernidade" de Mary Esperandio:

"A partir dessa perspectiva, podemos compreender a posição de Maffesoli a respeito de uma definição 'provisória' de pós-modernidade. Como ele diria, 'pós-modernidade pode ser definida, provisoriamente, como a sinergia de fenômenos arcaicos com o desenvolvimento tecnológico' (Maffesoli, 2004, p. 21)" p. 13


  Um detalhe interessante dessa definição provisória é o convívio dos fenômenos arcaicos com o tempo de tecnologias avançadas. Volta e meia ouço que a pós-modernidade não está presente ainda na América Latina porque o "pré-moderno, o moderno e o pós-moderno ainda estão juntos". A definição de Maffesoli, contudo, demonstra que tal ideia não capta bem "pós-modernidade". 


Revelação e Linguagem

Toda linguagem é essencialmente social. A Escritura é linguagem. Portanto, somente no contexto social da comunicação humana pode ser entendida.

Trecho do livro "Teologia da Libertação: Roteiro didático para um estudo", J. B. Libanio, ed Loyola. p. 106

Friday, March 12, 2010

Comunidades Eclesiais de Base

"COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE (CEBs)
 As CEBs são a presença da Igreja em tais movimentos [os populares], captando, refletindo e atuando numa linha crítica. [...]
   As CEBs, que surgiram no início da década de 60, estavam ainda mais voltadas para a vida interna da Igreja, para os aspectos religiosos e espirituais. Pouco a pouco, através, sobretudo, de uma crescente e feliz articulação entre fé e vida, entre Palavra de Deus e luta popular, entre celebração litúrgica e celebração da vida diária, as CEBs participam maiormente dos núcleos  populares de luta reivindicativa - luta por água, esgoto, escola, transporte, posto de saúde, creche, luz, asfalto  etc,... luta de apoio a outras iniciativas, luta de denúncia a violações de direitos humanos, luta de resistência, sobretudo à repressão política, à expulsão da terra ou do lote clandestino, ao despejo do barraco etc ... Mais exatamente, a CEB reforça sua consciência de base nessas lutas. Participa assim do grande movimento e clima de libertação geral. E o aspecto eclesial, por sua vez, é realçado no contato com a Palavra de Deus, com os agentes de pastoral [...]
  Nas CEBs, vive-se intensamente a pastoral da libertação. [...]
  No interior das CEBs, desenvolveu-se e desenvolve-se ainda uma espiritualidade popular e libertária. Ela está profundamenteancorada na religiosidade popular. Em geral, esta religiosidade é antes considerada obstáculo à emergência da TdL que fautora da mesma. Tal interpretação vem, sem dúvida, de uma visão elitista. Pois há uma mística popular, alimentada pela fé, que resistiu aos embates de uma racionalização e secularização, que poderiam acoplar com os movimentos de libertação, mas que nunca permitiriam nascer uma teologia. Foi esta religiosidade que permitiu a articulação fé e vida, de que falávamos acima. Ela não é alienada, uma vez que reúne o povo, convoca-o à solidariedade, à luta. E a TdL, em suas formas mais recentes, tem procurado valorizar esse veio, dando-lhe o realce que merece nas suas reflexões."

Trecho do livro "Teologia da Libertação: roteiro didático para um estudo", João Batista Libânio, Edições Loyola, 1987, p. 78

(Grifos meus)


  

