"[Na visão de Foucault], poder e conhecimento são mutuamente cúmplices. Sistemas de controle social se desenvolveram juntos com as ciências humanas desde a Iluminismo europeu do século XVIII. A própria
Filosofia tem sido cúmplice nesse 'jogo de poder' dominando outros ao marginalizá-los. "
Foucalt: "Histórias oficiais filtram, selecionam, priorizam e excluem outras interpretações"
trechos do livro "Introducing Philosophy" por Robinson & Groves.
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Saturday, July 23, 2011
Tuesday, March 16, 2010
Teologia da Libertação e Pós-modernidade (1987)
A TdL [Teologia da Libertação] radica-se, em muitas de suas perguntas e inspiração, numa fé popular pré-moderna. O nosso povo latino-americano vive em muitos elementos uma fé ainda não bombardeada pelos deuses da modernidade. Por outro lado, os teólogos que elaboram principalmente esta teologia já passaram pelas perguntas fundamentais da modernidade e tentaram superá-las nos seus limites individualizantes. A TdL é então um resultado de interessante encontro da pré-modernidade da piedade popular com a pós-modernidade dos teólogos, sem ficar presa à estrita problemática da razão e subjetividade modernas.
Trecho do livro "Teologia da Libertação: Roteiro didático para um estudo". J. B. Libanio, ed Loyola, 1987. p. 100.
Ainda gostaria de citar um trecho do livro "Para Entender Pós-Modernidade" de Mary Esperandio:
"A partir dessa perspectiva, podemos compreender a posição de Maffesoli a respeito de uma definição 'provisória' de pós-modernidade. Como ele diria, 'pós-modernidade pode ser definida, provisoriamente, como a sinergia de fenômenos arcaicos com o desenvolvimento tecnológico' (Maffesoli, 2004, p. 21)" p. 13
Um detalhe interessante dessa definição provisória é o convívio dos fenômenos arcaicos com o tempo de tecnologias avançadas. Volta e meia ouço que a pós-modernidade não está presente ainda na América Latina porque o "pré-moderno, o moderno e o pós-moderno ainda estão juntos". A definição de Maffesoli, contudo, demonstra que tal ideia não capta bem "pós-modernidade".
Tuesday, September 29, 2009
Pós-modernismo & teologia na América Latina
Teologia Prática e práticas pastorais na América Latina
(capítulo 5)
Danilo R. Streck escreve:
"Enrique Dussel propõe o conceito 'transmodernidade' para caracterizar a necessidade de se avançar para além da modernidade, valorizando o seu núcleo racional potencialmente libertador, mas questionando o 'mito irracional' moderno que legitimou a conquista européia. Luís Britto García vê o pós-moderno latino-americano como 'contramoderno', neste sentido já presente na história latino-americana desde Bartolomeu de las Casas e outros que defendiam a causa dos pobres e fracos. "
" ... carta do 8o Encontro Intereclesial de CEBs, em 1992:
'Nestes dias refletimos sobre os últimos 500 anos da história do Continente, e constatamos que foram um longo cativeiro, mais longo que o cativeiro da Babilônia. Os opressores diziam que nossos deuses eram falsos; nossos ritos, superstição; nossos mitos, heresia; nossos costumes, pecado. As mulheres continuam sendo tratadas como objetos. Fomos espancados e marginalizados, e fizeram de nós um povo de migrantes. [...]'
"
"O fato é que a modernidade européia não é alheia à nossa história, uma vez que em grande parte foi construída sobre a exploração do novo mundo 'descoberto'. Em outras palavras, a América Latina, de diferentes formas através de sua história, sofreu a modernidade."
"A ambigüidade é apontada por Alberto Moreira como um traço que caracteriza todo o processo de modernidade. Ele pergunta: 'Por que a Modernidade, tendo nascido de ideais tão nobres como liberdade, igualdade e fraternidade, conduziu às aberrações mais anti-humanas que já conheceu a história?' Para ele, essas aberrações não são uma conseqüência necessária da modernidade. Pelo contrário, seria possível ver nascer um novo perfil de humanidade a partir dessas contradições ou ambigüidades, só que através dos setores excluídos ou marginalizados do proceso."
