FB_init

Showing posts with label HVPJ. Show all posts
Showing posts with label HVPJ. Show all posts

Monday, September 24, 2012

Histórias Verídicas do Pajé Raoni - 12 - Histórias de Desconversão

  Fui à mostra de cinema latino junto com um amigo brasileiro. Assim como eu, ele também era líder da pequena igreja local. Falei pra ele dos meus últimos projetos de religião, sobre como eu estava tentando conhecer a história da ação cristã na América Latina. E sobre meus dilemas com o ser-igreja na América do Norte. Ao que ele me disse:
- Você ainda tem esperança de mudar alguma coisa na igreja? Você ainda acredita que adianta alguma coisa?
  A pergunta ressoa em mim. Estimo meu amigo. Um ser humano brilhante. Sei que ele fala não de 'cansaço', mas do que pode aproximar-se do que chamaria de um niilismo ácido. Ele mesmo chamou-se de "ateu funcional dentro da igreja". Sempre irônico, claro.
  Respondi:
- Não, não tenho esperança e não acredito que adianta alguma coisa.
Estou condenado a trilhar meu próprio caminho estendendo a mão a quem está perto e longe. Não posso esperar mais do que isso. Não posso esperar menos do que isso. Naquele dia eu me desconverti um pouco mais. Graças a Deus.


Sunday, February 26, 2012

Histórias Verídicas do Pajé Raoni - 11 - Moralidade

  Assim como todas as histórias prévias do Pajé Raoni, esta também é verdadeira.
  O anestesista perguntou ao paciente se ele era usuário de drogas injetáveis. Perguntou isso provavelmente porque já tinha desconfiado ou notado indícios do uso. O paciente disse:
- Eu não! Que é isso, doutor?!
- É o seguinte, rapaz: eu vou te dar uma injeção aqui. Se você for usuário de drogas ou não, a quantidade que eu tenho que pôr aqui tem que ser diferente. Se eu puser a quantidade errada aqui você pode ter uma complicação durante a cirurgia e pode morrer.
E o paciente disse que era usuário de drogas.
  Qual julgamento moral fazemos das pessoas? Às vezes algumas pessoas espiritualizam os "pecados" dos outros, julgando-os. Para mim, a moralidade está associada não a regras sociais do que é aceitável, mas ao "bem-estar" do indivíduo e das pessoas com as quais se relaciona. Nesse sentido, a "moralidade" é um conceito secular e des-espiritualizado.

Tuesday, May 17, 2011

Histórias Verídicas do Pajé Raoni - 10 - escolinha de striptease com mastro

Em um final de semana no início de 2011, estavam sentados na mesa três casais. A mulher mais jovem, filha do anfitrião, relatou-nos esta história. Disse ela que tinha uma amiga tão religiosa e conservadora que "nem se mudou para a casa do seu namorado". Essa amiga ficou noiva. E estava muito preocupada e ansiosa em agradar na noite de núpcias. Disse ela à nossa amiga: "não sei se vou agradar o meu noivo. Mas eu estou fazendo um curso de striptease com mastro há 6 meses. Será que ele vai gostar?" Nossa amiga ficou surpresa com a "ousadia" de sua amiga, considerando seu conservadorismo religioso.

Saturday, December 19, 2009

Histórias Verídicas do Pajé Raoni - 9 - Fora Arruda

 A reunião tinha sido marcada para as 18:30 no McDonalds da via Monumental em Brasília. Sim, no McDonalds. Cheguei atrasado, já que a maioria das reuniões no Brasil começa atrasada. É um grupo já com nome de evangélicos que age politicamente. Vários deles vinham participando dos protestos contra os escândalos de corrupção do governador do Distrito Federal, o Arruda, e seus vários aliados. Um amigo trabalha com crianças e adolescentes em situação de risco numa das áreas mais pobres da cidade. Descrevia ele como havia gravado com sua filmadora várias das manifestações. Em certa altura, os cavalos da polícia saíram correndo na direção dos manifestantes, e este amigo correu para o cavalo não atropelá-lo. Também registrou em seu vídeo o momento em que o comando policial ordena que os policiais retirem suas identificações. Assim ficava mais difícil indentificá-los enquanto batiam nas pessoas arbitrariamente. Uma outra amiga, tendo terminado bacharelado e mestrado em ciências políticas e fazendo doutorado em sociologia, trabalha também em uma das áreas mais pobres da cidade. O lixão da cidade, mais precisamente. Nesse nosso encontro ela descreveu como havia participado das manifestações. Já que estávamos perto do local de manifestação daquela noite, olhou para fora e propôs de nos juntarmos ao grupo. Tanto ela como o outro amigo descreviam as enganações que o Tenente Coronel Silva Filho da Polícia Militar usava. Uma delas incluía conversar com manifestantes feridos, sugerindo de eles irem até a ambulância enquanto levava-os para o camburão em direção da delegacia.

