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Thursday, May 03, 2012

Widening the Circle - 3 - Mennonites and the Civil Rights Movement

The initial chapters of the book (Widening the Circle: Experiments in Christian Discipleship) are very encouraging and interesting. They tell stories of communities in the 50s and 60s involved with the Civil Rights movement in the US. 
  I personally think that the Mennonites had a very good discernment of time in History and took the action to be involved in the Civil Rights movement. We have to note how the Mennonite Central Committee commissioned Vincent Harding  and Rosemarie Freeney Harding  to begin communities directly involved with the Civil Rights movement (Reba Place Fellowship and Atlanta's Mennonite House). They were very much involved with the Student Nonviolent Coordinating Committee (SNCC) and Dr. Martin Luther King Jr.
Rosemarie says: “We had such a strong commitment to the movement” (page 41)
  I also found it interesting and encouraging to read how Vincent Harding was exploring his own 'trip into blackness' bringing the questions of Christian identity to the forefront. 
  Rachel Elizabeth Harding, her daughter, is "a historian and writer [...] author of numerous published essays and a book on Afro-Brazilian religion, A Refuge in Thunder: Candomblé and Alternative Spaces of Blackness." Very interesting. 

(See here also part 2 of this series of posts)

Saturday, January 28, 2012

Equipes Cristãs de Ação pela Paz: Uma Caminhada de Libertação (trecho)

Trecho do livro "Widening the Circle: Experiments in Christian Discipleship".

Trecho do capítulo "Equipes Cristãs de Ação pela Paz: Uma Caminhada de Libertação" (Christian Peacemaker Teams: The Journey of Liberation)

Por Tim Nafziger

[...]
A Fundação das Equipes Cristãs de Ação pela Paz (CPT)
Em 1984, Ron Sider fez um discurso na Conferência Mundial Menonita em Strasbourg, na França. O discurso acabou simbolizando a fundação das Equipes Cristãs de Ação pela Paz (CPT). Sider expôs uma visão grandiosa de pacificadores às centenas de milhares descendo em zonas de conflito trazendo justiça aos oprimidos e paz a facções em guerra:
  A menos que nós estejamos prontos a morrer aos milhares em novas tentativas dramáticas e fortes pela paz e justiça, nós devemos tristemente confessar que nós nunca realmente quisemos dizer o que dissemos, e que não devemos nunca sussurrar uma outra só palavra sobre pacifismo às nossas irmãs e aos nossos irmãos naquelas terras desesperadas cheias de injustiça.