(capítulo 5)
Danilo R. Streck escreve:
"Enrique Dussel propõe o conceito 'transmodernidade' para caracterizar a necessidade de se avançar para além da modernidade, valorizando o seu núcleo racional potencialmente libertador, mas questionando o 'mito irracional' moderno que legitimou a conquista européia. Luís Britto García vê o pós-moderno latino-americano como 'contramoderno', neste sentido já presente na história latino-americana desde Bartolomeu de las Casas e outros que defendiam a causa dos pobres e fracos. "
" ... carta do 8o Encontro Intereclesial de CEBs, em 1992:
'Nestes dias refletimos sobre os últimos 500 anos da história do Continente, e constatamos que foram um longo cativeiro, mais longo que o cativeiro da Babilônia. Os opressores diziam que nossos deuses eram falsos; nossos ritos, superstição; nossos mitos, heresia; nossos costumes, pecado. As mulheres continuam sendo tratadas como objetos. Fomos espancados e marginalizados, e fizeram de nós um povo de migrantes. [...]'
"
"O fato é que a modernidade européia não é alheia à nossa história, uma vez que em grande parte foi construída sobre a exploração do novo mundo 'descoberto'. Em outras palavras, a América Latina, de diferentes formas através de sua história, sofreu a modernidade."
"A ambigüidade é apontada por Alberto Moreira como um traço que caracteriza todo o processo de modernidade. Ele pergunta: 'Por que a Modernidade, tendo nascido de ideais tão nobres como liberdade, igualdade e fraternidade, conduziu às aberrações mais anti-humanas que já conheceu a história?' Para ele, essas aberrações não são uma conseqüência necessária da modernidade. Pelo contrário, seria possível ver nascer um novo perfil de humanidade a partir dessas contradições ou ambigüidades, só que através dos setores excluídos ou marginalizados do proceso."
Thursday, June 18, 2009
Histórias Verídicas do Pajé Raoni - 4 - A Cúpula e O Sem-Pedigree
Estávamos reunidos durante o culto na igreja aqui no Canadá. A igreja naquela época estava sem pastor. Éramos cerca de 6 pessoas. Meu grande e bom amigo pregava. Nós - todos leigos - alternávamos as pregações naquela época. Nisto entra ele com esposa.
Quem diria! Aqui no Canadá, na nossa igrejinha com meia dúzia de gatos pingados. Ele não sabia que o reconheci. Era o pastor da grande igreja numa das maiores cidades do Brasil, igreja onde minha mãe congregou por algum tempo. Eu sabia dos problemas que haviam ocorrido lá. Agora tinha um alto (alto mesmo) cargo na cúpula internacional na Nova Roma. Em todo o caso, nós os recebemos sinceramente com alegria. Ao me apresentar e mencionar os nomes da minha família, de repente eu passei a ser não tão desconhecido assim.
No ano seguinte, a mesma coisa. Dessa vez, convidei-o para vir a minha casa. Lá estavam a cúpula e o sem-pedigree!
Comecei perguntando como é que funcionava a cúpula. Fiz várias perguntas. Talvez perguntas demais. Perguntei como é que entrava dinheiro na cúpula. Perguntei que relação a cúpula tinha com os políticos da Nova Roma. Aprendi que 90% do dinheiro da cúpula vem do Sul da Nova Roma ainda. Perguntei sobre o Grande Racha que houve na denominação, onde o braço da Nova Roma quis seguir sozinho do resto do mundo todo (sim, o mundo todo). Muito interessante. Perguntei também como andava o diálogo com os Católicos, já que tudo isso estava sob sua administração.
Quando tive oportunidade, comecei a descrever minha interpretação da situação da denominação e da religiosidade na Nova Roma. E como a cultura vem rapidamente mudando. Falamos sobre religião na Europa também.
