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Thursday, July 20, 2006

Emerging Churches: creating christian community in postmodern cultures


Trechos traduzidos do livro "Emerging Churches: creating christian community in postmodern cultures"


p 47"Eu leio os evangelhos vez após vez. Nada do que eu fazia no Domingo era o que eu pensava que Jesus faria se ele estivesse aqui" Joe Boyd, Apex, Las Vegas, EUA

p 66
Desintegrando a divisão entre o sacro e o profano
A sacralização, o processo de tornar a vida toda sagrada, representa a interação entre o Reino e a cultura. As igrejas emergentes rasgam as práticas de igreja que estimulam uma mentalidade secular, a saber, que existem espaços, horas ou atividades seculares. Para as igrejas emergentes, a vida toda deve se tornar sagrada. "Existe uma rejeição inerente na graça do dualismo", diz Jonny Baker (Grace, Londres). A sacralização nas igrejas emergentes tem a ver com uma coisa: a desconstrução da divisão entre o sacro e o secular da modernidade. O período moderno era caracterizado pelo nascimento da idéia de espaço secular, isto é, a idéia de uma dimensão sem Deus. Antes deste tempo, em toda cultura, todas as arenas da vida eram espirituais; era impossível rotular algumas práticas como "religiosas" e outras não. A espiritualidade como uma dimensão separada era desconhecida. Com o nascimento da modernidade no Ocidente, a paridade entre a religião e o resto da vida foi quebrada. Começando com William de Ockham e John Duns Scotus no século XIV, o período moderno criou um lugar secular e relegou as coisas espirituais à igreja. Depois de Descartes, o lugar espiritual cessou de ser a igreja e foi relegado ao coração. A marginalização da prática religiosa continuou até os anos 60 quando muitas das presuposições Ocidentais sobre realidade começaram a ser desconstruídas na cultura. Questões sobre a superioridade Ocidental e "progresso" começaram a ser levantadas. Um desejo por uma espiritualidade que abrangia toda a vida começou a ser ressuscitada. Chame do que quiser, a modernidade tinha a ver com o nascimento de espaços seculares. O pósmodernismo (ou o não-moderno) tem a ver com o sagrado da vida toda. Para igrejas emergentes, quer dizer entregar a vida toda para Deus em adoração, reconhecer o trabalho de Deus em coisas ou atividades não-espirituais anteriormente. Igrejas emergentes marcam esta mudança para uma espiritualidade de "vida toda". Uma conseqüência da criação de uma dimensão secular foi a propensão do modernismo de quebrar tudo em partes pequenas para classificação, organização e sistematização. Portanto, no período moderno, muitos dualismos foram introduzidos na vida da igreja que não eram problemáticos antes: o natural contra o supernatural; fatos púbicos contra valores privados; o corpo versus a mente e espírito; fé verso razão; poder verso amor; e a lista continua. Essas capitulações ao dualismo da modernidade afetou todos os níveis da igreja, incluindo culto, estudo bíblico, estruturas de poder e missões. A cultura pósmoderna questiona a legitimidade desses dualismos. De igual forma, as igrejas emergentes se opõem fortemente a cada uma dessas divisões modernas. O Método Holístico das Igrejas Emergentes As igrejas de novos paradigmas, com propósito, de caçadores, e da geração X não são pósmodernas neste sentido. Esses movimentos veneram os grandes encontros e o coração como domínios espirituais principais. Não desafiam os muitos dualismos da modernidade mas ao invés continuam com as divisões entre o natural e o supernatural, individual e comunitário, mente e corpo, público e privado, fé e ação, e elas deixam as estruturas de controle de poder como estão. Nesses movimentos, a religião e as práticas espirituais são atividades que uma pessoa pratica fora da cultura, e a espiritualidade fica ainda às margens. Pelo contrário, a proclamação da igreja emergente está no Salmo 24.1: "Do Senhor é a terra e a sua plenitude". Para igrejas emergentes, não existem mais lugares ruins, pessoas ruins ou tempos ruins. Tudo pode se tornar santo. Tudo pode ser entregue a Deus em adoração. Todos os dualismos modernos podem ser superados. As igrejas emergentes encarnam o desejo de remover espaços seculares. Para essas comunidades, não existem domínios não-espirituais de realidade. Esse levante em espiritualidade reflete a morte do secular à medida que a sociedade move para além do modernismo racionalista. "Espaço secular é como uma bolha sobre muitas águas. É uma lugar de onde Deus foi excluído. Eu não acredito em 'secular'. Não deve existir", diz Steve Collins da Grace (Londres). Ben Edson (Sanctus1, Manchester, Reino Unido) também rejeita a noção de divisão entre secular e sagrado. "Nós tentamos criar pontes que se estendem sobre a divisão entre o secular e o sagrado porque nós não fazemos esta distinção. Nós usamos música secular no culto bem como filme e literatura. Espero que sejam pontos de conexão entre o quotidiano das pessoas e suas fés." As igrejas emergentes reconhecem o sagrado de tudo na vida e procuram desmantelar tudo que é secular.