  Para a maioria dos Menonitas até então, alternativas para a guerra haviam sido na maioria das vezes colocadas em termos de serviço voluntário. Objetores de consciência durante a II Guerra Mundial e Vietnã gastaram seus tempos trabalhando em silêncio como serventes em hospitais ou como parte dos Civilian Conservation Corps em parques nacionais. A visão de Sider de adentrar ousadamente no palco mundial como protetores dos pobres e oprimidos foi animadora e profundamente atraente.  Líderes de igreja Anabatistas pediram que a Seção de Paz do Comitê Central Menonita explorasse mais a ideia.
  Frequentemente passavam-se desapercebidas histórias de ativistas pacifistas que estavam fazendo trabalho de acompanhamento em silêncio em áreas em conflito por décadas. Hedy Sawadsky - membro do comitê diretivo das CPT de 1986 a 2010 é um bom exemplo desse padrão.
  Similarmente, Gene Stoltzfus e Dorothy Friesen trabalharam ao lado de Filipinos, desafiando o regime de Marcos. Marilen Abesamius, uma Filipina que trabalhou com Gene e Dorothy, disse "... A caminhada de Gene conosco durante aqueles momentos difíceis nos ajudou imensamente mas também ajudou-o a transformar sua parte do mundo, e no seu testemunho criativo pela paz global - reverberando assim como a vibração de uma borboleta - através do mundo."
  Uma dessas reverberações foi a crianção do Synapses, fundada em 1981 por Gene e Dorothy, junto com Joan Gerig e Orlando Redekopp depois que voltaram do trabalho com o Comitê Central Menonita fora dos Estados Unidos. Synapses trabalhou para apoiar a luta pela paz e justiça nas Filipinas, América Central, e África do Sul. A co-diretora atual da CPT Carol Rose e a coordenadora de treinamento da CPT Kryss Chupp trabalharam com a Synapses no início dos anos 80.
  Em 1983, Kryss e Gene faziam parte da delegação para Honduras e Nicarágua e viram em primeira-mão a devastação dos ataques dos Contras financiados pelo governo dos Estados Unidos. Os Contras eram grupos armados lutando para derrubar o governo Sandinista na Nicarágua. A delegação também testemunhou as mentiras que apoiaram a guerra. "Nós falávamos sobre como trabalhar com um governo que mente constantemente", disse Steve Wiebe-Johnson, que esteve na viagem. "Como a igreja responde?"
   Mas entre as igrejas pacifistas históricas, o chamado baseado nos evangelhos a desafiar a opressão do governo dos Estados Unidos estava limitado a uma pequena minoria. Junto àqueles já nomeados acima, Bob Hull, Peter e Mary Sprunger-Froese [...], Al Zook, e Peter Ediger estavam ativamente desafiando o militarismo dos Estados Unidos de várias formas. Depois do discurso de Sider, esses ativistas, já compromissados em trabalhar por justiça e desafiando o império, se deram conta de que havia uma oportunidade de atrair um grupo maior. Essa visão de pacificação, eles concordavam, incluía táticas como ação direta não-violenta e advocacia política.
  Em 1986, Gene ajudou a reunir líderes de igrejas pacifistas históricas, bem como ativistas, para falar sobre como que este movimento poderia ser. Como Gene posteriormente descreveu este encontro nas Torres Techny em Chicago, "Deus concedeu um espírito de unidade ao encontro de cem pessoas e enviamos um chamado para a formação da CPT". Dorothy e Hedy, nomeadas como membros-gerais ativistas do primeiro comitê organizador, trabalharam muito nas reuniões de planejamento para manter a CPT direcionada para a ação e engajamento com o mundo ao invés "da produção de literatura de paz". Em 1988, Gene foi nomeado diretor da nova organização.

 [...]

Tradução de Gustavo K-fé Frederico

Sunday, July 03, 2011

Destinado a ser pobre

Trecho do livro "As Veias Abertas da América Latina", de Eduardo Galeano:

Dois dos ministros do governo que prestaram declarações ante a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a desnacionalização industrial do Brasil reconheceram que as medidas adotadas, sob o governo de Castelo Branco, para permitir o fluxo direto do crédito externo às empresas, deixaram em inferioridade de condições as fabricas de capital nacional. Ambos se referiam à célebre Instrução 289, de princípios de 1965: as empresas estrangeiras obtinham empréstimos fora das fronteiras a 7 ou 8%, com um tipo de câmbio especial que o governo garantia em caso de desvalorização do cruzeiro, enquanto as empresas nacionais deviam pagar cerca de 50% de juros para os créditos que arduamente conseguiam dentro de seu país. O inventor da medida, Roberto Campos, a explicou assim: “Obviamente, o mundo é desigual. Há quem nasce inteligente e há quem nasce burro. Há quem nasce atleta e há quem nasce aleijado. O mundo se compõe de pequenas e grandes empresas. Uns morrem cedo, no primor da vida; outros se arrastam, criminosamente, por uma longa existência inútil. Há uma desigualdade fundamental na natureza humana, na condição das coisas.A isto não escapa o mecanismo de crédito. Postular que as empresas nacionais devam ter o mesmo acesso que as empresas estrangeiras ao crédito externo é simplesmente desconhecer as realidades básicas da economia...” 32.De acordo com os termos deste breve porém vigoroso Manifesto capitalista, a lei da selva é o código que naturalmente rege a vida humana e a injustiça não existe, já que o que conhecemos por injustiça nada mais é do que a expressão cruel da harmonia do universo: os países pobres são pobres porque... são pobres; o destino está escrito nos astros e só nascemos para cumpri-lo: uns, condenados a obedecer; outros, destinados a mandar. Uns oferecendo o pescoço e os outros colocando a corda. O autor foi artífice da política do Fundo Monetário Internacional no Brasil.