Saturday, November 28, 2009

Histórias Verídicas do Pajé Raoni - 8 - Aqui Não

 Esta semana meus pais conheceram um certo homem que por acaso foi a igreja deles. Ele saiu do Guará para ir até esta Grande Igreja no Plano Piloto em Brasília apresentar seu projeto. Em suma, ele tentou ir além de assistencialismo para também ouvir várias pessoas em más condições sociais e financeiras. E para tanto pediu um salão da igreja. Mas não podia ser nem o santuário nem o salão principal, porque conforme a resposta não ficava bem se misturarem os "ricos" com os "pobres".
  O ocorrido me faz lembrar a história do Natal. Afinal, não havia lugar para José, Maria e Jesus porque eram pobres. Também lendo Mateus 25, parece-me que não há lugar para Jesus em várias igrejas.

Thursday, September 24, 2009

Histórias Verídicas do Pajé Raoni - 7 - De Médico e de Louco

Essa histórica verídica foi presenciada por minha tia-avó.
Minha tia-avó se chamava Débora. Débora era irmã da minha avó paterna. Ela era membro de uma grande igreja batista no estado do Rio de Janeiro, do Pr. Panini *. Disse a minha tia-avó que na congregação havia um sêmen-narista. Pois bem, este sêmen-narista e a filha do pastor fornicaram e ela engravidou. Pois bem, o Pr. Panini arranjou para a filha fazer um aborto e o sêmen-narista saiu da igreja. Foi para Cachoeiras de Macacu.
Em uma certa sessão nessa igreja de Niterói, eis que se levanta um médico. Era o médico que havia feito o aborto. Com dor de consciência, quis se confessar e relatou o ocorrido pedindo o perdão da igreja. Eis que o pastor então diz que aquilo tudo é um absurdo, e chama uma ambulância para prender o médico louco. Chega a ambulância. Os enfermeiros põem uma camisa de força no médico na própria igreja e o levam embora.

(* Nomes marcados foram trocados nesse relato )

Saturday, August 01, 2009

Histórias Verídicas do Pajé Raoni - 6 - Minha Conversão

Eu tinha uns 7 anos de idade. Minha mãe e eu entramos num táxi no Rio de Janeiro. O motorista parecia muito convicto e devoto, pois havia adesivos e outros penduricalhos dentro do carro. Logo de início me perguntou:
- Pra que time você torce?
- Eu não sei bem... Acho que torço pro Grêmio, mas meu pai é Fluminense. Meus tios torcem pro Bangu.
- Como assim Grêmio, Fluminense e Bangu? Você tem que ser é Flamenguista! O Flamengo é que é o melhor time do mundo.
Seu entusiasmo foi contagiante. Pronto: me tornei um Flamenguista na hora.
Voltando a Porto Alegre, me sentia um pouco dividido. Afinal, estando lá a pressão era grande por escolher um time local. Sempre gostei do Grêmio, apesar de entender que a norma era ter um time. Ia inclusive de vez em quando aos jogos no Domingo. Devo ter ido a mais jogos do Grêmio que do Flamengo.
Nunca fui um Flamenguista engajado. Raramente sabia os nomes dos jogadores além de um ou outro. Não sabia em que posição estava na tabela. Via os jogos na TV quando dava. Não fazia parte da torcida organizada (nunca conheci ninguém da torcida organizada. Seriam eles chatos querendo me convencer a entrar? Ou seriam eles segmentários, evitando a entrada de torcedores não-fanáticos?) Eu não era fanático. Eu me considerava e me considero um Flamenguista. Mas será que eu era realmente um?
Eu gostava de vôlei. Gostava de assistir a jogos na TV de vôlei. Será que não era apropriado gostar de vôlei e torcer para um time de futebol?