A esposa me relatou uma história interessante. Congregavam em uma certa igreja no Nordeste da Nova Roma. De repente muito rapidamente começaram a mudar algumas coisas na igreja. Ela deixou claro que não lhe agradaram as mudanças. E o Pajé Raoni relata aqui o que ouviu.
De repente, no culto passou a acontecer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Isso parece que desorientou-a. Ela não sabia o que ouvir de quem.
De repente, a 'mensagem' ficou mais complicada. Menos estrutura e menos sistematização. Mais conversa e, pior, participação e movimento.
A igreja resolveu criar relacionamentos com os artistas. Na visão dela, isso foi problemático. E explicou a razão: artistas geralmente estão ocupados no Domingo e não podem ir à igreja. Artistas também, conforme ela, têm dificuldade de se organizarem e de criarem um compromisso de ir frequentemente na igreja.
Posteriormente, quando começamos a falar sobre pós-modernismo, ela - que também participa dentro da cúpula - tentou simplificar o que estava ficando complicado. Explicou-me que o importante era "evangelizar". Falou-me como em uma certa vez entrou em um taxi e tentou convencer o motorista a 'aceitar Jesus' com certa persuasão. E que isso era o que interessava. O Pajé Raoni ficou pensando, mas não falou, em que tipo de interesse ela teria na vida de tal taxista, e no seu bem-estar em geral.
Ela também achou que a igreja estava virando "Nova Era". Que a falta da "sistematização" durante o culto era um problema, pois tal prática era da Nova Era. A Nova Era, conforme a mesma, era um problema pois importava práticas Orientais. O Pajé Raoni ficou se perguntando - mas não falou - se talvez o Cristianismo seja uma religião Oriental.
O Pajé Raoni e sua família ficaram muito contentes e agradecidos com sinceridade ao casal da cúpula pela visita e pelo diálogo. Embora muitas pedras estejam sedimentadas por anos e anos de tradição, ainda é possível ter comunhão como corpo. Afinal, somos um pelos laços do amor.
Quem diria! Aqui no Canadá, na nossa igrejinha com meia dúzia de gatos pingados. Ele não sabia que o reconheci. Era o pastor da grande igreja numa das maiores cidades do Brasil, igreja onde minha mãe congregou por algum tempo. Eu sabia dos problemas que haviam ocorrido lá. Agora tinha um alto (alto mesmo) cargo na cúpula internacional na Nova Roma. Em todo o caso, nós os recebemos sinceramente com alegria. Ao me apresentar e mencionar os nomes da minha família, de repente eu passei a ser não tão desconhecido assim.
No ano seguinte, a mesma coisa. Dessa vez, convidei-o para vir a minha casa. Lá estavam a cúpula e o sem-pedigree!
Comecei perguntando como é que funcionava a cúpula. Fiz várias perguntas. Talvez perguntas demais. Perguntei como é que entrava dinheiro na cúpula. Perguntei que relação a cúpula tinha com os políticos da Nova Roma. Aprendi que 90% do dinheiro da cúpula vem do Sul da Nova Roma ainda. Perguntei sobre o Grande Racha que houve na denominação, onde o braço da Nova Roma quis seguir sozinho do resto do mundo todo (sim, o mundo todo). Muito interessante. Perguntei também como andava o diálogo com os Católicos, já que tudo isso estava sob sua administração.
Quando tive oportunidade, comecei a descrever minha interpretação da situação da denominação e da religiosidade na Nova Roma. E como a cultura vem rapidamente mudando. Falamos sobre religião na Europa também.
A esposa me relatou uma história interessante. Congregavam em uma certa igreja no Nordeste da Nova Roma. De repente muito rapidamente começaram a mudar algumas coisas na igreja. Ela deixou claro que não lhe agradaram as mudanças. E o Pajé Raoni relata aqui o que ouviu.
De repente, no culto passou a acontecer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Isso parece que desorientou-a. Ela não sabia o que ouvir de quem.