Wednesday, June 15, 2011

As pouco conhecidas perseguição e violência dos Reformadores - parte 2

Em Julho de 1525, Balthasar Hubmaier, um pastor com ideias Anabatistas "moderadas", escreve uma carta ao conselho de Zurique pedindo uma discussão pública sobre batismo entre ele e Zuínglio, a quem nessa altura ainda chamava de "querido irmão".
  Vem o debate, então, onde Zuínglio defende o batismo de crianças, e Hubmaier se opõem.
  É interessante notar que Zuínglio em certa altura se vê oscilando entre ideias mais "radicais" da Reforma, aludindo a uma 'reforma progressiva', com mudanças moderadas na liturgia da missa, etc e a prática Católica. Sobre batismo Zuínglio confessou ter abraçado ele mesmo "o erro" de que crianças não deveriam ser batizadas "até que elas cheguem à idade da responsabilidade." Hubmaier afirmou durante os julgamentos:
  "Sim, você assim afirmou, escreveu e pregou abertamente do púlpito - várias centenas de pessoas ouviram isto de sua boca." E também: "No ano de 1523 na rua Zurichgraben eu pessoalmente confrontei-o com as Escrituras sobre o batismo. Você disse que eu estava certo, que crianças não deveriam ser batizadas até que tivessem sido instruídas na fé."
  No dia 14 de Dezembro, o arquiduque Fernando da Áustria pediu oficialmente a extradição de Hubmaier, que se encontrava preso em Zurique. Isto seria morte na certa; Fernando era Católico e atribuíra injustamente um levante na região de Waldshut a Hubmaier. Hubmaier então prepara uma retratação para o conselho de Zurique, negando sua posição sobre o batismo. Depois de ler a retratação para o conselho, Hubmaier é obrigado a lê-la nas principais igrejas de Zurique, começando em Fraumünster. No culto de manhã, após a pregação de Zuínglio, levado por guardas, Hubmaier foi chamado a ler sua retratação. Hubmaier rabiscou umas notas, contudo, antes de ir ao púlpito.
 "Ó, que angústia e dores de parto eu sofri esta noite a respeito das afirmações que fiz. Digo aqui e agora que eu não posso e não irei me retratar." A seguir, defendeu o batismo do crente como um ensino do Novo Testamento. Zuínglio interrompeu-o com raiva. Guardas vieram apreender o "criminoso" e o jogaram na prisão de Wellenberg. Foi torturado várias vezes. Durante as sessões de tortura, Zuínglio ordenava que Hubmaier chamasse os Anabatistas de anti-batistas. Durante 3 meses foi submetido a tortura e interrogatório na Wasserturm, ou torre d'água.

