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Monday, September 27, 2010

Integral Missions and Ecumenism En Passant

    Yesterday Rev Wilson Costa was preaching at the Igreja Presbiteriana do Lago Norte in Brasília, Brazil. I and my family have been attending the church whenever possible for over a year now. Rev Wilson Costa is currently the Executive Secretary of the Fraternidade Teológica Latinoamericana seção Brasil (aka FTL-B). The pastor of Igreja Presbiteriana do Lago Norte is Rev Carlos Veiga. He is the President of FTL-B. I don't need to summarize here what is FTL-B. There is plenty of documentation available about it. I would just like to highlight here how intimately related is FTL-B with Integral Missions (Missão Integral in Portuguese and Misión Integral in Spanish). FTL-B is, indeed, the forum of Integral Missions in Latin America.
  Rev Wilson Costa preached yesterday about, well, Missions. It was a nice sermon. I liked it overall. (Despite the fact that it took about one hour. And despite another detail that I'll elaborate on below). He even read Matthew 25, for instance.
   In the middle of the sermon Rev Wilson Costa told us a "joke". It went like this: a very poor woman was in dire need. It then went on the radio to ask for help. A Pai-de-santo - the name given to male priests of Afro-Brazilian religions - then wanted to play a prank on her. He gathered lots of supplies to give away to the woman. And he asked those who would deliver it to make sure they mentioned that the supplies were given by the Pai-de-santo. And so it went. When the woman received it, she was very glad, but did not ask who gave it to her. The helpers then asked if she didn't want to know who gave it to her. She then replied: "no, I don't quite want to know. I know that if God wanted to give it to me, even the Devil would obey".
  To me the first problem with the story is the immediate association of the Pai-de-santo with the "Devil". The "Devil" or Satan for Brazilian evangelicals is the impersonation of everything evil. The association of the Afro-Brazilian religions with the "demonic" is close to xenophobia to me. Because it follows that the followers of these other religions are less-than-human. In more troubled times it may happen that basic human rights may be restricted to the followers of these other religions because of these views. Latin American history demonstrates that. This association is, therefore, disrespectful.
  The reckless narration may be better understood in the context of the carelessness of Brazilian evangelicals with ecumenism, even those engaged with Integral Missions. If there were one "group" from which you would expect more proximity with other religious it would be from folks in Integral Missions. Padilla, for instance, wrote that "if church's mission is the mission of the Kingdom of God, then it must be at the same time evangelical and ecumenical" ( "O que é Missão Integral?", René Padilla. Editora Ultimato, 2009, ISBN 978-85-7779-031-9. page 132, free translation by Gustavo) Still, incidents like these are unwarranted and go almost unnoticed.

Wednesday, March 17, 2010

Mundo, Missão, e Igreja - 6 - T.V. Philip

Fonte: http://www.religion-online.org/showchapter.asp?title=1573&C=1521

Leia também a parte anterior, a parte 5.

Bangkok 1972: Salvação Hoje

A conferência foi organizada pela Comissão Mundial de Missões e Evangelismo do Conselho Mundial de Igrejas e teve a presença de 340 participantes de 69 países. Falando sobre o tema principal, MM. Thomas ressaltou o fato de que a espiritualidade humana sustenta todo desejo humano por saúde e sexo, por desenvolvimento e justiça. Ele falou sobre o sentido de salvação hoje como espiritualidade humana compromissada com estruturas de sentido e sacralidade cabais - não em nenhum isolamento pietista ou individualista, mas relacionado e expresso dentro da revolução material, social e cultural do nosso tempo. A espiritualidade humana pode ser ou verdadeira ou falsa - ou relacionada com os sentido e cumprimento cabais da vida revelada em Cristo ou simplesmente criada por pessoas nos seus auto-centrismos e rejeição de Deus, e portanto idólatra. Todos impulsos seculares para vida humana mais plena devem ser colocados e interpretados nas suas relações com o sentido e cumprimento cabais da vida humana revelados na humanidade divina do Cristo crucificado e ressurreto. A preocupação principal da missão cristã é com a salvação da espiritualidade humana, com a escolha correta do ser humano de estruturas de sentido e sacralidade cabais.

