Perguntaram ao amigo Nelson Costa Jr.: "existe alguma coisa que a religião possa dar que o mundo secular não possa?"
Uma primeira resposta provisória é "sim". É "sim" para bilhões de pessoas que encontram na religião algum sentido. E é impossível eu avaliar em primeira mão as experiências das outras pessoas. Posso acreditar em suas palavras quando declaram que têm uma determinada religião, o que é suficiente para assumir que a religião tem algum significado para sua identidade.
A minha resposta seria incompleta e provisória. O problema ao meu ver desloca-se para a arena da filosofia e da linguagem. Tenho pra mim que os significados das linguagens são todos construídos. Advêm dos muitos eventos complexos que formam a pessoa em seus contextos. Assim também, as linguagens "religiosa" e "secular" são construídas. E a divisão entre o que é linguagem "religiosa" e o que é linguagem "secular" também.
Algumas pessoas dizem que não existe divisão entre o secular e o religioso. As ramificações dessa afirmação, contudo, nem sempre são exploradas. Tenho pra mim a atribuição de significados religiosos às coisas ao redor do ser humano (e às coisas "invisíveis" também) não foi um processo isolado da atribuição de significados não-religiosos. Ao mesmo tempo em que os seres humanos evoluíram na organização social e na descoberta da ciência, também criaram seus mitos, que nada mais são que histórias reflexivas.
Um caminho interessante seria pensar em equivalências entre linguagens religiosas e seculares. Nesta exploração noto, por exemplo, que códigos moralistas de comportamento sexual adotados por religiosos só se vestem de uma linguagem sagrada para dizer, no frigir dos ovos, a mesma coisa que uma grande parcela moralmente conservadora da população brasileira independente de religião. Neste caminho, o desafio está em 1) conversar sobre como conversar e 2) desconstruir estas linguagens e procurar trabalhar com re-significações das linguagens, independentemente de serem "religiosas" ou "seculares" (porque como vimos esta divisão é artificial). Assim, "pecado", sendo um termo "sagrado", seria "dessacralizado" provisoriamente e explorado pelos caminhos dialético e dialógico. Cedo nos daremos conta de que nos encontraremos em uma conversa mais filosófica e menos dogmática.
Como esse caminho entende que os significados do que é religioso foram fabricados ao longo da História, o ônus de justificativa de finalidade e significados recai sobre a religião. E se a religião morrer nesse caminho? Enterra e faz um funeral.
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Saturday, November 30, 2013
Monday, July 22, 2013
Sunday, April 28, 2013
Profissão de Falta de Fé
É de costume nas igrejas aceitar o catecúmeno mediante a Profissão de Fé. Pois esta é a minha Profissão de Falta de Fé.
Falta-me a fé porque explicar o que não consigo ver soa-me bobinho. Falta-me a fé porque vi um pouco das barbáries e horrores que o ser humano pode cometer com fé demais. Falta-me a fé porque delegar a própria responsabilidade a um ser externo soa-me eticamente condenável. Se vocês virem fé ou fézes em mim será ilusão. Serão seus óculos sujos. Talvez porque eu insista em viver esta vida. Será talvez porque existam passarinhos, borboletas, crianças e poetas.
Ora, deixemos a fé pra lá. Vamos mudar o mundo. Vamos dançar. Vamos fazer um bolo de chocolate juntos.
Se vossa comunidade for aberta o suficiente para me incluir tal qual estou, apesar da minha Profissão de Falta de Fé, ficarei contente. Riremos e choraremos. Mas tenho quase certeza que a Liberdade não deixará me circunscrever. Porque o vento soprará onde quiser. (E não falem pra ninguém, mas de vez em quando a loucura, o absurdo e o Nada saem da escuridão).
Combinemos o seguinte: deixemos pra lá o Rol de Membros e vamos fazer o bolo de chocolate. Mas tem que ser hoje, porque amanhã pode ser muito tarde.
Tuesday, August 16, 2011
Friday, April 08, 2011
Friday, December 10, 2010
Sobre religião e identidade
Pensando sobre religião e identidade, formulo a seguinte pergunta: quais critérios usar para falar da identidade Cristã?