As pouco conhecidas perseguição e violência dos Reformadores - parte 1

O Conselho de Zurique organizou uma discussão pública sobre a questão do batismo de adultos ou de crianças para o dia 6 de Novembro de 1523. De um lado, Anabatistas incluindo Conrad Grebel, Mantz, Blaurock, e Michael Sattler, que foram anteriormente presos no castelo de Grüningen e posteriormente em Zurique. Do outro, Zuínglio e seus amigos. Quatro homens foram escolhidos para presidir a disputa, entre eles Dr. Sebastian Hofmeister e Vadian de St. Gall.
  Depois dos argumentos, as coisas pioraram para os Anabatistas (também chamados de os Irmãos). Claro, o conselho de Zurique deu vitória a Zuínglio. Grebel, Mantz e Blaurock voltaram para a prisão. A sentença saiu no dia 18 de Novembro: "por causa de seus anabatismos e suas condutas impróprias, devem permanecer na torre em uma dieta de pão e água" e ninguém poderia visitá-los. Durante o inverno, mais Anabatistas foram presos e levados à mesma prisão.
  Houve um novo julgamento nos dias 5 e 6 de Março de 1526, onde estes líderes Anabatistas foram condenados a prisão perpétua. E qualquer um que fosse visto re-batizando deveria ser morto por afogamento.
  Duas semanas depois de presos, os guardas esqueceram a janela da torre aberta e estes líderes Anabatistas fugiram da prisão.

(fonte: Anabaptist Portraits, por John A. Moore)

Thursday, June 02, 2011

Perfis dos primeiros Anabatistas: Hans Denck - 6

(Leia aqui a parte 5)

Hans Denck mudou de cidade para cidade fugindo de perseguições ou sendo simplesmente expulso. (Isto era  comum na época e aconteceu não só com Denck como com vários outros reformadores e Anabatistas) Cansado e doente, mesmo tendo ainda menos que 30 anos, Denck escreve em 1527 a Oecolampadius, líder reformado em Basel na Suíça, pedindo descanço e exílio. Oecolampadius aceita mas pede uma descrição formal por escrito de suas convicções religiosas e de como tinham mudado. Oecolampadius publicou os dois artigos de Denck dois anos depois.
  Denck começa sua declaração de fé assim: "Estou de todo o coração disposto a ver toda desgraça e vergonha, merecidas ou imerecidas, cairem sobre mim, sob a única condição de que Deus seja assim honrado, pois ele é digno de toda honra e amor. Contudo, desde que comecei a amá-lo, caí no desfavor de muitas pessoas... Enquanto eu crescia no zelo pelo Senhor, as pessoas cresciam no seu zelo opondo-me... Fui caluniado e acusado tão fortemente por alguns ... que é difícil, mesmo para um homem tenro e humilde de coração, se conter."
  Um comentário do livro do profeta Miquéias datado de 1532 foi atribuído a Denck. "Uma pessoa nunca deve fazer uma outra sofrer por causa da sua fé." Na conclusão lemos: "Mesmo em coisas externas ... como o profeta diz ... entre todos os povos cada um deve poder andar no nome do seu deus ... Ninguém deve privar o outro de sua liberdade - seja bárbaro, Judeu, ou Cristão ... Dessa forma, que nós desfrutemos dos dons de Deus em paz."
  Hans Denck faleceu aos 27 anos de idade em Novembro de 1527 da peste bubônica.

Perfis dos primeiros Anabatistas: Hans Denck - 5

(Leia aqui a parte 4)