A conferência de Bangkok afirmou duas características importantes de salvação. Em primeiro lugar ela afirmou a natureza abrangente da salvação. Em segundo lugar, ela afirmou que quando salvação é expressa em termos concretos, em relação com realidades expressas diariamente, ela apresenta uma variedade de faces. Sobre estas duas características, Emília Castro, um teólogo latino-americano que tornou-se o Diretor da Divisão Mundial de Missão e Evangelismo (DWME) depois da reunião de Bangkok e depois Secretário Geral do Conselho Mundial de Igrejas, escreveu:
  Nós vimos que a preocupação pelo crescimento da Igreja está relacionada com a preocupação com justiça social e autenticidade cultural; que a participação cristã em lutas por justiça social, especialmente em ações favorecendo os fracos do mundo não é um desvio da preocupação principal da fé cristã mas precisamente a manifestação relevante dela no mundo de hoje. Nós descobrimos que em situações como o Vietnã, a prioridade para a salvação era paz e que a única forma para cristãos agirem com credibilidade era lutar por paz. Em outras situações nós descobrimos que salvação estava presente na busca por independência, ou por reconciliação. Em nenhum caso esta ou aquela prioridade particular esgotou as possibilidades ou o conteúdo da mensagem cristã de salvação, mas sem esta prioridade o Evangelho seria destruído.
Na sua afirmação sobre salvação hoje, a conferência afirmou:

Com gratidão e alegria nós afirmamos novamente nossa confiança no sofrimento de nosso Senhor crucificado e ressurreto ... Ao indivíduo ele vem com poder para libertá-lo de todo mal e pecado, de todo poder na terra e no céu, de toda ameaça de vida ou morte. Ao mundo ele vem como o Senhor do universo, com profunda compaixão pelo pobre e faminto, para libertar os fracos e os oprimidos. Aos poderosos e aos opressores ele vem com julgamento e piedade.
De acordo com a conferência, salvação expressa a preocupação e o amor de Deus por toda a humanidade. Portanto nada humano é estranho à comunidade cristã e à tarefa da missão cristã. Dentro desta noção abrangente de salvação, a conferência viu o trabalho salvífico de Cristo em quatro dimensões sociais. A salvação trabalha na luta por justiça econômica contra a exploração de pessoas por pessoas; na luta pela dignidade humana contra a opressão política de seres humanos; na luta por solidariedade contra a alienação de pessoas por pessoas; e na luta da esperança contra o desespero na vida pessoal. No processo de salvação nós devemos relacionar as quatro dimensões umas com as outras. Não existe justiça econômica sem liberdade política, não [existe] liberdade política sem justiça econômica. Não há justiça, não [há] dignidade humana, não [há] solidariedade sem esperança, não [há] esperança sem justiça, dignidade e solidariedade. Mas há prioridades históricas segundo as quais a salvação é antecipada em uma dimensão primeiro, seja no pessoal, no político ou no econômico. O ponto de entrada pode ser diferente de situação para situação. Mas nós precisamos nos dar conta de que tais antecipações não são o todo da salvação, e precisamos relembrar as outras dimensões. Esquecer disso negará a integralidade da salvação.

O tema principal foi dividido em três seções para discussões na conferência: Salvação e Justiça Social; Salvação e Identidade Cultural; e Renovação das Igrejas em Relação à Salvação.

A seção sobre Salvação e Justiça Social ressaltou que assim como o mal trabalha tanto na vida pessoal como em estruturas sociais exploratórias as quais humilham a humanidade, assim também a justiça de Deus se manifesta em ambas justificação do pecador e justiça política e social. As lutas por justiça econômica, liberdade política e renovação cultural são elementos na libertação total do mundo pela missão de Cristo. Depois de ressaltar que o problema da identidade pessoal está intimamente relacionado ao problema da identidade cultural, a seção sobre Identidade Cultural disse: "A cultura molda a voz humana que responde à voz de Cristo". Muitos cristãos que receberam o Evangelho por agentes ocidentais fazem a pergunta: fui realmente eu quem respondeu a Cristo? Não foi alguém outro em vez de mim? O problema é este: como podemos nós mesmos sermos completamente responsáveis ao recebermos a salvação de Cristo [?]. Como podemos nós responsavelmente responder à voz de Cristo ao invés de copiarmos modelos estrangeiros de conversão - impostos, não verdadeiramente aceitos? Nós nos recusamos a sermos mera matéria-bruta para ser usada por outras pessoas para alcançarem sua própria salvação. A universalidade da mensagem cristã não contradiz a sua particularidade. Cristo tem que ser respondido em situações particulares. Muitas pessoas tentam dar validade universal às suas próprias respostas ao invés de admitir que a diversidade de respostas a Cristo é essencial porque elas estão relacionadas às situações particulares e são, portanto, relevantes e complementares.

A terceira seção sobre Renovação na Missão põem grande ênfase na missão local da igreja local. Também levantou [o assunto do] relacionamento entre missões ocidentais e as igrejas no terceiro mundo. Neste contexto, Bangkok levantou a questão de um moratorium na missão e disse que tal moratorium permitiria que igrejas recipientes achassem sua própria identidade, que fizessem suas próprias prioridades e descobrissem dentro de suas próprias associações os recursos para levar adiante suas próprias missões autênticas.

Sem a salvação de igrejas dos seus cativeiros de interesses de classes dominantes, raças, e nações, não pode haver igreja salvífica. Sem a libertação de igrejas e cristãos de suas cumplicidades com injustiça e violência estruturais, não pode haver igreja libertária para a humanidade. Todas igrejas, todos cristãos se deparam com a questão [sobre] se eles servem Cristo e sua obra salvífica somente ou ao mesmo tempo os poderes da desumanidade. "Nenhum homem pode servir a dois senhores, Deus e Mamom" (Mateus 6.24). Nós devemos confessar nosso abuso do nome de Cristo com a acomodação  pelas Igrejas dos poderes opressores, pela nossa própria apatia egoísta, falta de amor e medo. Estamos procurando a verdadeira comunidade de Cristo a qual trabalha e sofre por seu reino. Nós procuramos a igreja carismática a qual ativa energia para a salvação (1 Coríntios 12). Nós procuramos a igreja a qual inicia ações pela libertação e apoio do trabalho de outros grupos libertários sem calcular interesses próprios. Nós procuramos a igreja a qual é o catalisador do trabalho salvífico de Deus no mundo, uma igreja a qual não é o mero refúgio dos salvos mas uma comunidade servindo ao mundo no amor de Cristo.
A declaração de Bangkok de que nós procuramos uma igreja a qual não é um mero refúgio dos salvos mas uma igreja que é a catalisadora da obra salvífica de Deus no mundo resume, de certa forma, o pensamento ecumênico sobre igreja e missão durante as duas décadas depois da assembléia de Nova Déli do Conselho Mundial de Igrejas. Para tal desenvolvimento, as conferências de Genebra, Uppsala e Bangkok deram contribuições significativas. Doravante, a perspectiva ecumênica não está meramente confinada a relações inter-eclesiásticas e atitudes - cujo objetivo seria de superar divisões entre cristãos. Ela conclama para uma compreensão mais ampla da igreja do que é geralmente tida no contexto de sua missão no mundo contemporâneo. Ela conclama ao diálogo com outras religiões e tradições espirituais, e incorpora a perspectiva do pobre, da mulher e do oprimido em si mesma. Um novo entendimento da igreja católica e da universalidade do Evangelho surgiu das discussões durante este período. Tanto catolicidade e universalidade não são qualidades estáticas que podem ser expressas em estruturas institucionais de teologia. São qualidades dinâmicas que podem ser expressas ou manifestadas somente na missão da igreja ao viver em constante diálogo com o mundo.

Tuesday, March 16, 2010

Mundo, Missão, e Igreja - 5 - T.V. Philip

Fonte: http://www.religion-online.org/showchapter.asp?title=1573&C=1521

Leia também a parte anterior, a parte 4.


Conferência de Genebra de 1966

No seu discurso de abertura da Conferência Mundial sobre Igreja e Sociedade, Visser't Hooft, Secretário Geral do Conselho Mundial de Igrejas, disse "Nós não falamos porque nós queremos ter voto nos negócios do mundo, mas porque nós não podemos viver com Deus, com companheiros, conosco se nós nos mantivermos silenciosos'. O tema principal da conferência era 'Cristãos nas Revoluções Técnicas e Sociais do Nosso Tempo', e seu propósito era olhar para os problemas do mundo moderno das revoluções tecnológicas em como elas afetavam a economia, a política e a vida cultura dos povos, comunidades e Estados, e considerar o desafio e a relevância da teologia para as revoluções sociais do nosso tempo.
 [...] Bola Ige da Nigéria, depois de dizer que há pessoas que querem que mudanças permaneçam dentro de limites constitucionais, disse "Nós não precisamos do passado; nós temos que jogá-lo fora - incluindo, se necessário, aqueles que detiveram poder político no passado". Ele argumentou por mudança revolucionária global a qual iria visitar todas constituições sufocantes existentes, sistemas e poderes que os mantém funcionando. A conferência foi crítica da atitude negativa das igrejas diante de mudanças revolucionárias e chamou as igrejas a desenvolverem um ethos de humanismo revolucionário. Foi dito que a tarefa da igreja não era de implementar ordens, sistemas ou sociedades cristãs, mas humanizar as ordens seculares. Na mensagem às igrejas lê-se:
   Como Cristãos estamos comprometidos em trabalharmos para a transformação da sociedade. No passado, nós comumente fizemos isto através de esforços silenciosos de renovação social, trabalhando dentro e através de instituições estabelecidas de acordo com suas regras. Hoje, um número significativo daqueles que são dedicados ao serviço de Cristo e a seus próximos assumem uma posição mais radical ou revolucionária. Eles não negam o valor da ordem tradicional ou social, mas eles estão procurando uma nova estratégia pela qual possam trazer mudanças básicas na sociedade sem muita demora. Em várias partes do mundo hoje, a Igreja representa uma minoria relativamente pequena, participando na luta pelo futuro do homem lado a lado outros movimentos religiosos ou seculares. Ainda mais, ela pode esperar contribuir para a transformação do mundo somente na medida em que ela própria for transformada em contato com o mundo.

A conferência de Genebra influenciou o pensamento da Assembléia de Uppsala do Conselho Mundial de Igrejas. De acordo com a conferência de Genebra, o testemunho cristão em um mundo revolucionário significa ação efetiva e vigorosa pela transformação do mundo. Missão como humanização foi a mensagem dominante em Uppsala.

Monday, January 04, 2010

Mundo, Missão, e Igreja - 2 - T.V. Philip

(continuando)

Fonte: http://www.religion-online.org/showchapter.asp?title=1573&C=1521

Leia também a parte anterior, a parte 1.


Refletindo no sentido dos eventos revolucionários que estavam acontecendo na Ásia após a 2ª Guerra Mundial, [M. M.] Thomas e seus colegas na Ásia trouxeram para o pensamento ecumênico suas convicções de que Deus, de alguma forma, está trabalhando nos eventos seculares de nosso tempo além das fronteiras da igreja. No seu pronunciamento à Assembléia de Nova Déli do World Council of Churches em 1961, Thomas falou de Cristo presente no mundo de hoje engajado em um diálogo contínuo com os povos e as nações. “É uma idéia insensata e louca”, disse ele, “pensar que Cristo trabalha apenas através da Igreja ou pessoas Cristãs. De fato a Igreja e o mundo têm o mesmo centro, Jesus Cristo, [e] é, portanto, impossível confinar o trabalho de Cristo na igreja ou através da Igreja.”