Este post comenta a aula 8 sobre Direitos Humanos da Universidade da Califórnia em Berkley. O curso inteiro está disponível na Internet. Link aqui. As aulas foram dadas pelo professor Thomas W. Laqueur, contando com a participações eventuais de outros professores.
Nesta aula, Namwali Serpell, professora de Literatura Inglesa, é convidada especial.
Professor Laqueur começa falando sobre o Congo.
Acontece um grande congresso em Berlim em 1885, convicado por Otto Eduard Leopold von Bismarck para definir a partilha da África. (Além do fato assustador de se partilhar um território entre indivíduos, é preciso notar que nenhum africano estava presente na reunião). O Rei Leopoldo da Bélgica, que nem estava presente na reunião, consegue o Congo inteiro como sua propriedade particular! Sim, um território maior que a Europa toda. Dizia o Rei Leopoldo que queria cristianizar esta parte da África. Mas ao invés de levar cristianismo ao Congo, ele decide explorar toda a borracha do Congo. A borracha nessa época estava em alta demanda. E o rei Leopoldo explorou a borracha no Congo com grande brutalidade.
Edmund Dene Morel era um jornalista inglês, filho de Quakers. Morel foi ao Congo e documentou a escravidão e abusos de direitos humanos. Morel era responsávelo pela alfândega do Congo. Ele notou que produtos só saíam do Congo e nada entrava. De acordo com Laqueur, Morel faz parte do mesmo grupo de pessoas que participaram em reformas de prisões, de fábricas, contra o trabalho infantil, etc. Ele era mais radical que a maioria dos outros 'religiosos'. Ele entendeu que este caso (Congo) não era só um mal, mas uma instância de um sistema mau. Ele gastou a sua vida mobilizando pessoas.
George Washington Williams era um pastor Batista americano, militar e historiador. Ele primeiramente acha que o Rei Leopoldo da Bélgica é muito bom e deseja reunir um grupo de missionários para enviar ao Congo. Ele então visita o rei Leopoldo para falar de seu desejo. Ele vai ao Congo antes para conhecer o lugar. Rei Leopoldo de forma hipócrita diz que o que faz lá é um compromisso cristão com os pobres africanos. No Congo, Williams vê os horrores do tratamento dos congoleses. Desiludido, Williams escreve então um livro. Dá-se conta de que Leopoldo é um tirano, que estavam criando acampamentos militares com europeus e africanos mercenários. Que estavam lá basicamente para explorar o lugar. Williams faz relatos de grandes agressões contra a vida dos congoleses. Descreve, por exemplo, como europeus atiravam em congoleses aleatoreamente, sem motivo. Williams não manda seus missionários e morre logo após.
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Thursday, April 14, 2011
Thursday, February 26, 2009
Thursday, January 22, 2009
Atrocidades do Exército de Resistência do Senhor (LRA)
Ouvi hoje os relatos das atrocidades cometidas pelo Exército de Resistência do Senhor (LRA) no Congo e fiquei chocado.
Da Rádio CBC, programa "As It Happens", 21/1/2009:
"LRA: Atrocidades
Onde havia esperança, agora há terror.
Por mais de dois anos, o grupo do Exército de Resistência do Senhor esteve envolvido em negociações de paz com o governo de Uganda. Os dois lados estavam tentando acabar com mais de duas décadas de lutas no Norte de Uganda. Mas no final do ano passado, as negociações de paz estancaram. E agora, os rebeldes voltaram com seus métodos brutais.
Nas últimas semanas, o LRA saqueou, linchou até a morte e queimou vivas pelo menos 620 habitantes na República Democrática do Congo, onde os rebeldes estão instalados agora. Eles também sequestraram mais de 160 crianças. E os ataques continuam -- o mais recente relato veio semana passada, quando os rebeldes queimaram uma igreja cheia de fiéis.