Vejamos, o Cristianismo não se define etnicamente. Referências:
6- A visão de Pedro com o lençol descendo. Os judeus começam a entender que a salvação não é só para sua etnia. (Atos 10)
Agora a pergunta difícil: o Cristianismo se define religiosamente? A parábola do bom Samaritano ajuda-nos novamente. O Samaritano, além de ser da etnia "errada", era herege. A expressão sadia de religiosidade ganhou significado não com uma identidade religiosa definida a priori (levita e sacerdote na parábola), mas no ato de empatia com o que sofre. Isto é, tornou-se uma identidade religiosa a posteriori, advinda da empatia no termo mais humano possível.
Vejamos, o Cristianismo não se define etnicamente. Referências:
1- Adão. Qual foi a etnia de Adão? (Gênesis 2)
2- Raabe não era israelita (Josué 2)3- A pregação de Jonas (Que foi curta!) (Jonas 3). O povo de Níneve creu rapidinho. Já os israelitas...
4- O bom Samaritano (Lucas 10)
5- O Eunuco etíope (Atos 8)6- A visão de Pedro com o lençol descendo. Os judeus começam a entender que a salvação não é só para sua etnia. (Atos 10)
Agora a pergunta difícil: o Cristianismo se define religiosamente? A parábola do bom Samaritano ajuda-nos novamente. O Samaritano, além de ser da etnia "errada", era herege. A expressão sadia de religiosidade ganhou significado não com uma identidade religiosa definida a priori (levita e sacerdote na parábola), mas no ato de empatia com o que sofre. Isto é, tornou-se uma identidade religiosa a posteriori, advinda da empatia no termo mais humano possível.
Saturday, December 04, 2010
Para além da cristandade
“[Para além da cristandade,] há uma religião verdadeiramente cristã, sem dogmas (Deus, o chamamos pai, mas podemos também chamá-lo mãe; os padres são homens, mas poderiam ser também mulheres), fundada na fé e na esperança de que com a caridade se realiza verdadeiramente o reino de Deus, começando por este mundo. [...] O verdadeiro ecumenismo cristão se realizará quando o próprio cristianismo compreender que deve abater as barreiras que ele mesmo criou – e que o pontificado atual parece querer cada vez mais solidificar: aqui nós, cristãos, lá, o Islã malvado; aqui os normais, lá, os gays e os diferentes. A tarefa dos cristãos não é converter os outros e fazêlos tornarem-se como nós; mas começar a liquidar a própria (pretensão de) identidade, para acolher a todos.” (Vattimo, in “O cristianismo e a ultramodernidade”, IHU on-line, citado no artigo "O cristianismo não-religioso de Bonhoeffer e Vattimo", por Suzel Tunes )
#qcnfs
#csnome
#qcnfs
#csnome
Thursday, May 27, 2010
Debate: Filosofía y Religión en el contexto de América Latina
Tenemos la transcripción del debate aquí
Monday, May 17, 2010
Conversa Sem Nome: Debate: Filosofia e Religião no contexto da América Latina
Esta é a transcrição do debate promovido pela Conversa Sem Nome sobre Filosofia e Religião no contexto da América Latina no dia 15 de Maio de 2010. Os debatedores foram Felipe Fanuel X. Rodrigues e Alysson Amorim.
O debate foi muito proveitoso. Foram convidados também outros debatedores da área da Filosofia propriamente dita que não puderam infelizmente participar conosco. Assim mais naturalmente a conversa tomou seu próprio rumo. Ao meu ver o debate atingiu seu objetivo de ser profundo ao mesmo tempo que acessível.
Aqui está então a transcrição.
Gustavo > Ok, o Felipe Fanuel deve entrar a qualquer hora. Eu vou fazendo a introdução
Gustavo > Benvindo a todos
Gustavo > Benvindo ao Alysson, nosso debatedor oficial da noite.
Gustavo > Esse é o debate inaugural por assim dizer da Conversa Sem Nome.
Alysson > Gracias
Gustavo > Escolhemos como tema Religião e Filosofia no contexto da América Latina.