p. 73
Simon Hall do Revive (Leeds, Reino Unido) compartilha sua experiência sobre a superação dos aspectos modernos do culto carismático. "Eu acho que uma das maiores tensões dentro do Revive é tentar previnir a fuga carismática da realidade no culto. Eu lembro de trabalhar numa igreja urbana quando tinha meus 20 anos, tentando fazer as pessoas cantarem músicas sobre suas vidas, e a atitude deles era 'Nós vimos aque tentar fugir das nossas vidas!' Estou tentando mudar isso, porque a conseqüência é que a fé e a vida real se tornam completamente separadas". Verdadeiramente, a adoração que focaliza exclusivamente na celebração e transcendência podem terminar por ignorar as questões não-resolvidas e conflitos que as pessoas vivem e conduzí-las mais à negação. Mas ao mesmo tempo, reconhecer Deus apenas nas coisas criadas é ignorar a diferença de Deus e sua transcendência, aspectos do caráter de Deus vistos nas Escrituras. Igrejas emergentes recusam a escolha falsa do secular moderno, sem votar em liberais ou conservadores. Elas reconhecem o trabalho profundo de Deus na realidade material enquanto ao mesmo tempo aceitam a realidade invisível de Deus.

p. 78 Igrejas emergentes trazem o corpo de volta ao culto. Enquanto a Reforma removeu vários rituais do culto, o culto pósmoderno restora essas atividades. A Reforma focalizou na palavra falada, enquanto o culto pósmoderno escolhe a palavra experimentada. [...] Igrejas emergentes criam suas próprias músicas, como no Portal de Salomão em Mineápolis, onde eles também praticam as orações de yoga, massagem e física. Eles crêem que o que é bom para o corpo físico é bom para o corpo espiritual e vice-versa.

p. 81
Bandas de Rock e Músicas de Clubes Nas igrejas emergentes, especialmente no Reino Unido, há uma tendência que se afasta da forma de igreja do tipo banda de rock onde os músicos lideram o louvor do palco. Louvor rock'n'roll - cujos pioneiros foram a Vineyard e outros movimentos, convida os ouvintes a olhar para o palco para ter direção. A maior parte do foco está nas pessoas lá na frente, mesmo se os ouvintes são conduzidos a focalizar em Deus. Embora cânticos ainda sejam cantados em várias igrejas emergentes, eles não são sempre a forma principal como essas igrejas experimentam o louvor. Ao invés, a música serve como um apoio para outras atividades como oração, silêncio, e liturgia. No louvor da cultura de clube, a música envolve os adoradores, que talvez nem vejam o DJ. A pessoa não focaliza na plataforma em frente; de fato, talvez nem haja uma plataforma. Steve Collins (Grace, Londres) compara o estilo inerente do louvor da cultura de clube com um tipo de louvor neotestamentário, pós-templo, que enfatiza o tipo de louvor imanente sobre o qual Jesus falou à mulher no poço. Na música de clube, a pessoa se sente imersa na presença de Deus. As raízes da influência da cultura de clubes nas igrejas remonta ao Reino Unido nos anos 80. Collins conta sua história: "Eu era um freqüentador de clubes na metade dos anos 80 e vi o início da cultura rave em 1988. Senti Deus no dance floor, não na igreja, e no final do 'culto' me senti limpo". Seus amigos freqüentadores de clubes buscaram a presença de Deus e acharam-na no clube. Para Collins, uma questão tomou-o: "Por que a igreja não está ligada nessa subcultura?" Ian Mobsby (Moot, Londres) explica o nascimento do louvor alternativo: O louvor alternativo foi inicialmente uma reação contextual à cultura rave. Ele apresentou uma forma de ser igreja que nasceu da vibração comunitária dos clubes e raves. Isso, para mim, era principalmente uma "Garagem Gospel": de repente eu estava adorando a Deus em um lugar muito desigrejado. Foi uma mudança de paradigma, o qual vários outros experimentaram, penso eu. Então uma nova forma de ser e fazer igreja nascera no louvor alternativo. O alternativo era um movimento cultural no final dos anos 80 que foi muito liberador para alguns até que ele foi para as drogas. Então o louvor alternativo cresceu contextualmente assim.