Tuesday, February 16, 2010

The theologians of the death of God - part 2


 (este post está também disponível em Português)
"In the theology of the death of God we find a christological concentration without precedence in the history of christian theology. Jesus hinders God who died and substitutes him. He is the true God. The God of transcendence, of creation, of divine attributes died inside our empirical, experiential, pragmatic and immediate culture. The God who identified himself with our situation, with our darkness and angst, this one is the divine God and he is called Jesus of Nazareth. [...] God in Jesus made himself weak and impotent in the world. [...] The God which the atheism in the name of evil of this world was questioning was the almighty God, infinite, Creator of heaven and earth, Father and cosmic Lord. In Jesus Christ God himself assumed the evil and absurd. He identified himself with the problem and solved it, not theoretically but through life and through love. Therefore only this God is the God of the christian experience. It is not anymore an eternal and infinite solitary but one among us and empathetic with our pain and our angst for the absence and latency of God in the world. 
  As shown, here not only a christological concentration happens, but also a reduction of the reality of Jesus Christ. Jesus of whom the gospels testify cannot be adequately understood without an explicit reference of God. It is true that  in him there was also an experience of the death of God. But that does not ever mean that he hindered God or even liberated all men of all divinity. He acted in his name. He announced the Kingdom as the Kingdom of God and taught us to call him Father and taught us to feel like his beloved sons. To deny that would be to reduce christology to mere phraseology."

 Fragment from the book "Jesus Christ Libertador", L. Boff, ed Vozes, ISBN 978-85-326-0640-2, p. 210. Free translation by Gustavo Frederico.

   I find it interesting to see how the writer does not run away when speaking about atheism. He does not take a shortcut appealing to dogmas with the intent of fighting atheism. On the contrary, he takes the longer path: to understand the question, its speakers and to comment after. I miss this kind of care in the evangelical circle, which a priori seems to reject the thoughts that at first sight seem to threat their fundamentals.
    Even if Boff here is not explicitly speaking about Liberation Theology, I notice how he affirms a transcendent spirituality. In this point we cannot say that Boff, as a voice in Liberation Theology, is not in favour of a spirituality.

The theologians of the death of God - part 1

(este post está também disponível em Português)
"Some disciples of Bultmann such as H. Braun, D. Sölle and P. van Buren among others radicalized even more the positions of Bultmann. After Kant [...] we definitely should exclude any objectivity of God, even the denomination of spirit and person. God is not an object of knowledge nor does he simply exist like the other realities. He happens inside the human life. He is that happening that allows the love to appear and in which the evildoer and despaired receive hope and future. And so he does not constitute an superior instance, a divine essence that causes the world and grants the award or punishment as each one deserves. To think of God like that would frame him inside metaphysical or linguistic categories [...]. Therefore both Braun and the protestant theologian D. Sölle further affirm: the acceptance of the divinity is not a presupposition to be a christian. One can be atheist and christian. Ernst Bloch, going one step further, formulated in a book title the following paradox: 'Only a good christian can be an atheist and only a good atheist can be a christian'. P. van Buren suggested to scrape definitively the name of God. With that evidently these radical authors are not voicing a vulgar atheism. God continues to accomplish a function: he is the symbol towards the behaviour that Christ required from all: unbounded love and disinterested obedience to the calls of unlimited reciprocity. Wherever that happens, God is present there (Braun)."
  Fragment of the book "Jesus Christ Liberator", L. Boff, Vozes, ISBN 978-85-326-0640-2, p. 210.  Free translation by Gustavo Frederico.


[to continue]

Sunday, February 14, 2010

Os teólogos da morte de Deus - II

"Na teologia da morte de Deus verifica-se uma concentração cristológica sem paralelos na história da teologia cristã. Jesus recalca Deus que morreu e substitui-o. Ele é o verdadeiro Deus. O Deus da transcendência, da criação, dos atributos divinos morreu dentro de nossa cultura empírica, experiencial, pragmática e imediatista. O Deus que se identificou com nossa situação, com nossas trevas e angústias, esse é o Deus divino e se chama Jesus de Nazaré. [...] Deus se fez em Jesus fraco e impotente no mundo. [...] O Deus que o ateísmo em nome do mal deste mundo questionava era o Deus todo-poderoso, infinito, Criador do céu e da terra, Pai e Senhor cósmico. Em Jesus Cristo Deus mesmo assumiu o mal e o absurdo. Identificou-se com o problema e resolveu-o, não teoricamente mas pela vida e pelo amor. Por isso só esse Deus é o Deus da experiência cristã. Não é mais um eterno e infinito solitário mas um dentre nós e solidário com nossa dor e com nossa angústia pela ausência e latência de Deus no mundo.
  Como se evidencia, aqui dá-se não só uma concentração cristológica, como também uma redução da realidade de Jesus Cristo. O Jesus que os evangelhos nos testificam não pode ser adequadamente compreendido sem uma referência explícita a Deus. É verdade que nele houve também a experiência da morte de Deus. Mas isso não significa jamais que ele tivesse recalcado Deus e até libertado os homens de toda a divindade. Ele agiu em seu nome. Anunciou o Reino como Reino de Deus e nos ensinou a chamá-lo de Pai e a sentirmo-nos como seus filhos bem-amados. Negar isso seria reduzir a cristologia a mera fraseologia. "
Trecho do livro "Jesus Cristo Libertador", L. Boff, ed Vozes, p. 209 e 210.