Um time do Human Rights Watch gastou as duas últimas semanas investigando os ataques do LRA. Anneke Van Woudenberg foi uma pesquisadora sênior nesta equipe. Ela está em Kampala, Uganda.
Um aviso àqueles que tenham perto ouvintes pequenos, a entrevista que segue contem conteúdo chocante.
"
>O que você testemunhou?
Woudenberg> Passamos duas semanas lá. Esses são alguns das piores massacres e abusos que testemunhamos. Eu documentei por 10 anos guerras no Zaire. O que o LRA fez foi atacar simultaneamente pelo menos 3 locais no dia de Natal, deliberadamente visando a pessoas enquanto se encontravam e ceavam o Natal, ou indo a igrejas. Esperaram elas se encontrarem e mataram-nas.
Por exemplo, na cidade de Batande, o LRA separarou os homens das mulheres enquanto ceavam o Natal. Imediatamente mataram os homens e meninos batendo na cabeça deles com machados e porretes grandes, esmagando seus crânios, matando um por um. Depois pegaram as mulheres e meninas. Separaram em pequenos grupos. Primeiro estupraram-nas depois mataram-nas esmagando seus crânios. Isso aconteceu vila após vila, homens, mulheres, crianças, bebês.
> O massacre no dia de Natal - é verdade que cearam logo depois de matar as pessoas?
Woudenberg > Nesse lugar especificamente, foi isso que fizeram. Enquanto os corpos se espalhavam no lugar onde foram brutalmente mortos, eles comeram a ceia que as pessoas haviam preparado para o Natal, e depois dormiram no mesmo lugar entre os corpos mortos antes de continuar no dia seguinte para a vila seguinte onde fizeram as mesmas coisas horríveis.
Em vários lugares - nós documentamos isso - eles fingiram haver festa e cantoria para que mais pessoas viessem e que pudessem matar o maior número de pessoas.
E nós também notamos que eles não quiseram usar balas para matar as vítimas. Eles usaram machados ou porretes grandes para esmagar seus crânios. E às crianças pequenas tentaram matar torcendo suas cabeças.
Eu mesma me encontrei com duas meninas que ainda estão no hospital na cidade de Jeruma (?). Têm apenas 3 anos cada. O LRA tentou matá-las torcendo suas cabeças. As duas meninas ainda estavam vivas e agora têm feridas críticas no pescoço num hospital bem pequeno de Jeruma (?) que nem tem médico - só tem enfermeiras que estão tentando fazer o melhor para as meninas.
[...]
> Eu soube que além das matanças o LRA continua sequestrando crianças.
Woudenberg> Um dos lugares que atacaram no dia de Natal foi em Feragi (?). Eles esperaram até que houvesse um concerto de Natal na praça central, onde, claro, várias crianças tinham ido. Nesse lugar em particular eles sequestraram 160 crianças enquanto celebravam no dia de Natal. De novo, o LRA foi extremamente brutal e eficiente. Eles sequestraram as crianças e começaram a amarrá-las juntas. E então eles viram que entre as crianças haviam um grande número de menores de 9 anos de idade. Eram crianças que não eram tão fortes, que não eram na verdade o grupo alvo de crianças que queriam sequestrar. Em vez de deixar ir essas crianças, eles mataram-nas brutalmente. Incluía crianças de 6 e 7 anos. Sim, eles continuam a sequestrar as crianças, mas eles também estão deliberadamente matando as crianças quando não têm utilidade ao LRA.
"
Transcrição e tradução: Gustavo K-fé Frederico
Da Rádio CBC, programa "As It Happens", 21/1/2009:
"LRA: Atrocidades
Onde havia esperança, agora há terror.
Por mais de dois anos, o grupo do Exército de Resistência do Senhor esteve envolvido em negociações de paz com o governo de Uganda. Os dois lados estavam tentando acabar com mais de duas décadas de lutas no Norte de Uganda. Mas no final do ano passado, as negociações de paz estancaram. E agora, os rebeldes voltaram com seus métodos brutais.