p. 89
Em uma ocasião, depois de gastar horas com ela no Salão, o café da igreja, um visitante perguntou à Karen Ward (Igreja dos Apóstolos, Seattle):- "A que horas é o culto da sua igreja?"- "Você acabou de assistí-lo", respondeu Karen.

p. 93
As igrejas emergentes desafiam a prioridade do indivíduo assumida em igrejas dos caçadores, de novos paradigmas e até mesmo Protestantes tradicionais. Este desafio é visto mais claramente no culto pósmoderno, especialmente na club music encontrada principalmente no Reino Unido. Não é simplesmente um novo tipo de música. O evento experimentado no clube necessariamente envolve expressão comunitária e participação ativa de todos. Pelo contrário, nos cultos com soft rock ou hard rock, os indivíduos geralmente ignoram outros membros da igreja enquanto cada pessoa focaliza em Deus e os membros da banda. No louvor da cultura de clube, os participantes não ignoram seus amigos mas se tornam amigos viajantes numa experiência "muito próxima" de Deus. Eles experimentam Deus em associação com seus amigos e também passam pela experiência juntos. É um evento compartilhado que une as pessoas e torna-as mais próximas. A rede Mudança Cultural utiliza a cultura de clubes como sua forma principal de adoração, e também é usada no louvor alternativo e vários movimentos missionários independentes como o Tribe em Manchester (Reino Unido). À tempo, não estamos dizendo que a cultura de clube é a única forma de adorar na cultura pósmoderna. As maneiras são infinitas, e essas várias expressões são exploradas nos capítulos sobre participação, criatividade e espiritualidade.

4 comments:

Alexandre Seloti said...

Estou lendo esse livro no momento...
Ao ler este post, percebi o quanto podem ser polêmicas as declarações do livro quando lidas isoladamente por alguém que não esteja contextualizado com o assunto.

Mauro Meister said...

Prezado Gustavo,
Como não tenho certeza que vc lerá a resposta do meu post sobre a igreja emergente, lhe encontrei para colar a mesma aqui... assim, vc não perdeu o seu tempo escrevendo e nem eu respondendo...

"Prezado Gustavo,

Se vc observar, o livro de Gibbs e Bolger está na minha bibliografia e, de fato, creio que seja o mais completo e pesquisado, tendo uma visão muito simpática ao movimento. Desde o post publiquei um artigo acadêmico sobre o tema na revista Fides Reformata (http://www.mackenzie.com.br/teologia) onde faço uma análise mais extensa. Como eu disse no post, usei citações dos próprios emergentes... mas bem sei que, pela próprio filosofia, não há definições claras...

abs
Mauro
11/8/06 10:01"


Mauro

Sidney said...

Sobre o texto na página 66. Não li o livro e não conheço o contexto, mas dizer que a separação entre sagrado e profano é fruto do modernismo é simplista ao extremo. Assim como o dualismo, o profano é um conceito da antigüidade. Sei que vários autores defendem que o dualismo é uma invenção cartesiana, mas em um sentido diferente do exposto no texto. Porém, mesmo assim a idéia é controversa. Também não entendi o que significa modernismo na visão dos autores. É uma mistura de cartesianismo, iluminismo e vários outros -ismos...
Quanto aos outros textos, achei-os muito interessantes, mas é necessário analisar o contexto antes de opinar.

Anonymous said...

é impressionante ver como tudo o que a Bíblia diz está se cumprindo em nossos dias!Em 2Timóteo 4:3-4, lemos: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios... Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas”.