Hans Denck ficou aborrecido com o mau uso da Bíblia na sua época. Assim, publicou um livreto. O título é bem grande: "Aquele Que Verdadeiramente Ama a Verdade ... O Temor de Deus é o Princípio da Sabedoria"
  "Até os vários membros de um só partido político discordam às vezes" ele observa "e isso não aconteceria se a pessoa prestasse atenção no único professor, o Espírito Santo. Para seu ensino o Espírito Santo dá testemunho claro... mas para aqueles que não têm isto selado pelo próprio Espírito de Deus, parece ser contraditório em várias partes...
 "Duas passagens das Escrituras opostas devem ser ambas verdadeiras. Uma estará contida na outra assim como o menor está no maior, como o tempo na eternidade, como a finitude na infinitude. Aquele que desiste das passagens opostas das Escrituras e não consegue achar sua unidade carece do chão da verdade. "
 O sétimo paradoxo contrasta "Eu não vim julgar o mundo mas salvá-lo" (João 12) com "Eu vim julgar o mundo" (Romanos 9). O oitavo, "Se eu dou testemunho de mim mesmo, meu testemunho não é verdadeiro" (João 5) com "Se eu dou testemunho de mim mesmo, meu testemunho é verdadeiro" (João 8). O décimo primeiro, "Pois quem pode resistir a sua vontade?" (Romanos 9) com "Vocês sempre resistiram ao Espírito Santo" (Atos 7). O décimo segundo, "Todo aquele que pede recebe" (Mateus 7) com "Vocês pedem e não recebem" (Tiago 4).
  O décimo quarto paradoxo contrasta "Pregai o evangelho a toda a criatura" (Marcos 16) com "Não joguem pérolas aos porcos" (Mateus 7). O décimo sexto, "Eu não ficarei com raiva para sempre" (Jeremias 3) com "Estes irão para a punição eterna" (Mateus 25). O próximo, "Deus quer que todos sejam salvos" (1 Timóteo 2) com "Poucos são escolhidos" (Mateus 20). E o próximo, "Deus não tenta ninguém" (Tiago 1) com "Deus tentou Abraão" (Gênesis 22). O décimo segundo, "Ninguém viu Deus" (João 1) com "Eu vi o Senhor face a face" (Gênesis 32). O vigésimo quinto, "Não julgueis para que não sejais julgados" (Mateus 7) com "julgai segundo a reta justiça" (João 7). O último, "Deus diz, 'Eu endurecerei o coração do Faraó'" (Êxodo 4) com "Faraó endureceu seu coração" (Êxodo 8 e 9).


E cito novamente outro escrito seu: "Há certos irmãos que pensam que eles entenderam tudo do evangelho, e seja quem for que não disser um 'sim' completamente inclusivo para o que eles dizem é rotulado de o pior dos hereges."

Perfis dos primeiros Anabatistas: Hans Denck - 4

(Leia aqui a parte 3)



Uma das grandes qualidades de Hans Denck era a sua capacidade de fazer amigos. Ele era um conciliador por excelência. Conseguia conviver com pessoas de diferentes opiniões, mesmo que muito contrárias às suas. De fato, Hans Denck veio a escrever quase no final de sua breve vida sobre o amor.
  Assim, Denck parece ter uma hermenêutica muito mais humana, apesar do "estágio histórico" de sua época. Um pequeno exemplo: Hans escreveu
 "Todos os mandamentos, costumes e leis, como foram escritas no Antigo Testamento e no novo, são anulados para um verdadeiro aluno de Cristo (1 Timóteo 1), isto é, ele tem uma Palavra escrita no seu coração, que ele ama a Deus somente ... Ele não despreza o testamento das Escrituras; ao invés ele busca nela com toda a diligência ... Ele retém julgamento daquilo que ele não entende e espera revelação de Deus... "

Perfis dos primeiros Anabatistas: Hans Denck - 3

(Leia aqui a parte 2)


Por volta de 1525 Hans Denck vai para a cidade de Augsburg, que estava dividida entre Protestantes (várias faccções - principalmente Lutero e Zuínglio ) e Católicos. Denck gastou bastante tempo escrevendo durante os 13 meses que ficou ali. Um dos livretos se chamava "A Afirmação de que as Escrituras Dizem que Deus Pratica e Produz o Bem e o Mal".
  Hans Denck começa pedindo desculpas por publicar o livro e por falar de Deus de forma tão dogmática:
"Há certos irmãos que pensam que eles entenderam tudo do evangelho, e seja quem for que não disser um 'sim' completamente inclusivo para o que eles dizem é rotulado de o pior dos hereges."