Nas últimas semanas, o LRA saqueou, linchou até a morte e queimou vivas pelo menos 620 habitantes na República Democrática do Congo, onde os rebeldes estão instalados agora. Eles também sequestraram mais de 160 crianças. E os ataques continuam -- o mais recente relato veio semana passada, quando os rebeldes queimaram uma igreja cheia de fiéis.
Um time do Human Rights Watch gastou as duas últimas semanas investigando os ataques do LRA. Anneke Van Woudenberg foi uma pesquisadora sênior nesta equipe. Ela está em Kampala, Uganda.
Um aviso àqueles que tenham perto ouvintes pequenos, a entrevista que segue contem conteúdo chocante.
"
>O que você testemunhou?
Woudenberg> Passamos duas semanas lá. Esses são alguns das piores massacres e abusos que testemunhamos. Eu documentei por 10 anos guerras no Zaire. O que o LRA fez foi atacar simultaneamente pelo menos 3 locais no dia de Natal, deliberadamente visando a pessoas enquanto se encontravam e ceavam o Natal, ou indo a igrejas. Esperaram elas se encontrarem e mataram-nas.
Por exemplo, na cidade de Batande, o LRA separarou os homens das mulheres enquanto ceavam o Natal. Imediatamente mataram os homens e meninos batendo na cabeça deles com machados e porretes grandes, esmagando seus crânios, matando um por um. Depois pegaram as mulheres e meninas. Separaram em pequenos grupos. Primeiro estupraram-nas depois mataram-nas esmagando seus crânios. Isso aconteceu vila após vila, homens, mulheres, crianças, bebês.
> O massacre no dia de Natal - é verdade que cearam logo depois de matar as pessoas?
Woudenberg > Nesse lugar especificamente, foi isso que fizeram. Enquanto os corpos se espalhavam no lugar onde foram brutalmente mortos, eles comeram a ceia que as pessoas haviam preparado para o Natal, e depois dormiram no mesmo lugar entre os corpos mortos antes de continuar no dia seguinte para a vila seguinte onde fizeram as mesmas coisas horríveis.
Em vários lugares - nós documentamos isso - eles fingiram haver festa e cantoria para que mais pessoas viessem e que pudessem matar o maior número de pessoas.
E nós também notamos que eles não quiseram usar balas para matar as vítimas. Eles usaram machados ou porretes grandes para esmagar seus crânios. E às crianças pequenas tentaram matar torcendo suas cabeças.
Eu mesma me encontrei com duas meninas que ainda estão no hospital na cidade de Jeruma (?). Têm apenas 3 anos cada. O LRA tentou matá-las torcendo suas cabeças. As duas meninas ainda estavam vivas e agora têm feridas críticas no pescoço num hospital bem pequeno de Jeruma (?) que nem tem médico - só tem enfermeiras que estão tentando fazer o melhor para as meninas.
[...]
> Eu soube que além das matanças o LRA continua sequestrando crianças.
Woudenberg> Um dos lugares que atacaram no dia de Natal foi em Feragi (?). Eles esperaram até que houvesse um concerto de Natal na praça central, onde, claro, várias crianças tinham ido. Nesse lugar em particular eles sequestraram 160 crianças enquanto celebravam no dia de Natal. De novo, o LRA foi extremamente brutal e eficiente. Eles sequestraram as crianças e começaram a amarrá-las juntas. E então eles viram que entre as crianças haviam um grande número de menores de 9 anos de idade. Eram crianças que não eram tão fortes, que não eram na verdade o grupo alvo de crianças que queriam sequestrar. Em vez de deixar ir essas crianças, eles mataram-nas brutalmente. Incluía crianças de 6 e 7 anos. Sim, eles continuam a sequestrar as crianças, mas eles também estão deliberadamente matando as crianças quando não têm utilidade ao LRA.
"
Transcrição e tradução: Gustavo K-fé Frederico
Wednesday, October 22, 2008
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