Thursday, July 16, 2009

Histórias Verídicas do Pajé Raoni - 5 - Pr. B.S. e os De Fora

Quando era ainda jovem, eu havia organizado a "Operação Sinal de Deus", onde os jovens da igreja foram no semáforo com uma faixa dizendo que Deus amava os motoristas e que não estávamos lá pra receber nenhum dinheiro.
O então pastor interino, Pr. B. S., chamou-me num canto e falou com seu sotaque americanow: "Você está olhando pra fora e está esquecendo os de dentro. Você tem que olhar é os de dentro, não os de fora". Fiquei sem saber o que dizer.
Hoje, interpreto as palavras do Pr. B.S. como tentando fazer o modelo 'venham-até-nós' funcionar.
Recentemente - muitos anos depois - recomecei a pensar no problema. O problema é de inclusão e exclusão. Consideremos uma certa rede de pessoas, à qual daremos o nome de 'igreja'. Elas se unem em torno ou por causa de Jesus. Mas Jesus ao mesmo tempo em que une estas pessoas, as envia. As margens dessa rede então deveria estar em fluxo. Deveria ser dinâmica com os relacionamentos. De repente o conjunto até tem uma margem, mas por causa do 'amar ao próximo', do 'quem é o meu próximo?', do 'banquete dos excluídos' e do 'ide' somos sempre chamados a pular para fora da margem.

Thursday, June 18, 2009

Histórias Verídicas do Pajé Raoni - 4 - A Cúpula e O Sem-Pedigree

Estávamos reunidos durante o culto na igreja aqui no Canadá. A igreja naquela época estava sem pastor. Éramos cerca de 6 pessoas. Meu grande e bom amigo pregava. Nós - todos leigos - alternávamos as pregações naquela época. Nisto entra ele com esposa.
Quem diria! Aqui no Canadá, na nossa igrejinha com meia dúzia de gatos pingados. Ele não sabia que o reconheci. Era o pastor da grande igreja numa das maiores cidades do Brasil, igreja onde minha mãe congregou por algum tempo. Eu sabia dos problemas que haviam ocorrido lá. Agora tinha um alto (alto mesmo) cargo na cúpula internacional na Nova Roma. Em todo o caso, nós os recebemos sinceramente com alegria. Ao me apresentar e mencionar os nomes da minha família, de repente eu passei a ser não tão desconhecido assim.
No ano seguinte, a mesma coisa. Dessa vez, convidei-o para vir a minha casa. Lá estavam a cúpula e o sem-pedigree!
Comecei perguntando como é que funcionava a cúpula. Fiz várias perguntas. Talvez perguntas demais. Perguntei como é que entrava dinheiro na cúpula. Perguntei que relação a cúpula tinha com os políticos da Nova Roma. Aprendi que 90% do dinheiro da cúpula vem do Sul da Nova Roma ainda. Perguntei sobre o Grande Racha que houve na denominação, onde o braço da Nova Roma quis seguir sozinho do resto do mundo todo (sim, o mundo todo). Muito interessante. Perguntei também como andava o diálogo com os Católicos, já que tudo isso estava sob sua administração.
Quando tive oportunidade, comecei a descrever minha interpretação da situação da denominação e da religiosidade na Nova Roma. E como a cultura vem rapidamente mudando. Falamos sobre religião na Europa também.
A esposa me relatou uma história interessante. Congregavam em uma certa igreja no Nordeste da Nova Roma. De repente muito rapidamente começaram a mudar algumas coisas na igreja. Ela deixou claro que não lhe agradaram as mudanças. E o Pajé Raoni relata aqui o que ouviu.
De repente, no culto passou a acontecer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Isso parece que desorientou-a. Ela não sabia o que ouvir de quem.
De repente, a 'mensagem' ficou mais complicada. Menos estrutura e menos sistematização. Mais conversa e, pior, participação e movimento.
A igreja resolveu criar relacionamentos com os artistas. Na visão dela, isso foi problemático. E explicou a razão: artistas geralmente estão ocupados no Domingo e não podem ir à igreja. Artistas também, conforme ela, têm dificuldade de se organizarem e de criarem um compromisso de ir frequentemente na igreja.
Posteriormente, quando começamos a falar sobre pós-modernismo, ela - que também participa dentro da cúpula - tentou simplificar o que estava ficando complicado. Explicou-me que o importante era "evangelizar". Falou-me como em uma certa vez entrou em um taxi e tentou convencer o motorista a 'aceitar Jesus' com certa persuasão. E que isso era o que interessava. O Pajé Raoni ficou pensando, mas não falou, em que tipo de interesse ela teria na vida de tal taxista, e no seu bem-estar em geral.
Ela também achou que a igreja estava virando "Nova Era". Que a falta da "sistematização" durante o culto era um problema, pois tal prática era da Nova Era. A Nova Era, conforme a mesma, era um problema pois importava práticas Orientais. O Pajé Raoni ficou se perguntando - mas não falou - se talvez o Cristianismo seja uma religião Oriental.
O Pajé Raoni e sua família ficaram muito contentes e agradecidos com sinceridade ao casal da cúpula pela visita e pelo diálogo. Embora muitas pedras estejam sedimentadas por anos e anos de tradição, ainda é possível ter comunhão como corpo. Afinal, somos um pelos laços do amor.