De repente, a 'mensagem' ficou mais complicada. Menos estrutura e menos sistematização. Mais conversa e, pior, participação e movimento.
A igreja resolveu criar relacionamentos com os artistas. Na visão dela, isso foi problemático. E explicou a razão: artistas geralmente estão ocupados no Domingo e não podem ir à igreja. Artistas também, conforme ela, têm dificuldade de se organizarem e de criarem um compromisso de ir frequentemente na igreja.
Posteriormente, quando começamos a falar sobre pós-modernismo, ela - que também participa dentro da cúpula - tentou simplificar o que estava ficando complicado. Explicou-me que o importante era "evangelizar". Falou-me como em uma certa vez entrou em um taxi e tentou convencer o motorista a 'aceitar Jesus' com certa persuasão. E que isso era o que interessava. O Pajé Raoni ficou pensando, mas não falou, em que tipo de interesse ela teria na vida de tal taxista, e no seu bem-estar em geral.
Ela também achou que a igreja estava virando "Nova Era". Que a falta da "sistematização" durante o culto era um problema, pois tal prática era da Nova Era. A Nova Era, conforme a mesma, era um problema pois importava práticas Orientais. O Pajé Raoni ficou se perguntando - mas não falou - se talvez o Cristianismo seja uma religião Oriental.
O Pajé Raoni e sua família ficaram muito contentes e agradecidos com sinceridade ao casal da cúpula pela visita e pelo diálogo. Embora muitas pedras estejam sedimentadas por anos e anos de tradição, ainda é possível ter comunhão como corpo. Afinal, somos um pelos laços do amor.
Thursday, April 30, 2009
Disneylândia e Baudrillard
Citação do livro "Taking the Red Pill: Science, Philosophy and Religion" - editado por Yeffeth.
Capítulo: "The Matrix: Paradigm of Postmodernism? Part II"
Baudrillard fala de quatro ordens de simulação: na primeira, a imagem reflete a realidade; na segunda, ela mascara a realidade; na terceira; "ela mascara a falta de uma realidade profunda"; e na quarta, "ela não tem nenhuma relação com realidade; é a sua própria simulação." Baudrillard está especialmente interessado em exemplos pós-modernos de simulação de terceira ordem, parques temáticos como a Disneylândia. "A Disneylândia é apresentada como imaginária para que faça-nos acreditar que o resto é real, enquanto todo Los Angeles e os Estados Unidos à sua volta são simulações" O que Baudrillard quer dizer com "o hiper-real" é "a geração por modelos de um real sem origem ou realidade".
- Fim da citação -
Gostei de ler a citação da Disneylândia. Realmente, essa sempre foi a impressão que tive indo lá. Já fui mais de uma vez. Na última vez que estive em Orlando na Flórida, fui jantar com um amigo meu indiano dentro da Disney. Comentava com ele dessa sensação de falsidade na Disneylândia, da qual meu amigo compartilhava.
Capítulo: "The Matrix: Paradigm of Postmodernism? Part II"
Baudrillard fala de quatro ordens de simulação: na primeira, a imagem reflete a realidade; na segunda, ela mascara a realidade; na terceira; "ela mascara a falta de uma realidade profunda"; e na quarta, "ela não tem nenhuma relação com realidade; é a sua própria simulação." Baudrillard está especialmente interessado em exemplos pós-modernos de simulação de terceira ordem, parques temáticos como a Disneylândia. "A Disneylândia é apresentada como imaginária para que faça-nos acreditar que o resto é real, enquanto todo Los Angeles e os Estados Unidos à sua volta são simulações" O que Baudrillard quer dizer com "o hiper-real" é "a geração por modelos de um real sem origem ou realidade".
- Fim da citação -
Gostei de ler a citação da Disneylândia. Realmente, essa sempre foi a impressão que tive indo lá. Já fui mais de uma vez. Na última vez que estive em Orlando na Flórida, fui jantar com um amigo meu indiano dentro da Disney. Comentava com ele dessa sensação de falsidade na Disneylândia, da qual meu amigo compartilhava.
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