Perfis dos primeiros Anabatistas: Hans Denck - 2

(Leia aqui a parte 1)


O conselho da cidade de Nürnberg começou a brigar com Hans Denck. Assim, chamaram-no para descrever as suas crenças. Depois mandaram-no para os pastores Luteranos, sob o comando de Osiander, para exame. Eis o que eles disseram depois do debate:
"Hans Denck, diretor da escola São Sebaldus, mostrou-se tão hábil que nós chegamos à conclusão que é inútil discutir com ele oralmente... Ele não dá respostas diretas.. [e] tenta elaborar e colorir os pensamentos e ideias da sua mente (As Escrituras nunca falam tão claramente como ele), de forma que qualquer um pode perceber que um outro espírito que não o Espírito de Cristo controla-o." "Ele vem com astúcia e descarta as Escrituras como se fossem inúteis só porque nem todos entendem", reclamam os pastores de Nürnberg, "contudo elas são bastante claras." "Denck disse ... que tem algo nele que resiste a sua maldade ... Até o fim ele insiste que é Cristo. Mas ao mesmo tempo ele nega que ele tenha qualquer fé ... Se ele insiste em chamar a sua fé de não-fé até que seja completamente perfeita (o que nunca acontece nesta vida), ele age de forma contrária a Cristo e toda a Escritura."

Tuesday, April 19, 2011

Direitos Humanos - comentários aleatórios - parte 6

Este post comenta parte da aula 10 sobre Direitos Humanos da Universidade da Califórnia em Berkley. O curso inteiro está disponível na Internet. Link aqui. As aulas foram dadas pelo professor Thomas W. Laqueur, contando com a participações eventuais de outros professores.


É muito interessante ver alguns detalhes que aconteceram depois da II Guerra Mundial na Alemanha. O professor Laqueur fala sobre verdade e memória. A Alemanha deliberadamente tentou documentar fatos históricos do holocausto. Por exemplo, dados de trânsito de trens que levavam judeus e outros grupos para campos de concentração com hora, data, número de pessoas, origem, destino, etc foram expostos publicamente. Depois da guerra criaram programas para lembrar do holocausto: monumentos, etc. Os próprios julgamentos de Nuremberg, de acordo com o que diz Laqueur, foram muito reveladores. Laqueur também diz que há prédios inteiros nos Estados Unidos (ele cita Washington) com documentos históricos da Alemanha nazista. Parece que foram confiscados pela Aliança ou algo assim. 
No caso do genocídio armênio, há grande dificuldade de acesso aos documentos, pois o governo turco até hoje os mantém em segredo.
Não posso deixar de pensar no processo de verdade, reconciliação e justiça relativo aos abusos de direitos humanos durante o período de ditadura militar no Brasil. É triste ver como não se passou a limpo o que aconteceu. A Lei da Anistia parece mais um apelo à amnésia pública do que um tratamento digno da História.

Direitos Humanos - comentários aleatórios - parte 5

Este post comenta as aulas 9 e 10 sobre Direitos Humanos da Universidade da Califórnia em Berkley. O curso inteiro está disponível na Internet. Link aqui. As aulas foram dadas pelo professor Thomas W. Laqueur, contando com a participações eventuais de outros professores.