Friday, May 15, 2009

Histórias Verídicas do Pajé Raoni - 3 - Tudo sob Controle

Um tempo atrás, o Pajé Raoni estava tentando dar aula de Escola Bíblica Dominical para jovens. Era algo que tomava bastante tempo, e francamente não consegui achar coisas que estimulassem muito os jovens a estenderem a prática cristã além de Domingo, ou fomentar notavelmente uma consciência social. Em todo o caso, eu de vez em quando tinha que trazer algum entretenimento.
Um Domingo mostrei o filme Le Fameux Destin d'Amélie Poulain. Passei horas tentando editar o filme em casa antes, tentando tirar as cenas eróticas, mas não consegui. O resultado foi eu combinar com o pessoal da sala de fechar os olhos quando eu dissesse. Funcionou! Pulou a cena da Amélie fazendo sexo, além de outras cenas onde ela entra no Sex Shop procurando o homem misterioso. Nesse Domingo não teve inspeção.


(Gosto muito da história do filme de Amélie. Mostra como Amélie se desperta para vida e como leva as pessoas perto e longe junto nesse despertar)
Pois bem, certa vez levei um vídeo do Newsboys. Sei que é entretenimento, mas nem só de pão vive o homem. Pelo menos eles têm um ar alternativo. Buenas, nesse dia veio o tio lá de cima pegar não sei o que na sala, e viu de relance o que tava passando. Suas filhas estavam na sala também, o que era raro. Perguntou "O que é isso?"
Eu calmamente respondi : "Newsboys". E esperei uns 4 segundos, lendo a reação de dúvida e desconfiança no rosto dele. Claro que era "estranho" (para o público de igreja). Claro que o visual deles era "estranho" (para o público de igreja). Depois complementei:
"É um grupo cristão. Acho que são da Austrália ou Nova Zelândia talvez." Como se o fato de ser de outro país de repente explicasse a estranheza.
Moral da história: enquanto o grupo de jovens estiver bem comportado e dentro da salinha da EBD, tudo está bem. Enquanto estivermos abrindo a Bíblia e explicando moral e bons costumes, tudo bem. Enquanto estivermos decorando versículos isolados, tudo bem. Tudo sob controle.

(veja abaixo um trecho do vídeo do Newsboys)