Gustavo > Como é um tema amplo e como queremos ter interação,
Gustavo > convidamos os debatedores a começar seus relatos a partir de suas experiências pessoais
Gustavo > E chamamos a isso de debate porque espero que todos nós possamos nos debater
Gustavo > com nossas próprias ideias e as dos outros e outras.
Gustavo > Buenas
Gustavo > Deixem-me explicar então como vamos fazer a coisa.
Gustavo > Vamos ter 3 períodos. No primeiro período Felipe e Alysson, cada um por vez, falará sobre suas experiências ou pensamentos recentes nas áreas da Filosofia e/ou da Religião. Nesse primeiro período nós ouvimos 'ativamente'. Cada um deles terá no máximo 15 minutos.
Gustavo > No segundo período os debatedores e o Gustavo K-fé, que é o moderador, debatem-se por no máximo 20 minutos.
Gustavo > O terceiro período é o período das perguntas de todos para o Felipe e para o Alysson. Vamos tentar ter UMA PERGUNTA POR VEZ, para evitar de fragmentar demais a conversa.
Gustavo > Agora, o Felipe está tendo algum problema. Vou tentar ligar para ele e ver se posso ajudá-lo.
Gustavo > E isso é mais uma referência, uma sugestão. De maneira nenhuma queremos prender-nos a isso.
Gustavo > Alguém tem alguma pergunta nessa altura?
Patrick > o que é ouvir "ativamente"?
Gustavo > É ouvir e pensar
Turco > queria sugerir uma rápida biografia dos debatedores e a evolução do pensamento dos mesmos, se possível
Turco > sobre os assuntos, é óbvio, dentro da fala deles
Gustavo > Quem sabe, Alysson você poderia se apresentar?
Alysson > Beleza, vou fazendo isto.
Alysson > Como já disse, sou mineiro, de Belo Horizonte
Alysson > E já vou logo confessando: careço de formação em teologia e filosofia
Alysson > E minhas paixões maiores são, nesta exata ordem, literatura e história
Alysson > Sou formado em Direito
Alysson > Tenho 25 anos e trabalho no setor administrativo da Educação aqui em Belo Horizonte
Gustavo > Como havia explicado, Felipe, cada debatedor tem cerca de 15 minutos
Felipe > ok
Gustavo > para expôr suas reflexões recentes nas áreas de Teologia e Religião
Gustavo > Pode falar de reflexões pessoais
Gustavo > ou pode expandir para 'perguntas da rua', isto é, perguntas que nós brasileiros fazemos
Gustavo > sobre nosso contexto(s) social/sociais
Gustavo > Começamos portanto com o Alysson
Pedro - Jah é! > áreas de Teologia e Religião?
Pedro - Jah é! > eu tinha entendido que era Filosofia e Religião?
Felipe > ótimo
Gustavo > Alysson, com a palavra
Alysson > peço dois minutinhos, por favor
Gustavo > Prefere que o Felipe comece ?
Alysson > Não me importaria. Só estou ajustando o Wireless aqui para não ter mais problemas
Gustavo > Ok, começamos com o Felipe Fanuel, então. Você pode se apresentar, Felipe? Não tenha pressa.
Felipe > ok
Felipe > vamos lá
Felipe > Sou mineiro
Felipe > Do interior
Felipe > Vim para o Rio para estudar
Felipe > Percorrendo os caminhos drummondianos
Felipe > Somos conterrâneos.
Alysson > Desculpe interromper, tem que contar que é de Itabira
Felipe > :)
Felipe > hahahahah
Felipe > Meu orgulho
> Rolf & Brenda Fürstenau has been added to the conversation.
Alysson > Mas que agora é apenas uma fotografia na parede
Felipe > Sim
Felipe > Sou formado em Teologia pela Universidade Metodista de São Paulo e pelo Seminário Batista do Sul do Brasil.
Rolf & Brenda Fürstenau > ola
Felipe > Sou Mestre em Ciências da Religião tb pela Metodista.
Alysson > Opa
Felipe > E ano passado terminei a graduação e licenciatura em Letras - Inglês/Literaturas.
Felipe > Tb tive a felicidade de trabalhar como pastor auxiliar em uma igreja batista no subúrbuio do Rio de Janeiro.
Felipe > Religião para mim está no sangue.
Felipe > Sempre lembro de Paul Tillich, para quem a fé é algo incondicional.
> Anyul has been added to the conversation.
Felipe > Não podemos fugir de tudo isso.
Felipe > Vivo dizendo que não sei muito bem onde a minha vida vai dar.
Felipe > Acho que isso tem a ver com a própria noção de fé.
Felipe > É aquela ideia de pulo no abismo mesmo.
Paulo - Conversa Sem nome > Kierkegaard
Felipe > Sim, sim
Turco > salto da fé, chefe
Alysson > Sim
Felipe > Acho que minha vida é um verdadeiro pulo de abismo em abismo.
Felipe > E isso é de uma angústia inimaginável.
Felipe > A gente não pode desprezar este conflito que há entre nós.
Felipe > Quer dizer,
Felipe > A fé não é uma saída para nada.
Felipe > Ela abre muito mais do que fecha...
Felipe > traz crise muito mais do que segurança...
Felipe > dúvida, do que certeza...
Turco > :)
Felipe > abismo, do que chão...
Felipe > E sinceramente,
Felipe > a coisa mais difícil que tem sido para mim falar nos últimos meses é a seguinte frase:
Felipe > "o Espírito sopra aonde quer."
Felipe > É mto difícil aceitar que fé e dúvida são parte da mesma moeda.
Felipe > E o Espírito, na Teologia, é um elemento desestabilizador.
Felipe > Ele faz parte do caos sagrado.
Felipe > Deixar ser levado por este vento é simplesmente uma loucura.
Turco > :) a loucura do evangelho
Felipe > Voltando a Tillich, este bendito espírito, para ele, poderia ser lido como o "Princípio protestante".
Rolf & Brenda Fürstenau > vcs usam gtalk (gmail) / jabber?
Felipe > Por isso,
Felipe > não consigo separar teologia de experiência pessoal.
Felipe > Não sei onde uma termina e a outra inicia.
Felipe > É preciso falar de uma teologia com a nossa cara.
Felipe > Afinal, creio num Deus com a cara da gente.
Gustavo > ( Felipe, mais 3 minutos )
Felipe > Ótimo
Felipe > Uso apenas um.
> Nelson Edna has been added to the conversation.
Felipe > Lembro da teologia com a cor da minha terra da minha infância.
Felipe > Foi ali que eu descobri Jesus em meio à "mineiridade", para lembrar de uma poeta conterrânea de quem gosto muito.
Alysson > Adélia?
Felipe > Conceição Evaristo.
Felipe > Tudo que tenho hoje são memórias,
Felipe > recordações.
Felipe > Acho que crer é lembrar.
Felipe > Porque sofro de amnésia humana em relação à nossa herança divina.
Felipe > Period.
Gustavo > Obrigado, Felipe. Sei que vocês têm perguntas para o Felipe. Vão anotando aí. Vamos agora passar para o Alysson.
Alysson > Ok.
Gustavo > Alysson, poderia se apresentar novamente, pois temos novas pessoas?
Alysson > Sim.
Gustavo > (Muito obrigado, Felipe, logo mais voltamos ! )
Alysson > Dizia eu, antes de ser derrubado pela internet, que sou obrigado a fazer uma confissão: careço de formação em teologia ou filosofia e tenho como grandes paixões, nesta ordem, a literatura e a história.
Alysson > Sou conteterrâneo do Felipe, mas nascido em Belo Horizonte
Alysson > Formei-me pela PUC-MG em Direito
Alysson > Se aceitei participar de uma debate desta ordem é porque sei que estaria ao lado do Felipe, que na sua condição de teólogo e cientista da religião não se cansa de me deixar à vontade para falar de teologia e religião.
Felipe > :)
Alysson > Porque, no final das contas, como fui ensinado pelo mesmo Felipe em um artigo seu publicado em livro com o qual fui presenteado no primeiro dia deste ano, num encontro relâmpago que tivemos na Rodoviária de BH, não existe uma teologia, mas várias teologias.
Alysson > E a teologia nasce não fundamentalmente nas torres de marfim de teólogos, mas no chão.
Felipe > Na terra. rsrsrs
Alysson > E a palavra teologia, dizia o Felipe neste artigo, theos-logos (discurso sobre a divindade) é um oxímoro.
Alysson > Aqui reside boa parte de minhas estupefações recentes.
Alysson > Tomás de Aquino, depois de se fatigar com os intermináveis manucritos de sua Summa, suspirou algo como “somente conhecemos verdadeiramente a Deus quando acreditamos que Ele se acha além de tudo que o homem possivelmente seja capaz de pensar de Deus.”
Alysson > A linguagem não é suficientemente hábil para apreender a divindade e descrever nosso relacionamento com ela, mas, não obstante isto, e digo por mim, estou condenado tanto a uma quanto à outra, tanto à linguagem quanto à divindade.
Alysson > Dito isto, sou levado a pensar qual tipo de discurso é o mais adequado (ou melhor, o menos inadequado) para se falar do transcendente.
Alysson > Neste particular, estou convencido por minha parca expriência que o discurso poético supera o discurso técnico. A linguageem parabólica, transversal, sugestiva, mística, alcança níveis mais profundos que a linguagem analítica, descritiva, lógica.
> Nelson Edna has left the conversation.
> Nelson Edna has been added to the conversation.
Gustavo > .
Alysson > Van Batlhasar disse, com lucidez católica, que nenhum profeta prescinde da poesia.
Felipe > Wonderful!
> Nelson Edna has left the conversation.
Gustavo > (2 minutos, Alysson)
Alysson > Termino por aqui, concordando com o Felipe que a fé é uma espécie de vertigem.
> Anyul has left the conversation.
Alysson > E por ser uma espécie de vertigem só pode ser acessada pela vertigem da poesia e da parábola.
Alysson > A melhor biografia de Francisco de Assis, por exemplo, é aquela escrita por um extraordinário poeta: G.K. Chesterton; e a razão disto, suponho, está em que só um extraordinário poeta seja capaz de captar a essência das experiências vividas por um santo.
Felipe > Alysson, Suas palavras já são santas!
Gustavo > Sim!
> Anyul has been added to the conversation.
Gustavo > Muito bem, amigos,
Gustavo > Desculpem soar como um juíz de futebol aqui.
Alysson > Francisco dizia que ele e seus amigos eram jongleurs de Dieu... bem, deixemos isso para depois
Gustavo > A intenção é apenas coordenar a conversa para não tender ao caos
Pedro - Jah é! > domadores de Deus...
Gustavo > Mas entramos justamente no segundo período agora
Felipe > No sentido de Rudolf Otto do "tremendo e fascinante".
Alysson > não, algo como acrobatas de Deus
Gustavo > em que Felipe e Alysson e eu interagimos. Vão anotando as perguntas e as opiniões aí que logo logo todos nós digitamos
Pedro - Jah é! > uhm...
Gustavo > Pois bem, a minha pergunta para os dois seria esta
Felipe > ok.
Alysson > manda
Gustavo > Se não podemos conceber Deus (completamente), se duvidamos de nossas próprias conceptualizações, então como podemos afirmar qualquer coisa? Como a incerteza é expressa na linguagem religiosa? (Com 'disclaimers'?)
Gustavo > Tipo, 'quando você morrer você vai para o céu. Ou talvez não". "Glória a Deus (mas talvez Deus não exista)"
Gustavo > Temos que ter disclaimers em tudo o que falamos? O que acham?
Felipe > Opa!
Felipe > Boas perguntas!
Felipe > Em primeiro lugar,
Felipe > Não peço desculpas pela dúvida assim como não peço desculpas por sentir fome.
Felipe > A dúvida é parte da nossa condição humana.
Felipe > Esteve, está e sempre estará lá, queiramos ou não.
Felipe > Lidar com a dúvida é outra história, tão humana como aceitar a condicionalidade da dúvida
Alysson > Que diria Hamlet, em seu mais famoso monólogo, que o extrato perfeito desta condição.
Felipe > Muito bem lembrado!
Alysson > Expressa ou não, a possibilidade de Deus não existir está sempre implícita na glória que rendemos a Ele.
Felipe > A vida é "um mar de preocupações" ("sea of troubles")
Felipe > Alguns acham que pode ser um mar de rosas.
Felipe > A maior perda de tempo nos dias de hoje é discutir a existência de Deus.
Felipe > Vamos lá,
Felipe > Se Deus "existe", ele está no campo da "existência", no campo da condicionalidade.
Felipe > Aí ele não passa de alguém como nós.
Felipe > Isso é muito bom, mas é pouco para Deus.
Felipe > Coitado dele se ele existisse, já teriam matado-o.
Felipe > Talvez Nero, ou Hitler.
Paulo - Conversa Sem nome > (ou Nietzsche)
Alysson > Sim, é o tipo de discurso que não leva a absolutamente nada e que no máximo nos trará a ideia de Deus e uma relação com ela
> Nelson Edna has been added to the conversation.
Felipe > Oops! Mas o Nietzsche não matou. Ele "anunciou" a morte. É totalmente diferente, colega Paulo.
Felipe > Discutir a existência de Deus é rebaixá-lo.
Felipe > É trazê-lo para o campo dos demiurgos.
Anyul > Right
Alysson > Rebaixá-lo a uma ideia.
Felipe > É diminuir o lado incondicional da Revelação.
Felipe > Isso é um ateísmo disfarçado de fé xiita.
Gustavo > Ao mesmo tempo, Felipe, como articular nosso acesso à Revelação?
Felipe > Ok
Nelson Edna > Estou gostando!!
Felipe > O caminho é humano, pq somos demasiadamente humanos. Nada mais que isso.
Felipe > Não dá para fugir da estrada em que estamos.
Felipe > Somos gente, de carne e osso.
Felipe > Nada há de bom em nós.
Felipe > Porque somos condicionados.
Felipe > A condição humana em si é trágica.
Felipe > A salvação é divina.
Felipe > Não depende de mim.
Gustavo > Sei que o Alysson está louco para falar
Gustavo > Mas permita-me prosseguir na ideia
Felipe > rsrsrs Sorry.
Gustavo > Qual é a consequência disso para nossa linguagem? Porque dás a entender que nossa linguagem está fadada a ser completamente humana
Alysson > É terrível debater com quem você concorda; no que me toca, só com o sangue é que se tem acesso à revelação; e só se pode articular isto, a revelação nos penetrando veia adentro, pelo discurso poético
Felipe > Gustavo,
Felipe > Porque somos humanos.
Felipe > Só isso.
Felipe > Não somos deuses.
Gustavo > Eu não tenho problema nenhum com isso. Concordo.
Gustavo > Estou tentando entender a linguagem que comumente utilizamos nos meios religiosos
Gustavo > Estão aí ainda?
Gustavo > Estou pensando em como construímos "Deus"
Gustavo > Desculpa, caí por algum motivo
Felipe > ok
> Turco has been added to the conversation.
Alysson > beleza
Gustavo > Ok, acho que estão todos aqui de novo
Felipe > A poesia, a arte, é o artifício que nos re-vela uma realidade que não é nem a realidade que vivemos, nem a realidade transcendente.
Felipe > Acho que ela desempenha uma posição de fronteira entre o imanente e o transcendente.
Felipe > Pego carona no Alysson.
Felipe > rsrsrs
Alysson > Ela rouba o fogo de Zeus, por assim dizer.
Felipe > É Prometeica!
Felipe > Isso mesmo!
Rolf & Brenda Fürstenau > Felipe diz: Gustavo, Porque somos humanos. Só isso. Não somos deuses. Gustavo saiu da conversa. Felipe diz: Exatamente, Acho que a arte, a poesia, ela toca uma outra dimensão...
Gustavo > Alysson, o que você quis dizer?
Alysson > Um abraço Patrick
Alysson > Em relação a linguagem?
Gustavo > "Ela rouba o fogo de Zeus, por assim dizer." Estavas falando da poesia?
Pedro - Jah é! > pessoal, acabei nao participando propriamente, mas vou sair
Alysson > Sim, estava me referindo ao que o Felipe disse, sobre a poesia situar-se na fronteira entre o imanente e o transcendente. Eu diria que ela é a única estrada que liga estas duas dimensões.
Gustavo > Ok , Pedro, obrigado pela presença.
Pedro - