Hoje teve aqui em Brasília um congresso chamado 'Visão 2010' que aconteceu na igreja presbiteriana do Planalto. Teve um painel com o tema do pluralismo religioso. O título era algo como 'Exclusivismo, Inclusivismo e Pluralismo religioso'. Na mesa: Caroline Soares, Rev. Rubem Amorese, Rev. José Sipaúba da Costa Júnior e Marcela Campos. Acho o tema muito importante.
Embora eu tenha uma opinião um tanto mais plural do que a mesa, gostei das colocações. Aqui eu elaboro um pouco mais um comentário meu.
Começo com Mateus 25, onde os discípulos não percebem quando viram Jesus (39). E Jesus diz que "quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, foi a mim que fizeram". Isto é, Jesus está disfarçado no faminto, sedento, no refugiado, no doente e na pessoa presa. Isto é, Jesus está disfarçado em todos os que sofrem.
Quando falamos sobre inclusão, exclusão e pluralidade, falamos de limites, de fronteiras (amigo Felipe Fanuel: Tillich tem algo a dizer aqui?). Quais são os critérios para defender "os de dentro" e "os de fora"?
Em Mateus 25 vejo um critério de pertencimento (isto é, Cristo na pessoa), mas não um critério de exclusão. Esse critério de pertencimento, neste caso, é o sofrimento.
Contudo, o critério nominal religioso acaba sendo mais prontamente assumido. Isto é, quando se fala 'há salvação fora de Cristo?' as pessoas muito rapidamente acabam pensando em fronteiras das religiões: cristianismo, Espiritismo, ateísmo, agnosticismo, catolicismo, etc. A situação interessante seria quando misturamos esses critérios. Por exemplo, poderia Jesus estar disfarçado de um Espírita preso? Ou disfarçado de um pajé faminto? Ou disfarçado de um pai-de-santo doente?
Ainda sobre esse Jesus escondido, lembro de duas outras passagens - dentre outras - nos evangelhos em que Jesus é confundido por outra pessoa. (Aliás, parando para pensar, existem várias passagens em que a identidade de Jesus é confundida). Buenas, Jesus é confundido com um jardineiro logo após a sua ressurreição. E Jesus continua escondido por várias horas sem ser percebido pelos dois discípulos no caminho de Emaús.