Monday, May 04, 2009

Histórias Verídicas do Pajé Raoni - 2 - Bênção de Toronto

Em um certo dia de Abril de 1998, eu estava em um hotel em Toronto. Esperava alguns papéis do Brasil para enviar para o consulado Canadense em Buffalo, em Nova Iorque. Olhei para fora da janela e vi penas de pombas caindo. Enquanto isso, concentrava-me no computador, procurando sarna para me coçar (como sempre). Olhei mais atentamente para a janela. As penas de pombo não paravam de cair. Devia ter muito pombo em cima do hotel. Olhei melhor. Não eram penas de pombos. Era neve. Um sinal de que estava sozinho em terra estranha.
Surfando na Internet em um tempo de descobertas, achei a famosa igreja do Aeroporto de Toronto. Mais precisamente, Toronto Airport Community Fellowship. Queria conhecer a famosa igreja da Bênção de Toronto.
Eu sabia um pouco da história dessa igreja. Sabia que fazia parte da associação Vineyard de igrejas do Canadá, mas que havia sido 'expulsa' por sua doutrina de 'sinais e maravilhas'. Basicamente, sua doutrina ensinava que uma igreja era autêntica apenas se demonstrasse sinais e maravilhas.
Peguei mapas, vi horários de ônibus. Peguei ônibus, andei, me perdi, andei mais, e consegui chegar lá. Era um Sábado de noite. A comunidade ficava em Mississauga, do lado de Toronto, a uns 20 minutos de carro (1h e meia de ônibus e andando...).
O lugar era como um galpão com várias cadeiras. Na minha frente estava uma mulher que tinha o braço atrofiado. Durante a música, tinha uns tremeliques e mexia seus braços de forma caótica. Muita emoção, muita comoção. Muito cansaço.
O 'pastor principal' estava presente. Falou sobre como tinha ido em uma missão entre os Esquimós na Rússia.
Perto do final do culto, pediram para todas as pessoas ficarem em círculo, sobre a linha. (Acho que os Canadenses gostam de fila.) Sim, havia uma linha no chão, e todos deveriam ficar de pé em cima da linha. Eu não estava entendendo bem aquilo. Era simples: enquanto os diáconos oravam e impunham as mãos sobre as pessoas, estas iam caindo. A linha ajudava as pessoas a não caírem umas sobre as outras.
Era difícil de saber quando era o final do culto. Provavelmente porque culto longo era indicativo de 'sair do roteiro', e 'sair do roteiro' seria um sinal de que o Espírito Santo estaria guiando o culto.
No 'final do culto', por assim dizer, procurei alguém para ver se me dava carona de volta para Toronto. Falei com o pastor sobre minha procura por uma carona. Ele prontamente não fez nada. Minha visita à igreja do Aeroporto de Toronto terminou com eu ligando pra um taxi. A corrida de volta pra Toronto me custou cerca de 50 dólares com gorjeta.

Sunday, May 03, 2009

Histórias Verídicas do Pajé Raoni - parte 1

Levantei na igreja na hora dos anúncios e falei em Inglês:
- Irmãos, nós já vencemos os Devils (demônios), não?
As pessoas olhavam umas para as outras sem entenderem meu recado. Pois o time de hockey de Ottawa haviam ganho dos New York Devils na noite de Sábado. Expliquei o trocadilho e as pessoas entenderam. Convidei os homens e mulheres da igreja para irem a um pub perto dali no Sábado seguinte para ver um outro jogo dos Senators nos playoffs (rodada final de hockey). Não era muito fã de hockey, mas ainda estava procurando fazer as pessoas saírem das paredes do templo e criarem relacionamentos.
Sábado, no dia e hora marcados, não vem ninguém. Achava que pelo menos o pastor viria. Contive-me para não pedir uma cerveja, apesar de considerar isso um moralismo falso de mim mesmo. Muito tempo depois, chega o pastor. Atrazado como de costume. O ângulo da mesa para o telão estava ruim, mas tudo bem.
Notei o desconforto do pastor. O pub tinha luzes neon e garçonetes. Um ruído constante de fundo das conversas e risos. Além da TV grande. Tínhamos quase que gritar para conversar. Seu desconforto era notório. Mas ele não podia deixar de me felicitar pela iniciativa de juntar os homens da igreja, até mesmo porque não tinha nada que acontecia além dos cultos de Domingo e quarta-feira.
- Muito boa essa idéia, Pajé. Vamos fazer isso mais frequente. Vamos fazer lá em casa da próxima vez. Vou fazer uma pipoca, e assistimos o jogo lá em casa.
Não oferecia tanto uma conveniência. Mostrava uma angústia de estar em um lugar onde não tinha controle, onde não era seu território. Estava fora da bolha. Estava "no mundo".
Disse que prefiria mais o pub sem maiores explicações. Depois de tentativas anteriores frustradas, sabia que seria fútil tentar ter uma conversa equilibrada e honesta.
Pois é, pr. Já pensou como os visitantes se sentem entrando no templo? Pois bem, compartilhou um pouco desse sentimento de entrar em um lugar desconhecido e não ter o controle.

(Não deixe de ler também o texto "Encontrando Jesus no Bar" de Heather Kirk-Davidoff)