Acho interessante ver como o escritor não foge da raia ao falar sobre ateísmo. Ele não pega um atalho nem apela rapidamente para dogmas com o intuito de combater o ateísmo. Ao contrário, ele pega o caminho mais longo: o de entender a questão e seus interlocutores e depois comentá-la. Sinto falta desse cuidado no círculo evangélico que a priori parece rejeitar pensamentos que de prima insinuam ameaçar seus fundamentos.
  Embora Boff aqui não esteja explicitamente falando sobre Teologia da Libertação, noto como ele afirma uma espiritualidade transcendente. Neste ponto não podemos falar que Boff, enquanto voz na Teologia da Libertação, não é a favor de uma espiritualidade.

Os teólogos da morte de Deus - I

"Alguns discípulos de Bultmann como H. Braun, D. Sölle e P. van Buren entre outros radicalizaram ainda mais as posições de Bultmann. Depois de Kant [...] devemos terminantemente excluir qualquer objetivação de Deus, mesmo a denominação de espírito e pessoa. Deus não é objeto de conhecimento nem existe simplesmente como existem as demais realidades. Ele acontece dentro da vida humana. Ele é aquele acontecimento que permite surgir o amor e no qual o mau e o desesperado recebem esperança e futuro. Por isso ele não constitui uma instância superior, uma essência divina que causou o mundo e concede o prêmio ou castigo conforme cada qual merece. Pensar Deus assim seria enquadrá-lo dentro de categorias metafísicas ou linguísticas [...]. Por isso tanto Braun como a teóloga protestante D. Sölle chegam a afirmar: a aceitação da divindade não é pressuposto para ser cristão. Pode-se ser ateu e cristão. Ernst Bloch andando um passo à frente formulava num título de livro o seguinte paradoxo: 'Só um bom cristão pode ser um ateu e só um bom ateu pode ser um cristão'. P. van Buren sugeriu que se riscasse definitivamente o nome de Deus. Com isso evidentemente esses autores radicais não apregoam um ateísmo vulgar. Deus continua a desempenhar uma função: ele é o símbolo para o comportamento que Cristo exigiu de todos: irrestrito amor e obediência desinteressada aos apelos de reciprocidade ilimitada. Onde quer que se dê isso, lá está Deus presente (Braun). "
  Trecho do livro "Jesus Cristo Libertador", L. Boff, ed Vozes, p. 210

[continua]

Sunday, February 07, 2010

Motivation for Liberation Theology

(Este post também está disponível em Português)


"One day, in plain Brazilian Northeast arid region, one of the hungriest regions in the world, I found a bishop shaking, rushing into the house. 'Mr. bishop, what happend?' And he answered, breathing heavily, that he witnessed something horrible. He found a young lady with three children plus one on her arms in front of the Cathedral. He saw that they were fainting with hunger. The child on her arms seemed dead. He said: 'Woman, give your breast to the child!' 'I can't, mr. bishop!', she answered. The bishop insisted many times again. And she always answered: 'Mr. bishop, I can't!' At last, because of the insistence of the bishop, she opened her breast. It was bleeding. The small child turned with violence to the breast. She was sucking blood. And the mother that conceived this life was feeding her, as a pelican, with her own life, with her blood. The bishop knelled before the woman. He put his hand on the child's head. At that very place he made a promise to God: while the situation of misery lasts, I will feed at least one hungry child per day".


Fragment of the book 'Como Fazer Teologia da Libertação' [How to do Liberation Theology], by L. Boff and C. Boff, Editora Vozes. ISBN 978-85-326-0542-9.  - Free translation by Gustavo K-fé Frederico.


I, K-fé, was thinking what could be the motivation to do liberation theology. I remembered this and other examples of the book. The cruel misery and the social injustices in Brazil - and in three quarters of the world - would be motivations. When we think about 'love your neighbour' we proceed quickly to the social application of the command. In my view, the scope of theological praxis in Brazil need to have at minimum the same scope of Liberation Theology.

Saturday, January 30, 2010

Teologias de Libertação: Sacro e Profano


"Ele [Cristo] derrubou todos os muros, do sacro e do profano, das convenções, do legalismo, das divisões entre os homens e entre os sexos, dos homens com Deus, porque agora todos têm acesso a Ele e podem dizer 'Abba, Pai' (Ef 3,18; cf. Gl 4,6; Rm 8,15) [...] Daí que ele não funda uma escola a mais, nem elabora um novo ritual de oração, nem prescreve uma super-moral. Mas atinge uma dimensão e rasga um horizonte que obriga tudo a se revolucionar, a se rever e a se converter."
Trecho do livro "Jesus Cristo libertador: ensaio de cristologia crítica para o nosso tempo". Editora Vozes, ISBN 978-85-326-0640-2, p. 72

 "Nada que afete o homem e sua história está isento da necessidade e da possibilidade de colocar-se em submissão a Cristo, e nada, portanto, está fora da esfera do interesse cristão e missionário. A missão integral é uma consequência lógica da soberania universal de Jesus Cristo.
  Sob esta perspectiva, a missão da igreja não pode restringir-se à pregação dos princípios do evangelho. Ela é orientada pelo propósito de Deus, que se cumprirá em seu devido tempo, de 'unir sob o mando de Cristo todas as coisas, tanto no céu como na terra.' Consequentemente, ela rejeita a dicotomia entre o secular e o sagrado e se transforma em um fermento que age sobre toda a massa."
Trecho do livro "O Que é Missão Integral?" por C. René Padilla, Editora Ultimato, ISBN 978-85-7779-031-9. p. 117

  Quais as diferenças que os amigos e as amigas vêem entre as duas abordagens nas características de 'fusão categórica' do secular e do sagrado? No primeiro parágrafo fica mais claro que a dicotomia entre sacro e profano é implodida por assim dizer pela pessoa de Cristo. No segundo parágrafo o fator causal não me parece tão claro, aludindo-se à autoridade de Cristo. Poder-se-ia dizer com o segundo parágrafo que a referida rejeição de dicotomia é também uma implosão?

(sobre a última citação, ver também o post "Missão Integral: missão e submissão")
  

Friday, January 29, 2010

Teologia da Libertação: A-cerca da Alienação

"Pode-se pregar de muitas maneiras sobre o Reino de Deus. Pode-se anunciá-lo como o outro mundo que Deus nos está preparando, que vem depois desta vida. Ou pode-se pregá-lo como sendo a Igreja representante e continuadora de Jesus com seu culto, sua dogmática, suas instituições e sacramentos. Estas duas maneiras colocam entre parêntesis o compromisso como tarefa de construção do mundo mais justo e participado e alienam o cristão diante do problema da opressão de milhões de nossos irmãos." (grifo meu)
 Trecho do livro "Jesus Cristo libertador: ensaio de cristologia crítica para o nosso tempo". Editora Vozes, ISBN 978-85-326-0640-2, p. 36
"5 - REINO DE DEUS NÃO É SÓ ESPIRITUAL
  De tudo isso um dado resulta claro: Reino de Deus, ao contrário do que muitos cristãos pensam, não significa algo de puramente espiritual ou fora deste mundo. É a totalidade desse mundo material, espiritual e humano agora introduzido na ordem de Deus."
ibid p 43.
  Aqui estamos tocando em um ponto importante. O parágrafo começa falando da pregação sobre o Reino de Deus. Seria interessante notar que a pregação faria parte da evangelização e da missão (tanto na Teologia da Libertação quanto na Missão Integral). A parte interessante é quando começamos a pensar nos componentes da crença e da prática que corroborariam para a alienação do cristão.
  (Eu particularmente não vi ainda este tipo de ideia na Missão Integral, pelo menos articulada tão claramente. Enquanto a MI prima pela percepção de problemas sociais graves como a opressão, na literatura e nos discursos nas igrejas a evangelização como proclamação do outro mundo bem como conceitos como "culto" e "igreja" ainda parecem ser complementares à realidade social. Assim, não são alienantes, mas "parte do pacote")
  Talvez o problema não esteja no conceito de outro mundo, nem na "Igreja", nem nas instituições em si mesmos. Talvez o problema esteja em não atrelar constantemente o "outro mundo" (realidade escatológica), "Igreja", e instituições ao contexto social.
  Ainda assim, a pergunta persiste (e desconfio que seja mais epistemológica): existe algum transcendente que não aliena da realidade?
  Mesmo que várias pessoas rapidamente vão responder 'sim', acredito que o uso de linguagem transcendente (como pressuposições de conceitos como "outro mundo", ie "céu", "Deus", "culto", etc e suas ocorrências no discurso) deva estar primeiramente condicionado a um exercício sincero de percepção (e vivência) da realidade. Para que o uso de linguagem transcendente não seja um abuso, sugiro que seja condicionado a uma autocrítica com questões epistemológicas.
  (Sem ter os conceitos filosóficos muito claros, fico pensando se não seria um problema clássico de desconstrução, em que a percepção da realidade exige instrumentos que em vez de sujeitos tornam-se objetos. Não foi Caputo que disse que a desconstrução é a hermenêutica do Reino de Deus? Deve ser o meu sono.)

Teologia da Libertação: por que "não bombou" (ainda)?

   Já de início tenho que dizer que não posso aqui fazer jus ao termo "espiritualidade" pois não li ainda o livro "Mística e Espiritualidade", que foi um livro redigido depois de "Jesus Cristo Libertador". Em todo o caso, guardemos o termo para pensarmos posteriormente.
  O livro afirma:
"O acesso a Ele [Deus] não se faz primariamente pelo culto, pela observância religiosa ou pela oração. São mediações verdadeiras, mas em si ambíguas. O acesso privilegiado e sem ambiguidade se faz pelo serviço ao pobre no qual o próprio Deus se esconde anonimamente. A práxis libertadora constitui o caminho mais seguro para o Deus de Jesus Cristo."
 Trecho do livro "Jesus Cristo libertador: ensaio de cristologia crítica para o nosso tempo". Editora Vozes, ISBN 978-85-326-0640-2, p. 29
  Lancei uma pergunta no Twitter: por que o pentecostalismo cresceu tanto na América Latina e a Teologia da Libertação não? Ariovaldo Ramos disse "o pent/o promove 1 espirit/e q gera dign/e pessoal e esperança, a teo pôs os pés dos pobres no chão, mas ñ comunicou espiritualid/e" [o pentecostalismo promove uma espiritualidade que gera dignidade pessoal e esperança, a teologia [da libertação] pôs os pés dos pobres no chão, mas não comunicou espiritualidade"].
  Primeiramente eu me pergunto se a Teologia da Libertação contém uma proposta de espiritualidade. Creio que sim. Até agora o livro citado acima bem como "Como Fazer Teologia da Libertação" elaboram uma teologia, sublinham enfaticamente a importância da práxis e estabelecem pontes entre a teoria e a prática. Seria interessante ler a história da Teologia da Libertação na América Latina perguntando-se se a sugestão desse trajeto foi seguida.
  Especulando arbitrariamente, listaria algumas opções:
a - O problema esteve na comunicação
b - O custo era muito alto
c - As práxis atreladas à espiritualidade eram diferentes demais ou 'livres' demais para poderem se desenvolver e morar dentro do Catolicismo Romano
d - Houve um problema de implementação na história onde não se fez a ponte entre teoria e prática de forma apropriade
e - Realmente, não há espiritualidade proposta pela Teologia da Libertação que seja atraente