A aula 9 fala sobre o genocídio armênio (ou ainda, os massacres armênios, ou o holocausto armênio). Aprendi que os armênios não eram tolerados no império Otomano porque eram considerados "inassimiláveis". 
A professora convidada da aula 9 explica muito bem que o problema principal hoje em caracterizar os massacres armênios é um problema de linguagem. O termo "genocídio" é relativamente recente. A ONU tem uma definição, por exemplo, que inclui planejamento e execução sistemática. Mesmo que os massacres armênios hoje se encaixem nessas descrições, na época não havia esta linguagem. A última frase da professora convidada é uma citação de Hitler. Em 1939, Hitler disse: "Afinal quem fala hoje do extermínio dos armênios?"
A aula 10 fala sobre o holocausto dos judeus na Europa nazista. O mesmo pode-se dizer dos judeus na Alemanha nazista. A identidade judia era cosmopolita, internacional. Assim, os judeus iam contra uma identidade alemã "pura", nacional. O professor Laqueur ajuda a desfazer alguns "mitos", desacreditando alguns argumentos que ouvi durante minhas aulas do 2o grau sobre o assunto. Laqueur diz (com cuidado acadêmico, assumindo que este assunto é controverso) que o holocausto não foi o primeiro evento da História de horror inimaginável. Laqueur também diz que as pessoas que levaram adiante as tarefas nazistas eram como nós: pessoas comuns. Laqueur também afirma que o racismo nazista não foi algo único na História: em várias outras instâncias houve racismo. O que pode-se afirmar é que a Alemanha tinha um sistema educacional forte, e que assim seguiram o plano de extermínio com muita precisão e ordem. Isto é, muita burocracia. Laqueur também diz que não é correto pôr a culpa em um suposto anti-semitismo de Lutero. 
A pergunta do professor Laqueur é: o holocausto foi legal? E assustadoramente a resposta é sim. Legalmente, a Alemanha nazista suspendeu gradativamente antes da 2a guerra mundial uma série de direitos individuais e coletivos. E codificou em lei a noção de "identidade alemã pura" por nascimento (isto é, "alemão" é aquele cujos 4 avós são alemães) sendo outros grupos menos importantes. Algumas etnias serviam de mão-de-obra barata aos alemães. Estes podiam ser mortos, mas não podiam matar muitos. Outros eram concorrentes econômicos, como os judeus, e foram considerados simplesmente não-assimiláveis.
Os julgamentos de Nuremberg são citados. É interessante um exemplo citado pelo professor de um sujeito responsável pelo sistema ferroviário da Alemanha Nazista. Os trens na época eram usados para o transporte de judeus e outros grupos de cidades para campos de concentração e extermínio. Este sujeito via seu trabalho como algo burocrático. Queria encher trens de pessoas e enviá-las na hora certa para seus destinos. Nos julgamentos, contudo, o sujeito é acusado de colaborar com o plano nazista de extermínio. 
O professor Laqueur também cita o experimento de Milgram. Eu já tinha ouvido um documentário curto sobre o experimento. É impressionante (e assustador). É impressionante como pessoas "comuns" se dispõem a cometer atrocidades em determinadas circunstâncias.









Wednesday, March 30, 2011

A ética protestante e o espírito do capitalismo - comentários aleatórios - parte 1

Terminei de ler "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" de Max Weber, escrito por volta de 1905. Li como um brasileiro procurando no texto evidências para algumas perguntas:
- Como podemos medir a influência da Reforma Protestante no avanço do Capitalismo na Inglaterra no século XIX?
- Qual visibilidade teria Max Weber no início do século XX sobre o desenrolar posterior do Capitalismo considerando questões genéricas de pobreza e justiça?

Ao ler as páginas, coloquei-me por vezes no lugar de um Protestante Calvinista, por exemplo. Em resumo, o lema era o seguinte: trabalhe duro. Trabalhe porque ficar de papo-pro-ar é pecado. Trabalhe duro porque a experiência do divino contrasta com a experiência do mundo e o trabalho é um sinal de virtuosidade divinamente outorgado. Isto é, "trabalhar glorifica a Deus". Outro detalhe muito interessante é notar como o racionalismo (vindo do Iluminismo) muda toda a concepção de trabalho e propósito. Este racionalismo ordena a prática religiosa e o trabalho ao mesmo tempo. Há hora para trabalhar. E trabalhar em um sistema de produção em série. (Lembremos do filme "Tempos Modernos" com Charlin Chaplin. O homem é uma peça no sistema de produção. Ele é "coisificado".) Gozar a vida é visto como perda de tempo e, portanto, pecado. As pessoas assim são reduzidas à sua capacidade produtiva. O acúmulo de bens é um indicativo direto do status da religiosidade da pessoa. Isto é, quanto mais dinheiro e bens, mais "abençoado". Rapidamente comparo esse espírito com a Teologia da Prosperidade atual do neopentecostalismo sulamericano.