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Friday, January 29, 2010

Teologia da Libertação: por que "não bombou" (ainda)?

   Já de início tenho que dizer que não posso aqui fazer jus ao termo "espiritualidade" pois não li ainda o livro "Mística e Espiritualidade", que foi um livro redigido depois de "Jesus Cristo Libertador". Em todo o caso, guardemos o termo para pensarmos posteriormente.
  O livro afirma:
"O acesso a Ele [Deus] não se faz primariamente pelo culto, pela observância religiosa ou pela oração. São mediações verdadeiras, mas em si ambíguas. O acesso privilegiado e sem ambiguidade se faz pelo serviço ao pobre no qual o próprio Deus se esconde anonimamente. A práxis libertadora constitui o caminho mais seguro para o Deus de Jesus Cristo."
 Trecho do livro "Jesus Cristo libertador: ensaio de cristologia crítica para o nosso tempo". Editora Vozes, ISBN 978-85-326-0640-2, p. 29
  Lancei uma pergunta no Twitter: por que o pentecostalismo cresceu tanto na América Latina e a Teologia da Libertação não? Ariovaldo Ramos disse "o pent/o promove 1 espirit/e q gera dign/e pessoal e esperança, a teo pôs os pés dos pobres no chão, mas ñ comunicou espiritualid/e" [o pentecostalismo promove uma espiritualidade que gera dignidade pessoal e esperança, a teologia [da libertação] pôs os pés dos pobres no chão, mas não comunicou espiritualidade"].
  Primeiramente eu me pergunto se a Teologia da Libertação contém uma proposta de espiritualidade. Creio que sim. Até agora o livro citado acima bem como "Como Fazer Teologia da Libertação" elaboram uma teologia, sublinham enfaticamente a importância da práxis e estabelecem pontes entre a teoria e a prática. Seria interessante ler a história da Teologia da Libertação na América Latina perguntando-se se a sugestão desse trajeto foi seguida.
  Especulando arbitrariamente, listaria algumas opções:
a - O problema esteve na comunicação
b - O custo era muito alto
c - As práxis atreladas à espiritualidade eram diferentes demais ou 'livres' demais para poderem se desenvolver e morar dentro do Catolicismo Romano
d - Houve um problema de implementação na história onde não se fez a ponte entre teoria e prática de forma apropriade
e - Realmente, não há espiritualidade proposta pela Teologia da Libertação que seja atraente

2 comments:

FLÁVIO CONRADO said...

Gustavo,

O livro do Gustavo Gutiérrez, Teologia da Libertação (que estou lendo, por acaso), lançado em 1971, antes do Jesus Cristo Libertador do Boff que é de 1972, dedica uma parte ao tema de "uma espiritualidade da libertação". A questão pra mim não é que faltou espiritualidade à TL mas o tipo de espiritualidade que ela propõe subverte a própria concepção tradicional de espiritualidade, sobretudo entre os evangélicos. Utilizando uma categoria de Max Weber, diria que a espiritualidade da TL é uma espiritualidade "intramundana".

Boa reflexão sobre esse tema é o pequeno livro do Harold Segura, "Hacia una Espiritualidad Evangélica Comprometida", que deve ser publicado em breve pela Ultimato.

Abraço,
Flávio

Natanael Disla said...

Há um livro intitulado "Espiritualidade da Libertação", de Pedro Casaldáliga e José María Vigil (Petrópolis: Vozes, 1993). Primeiro saiu em Espanhol em 1992, editado pela Sal Terrae. Está na minha lista para ler.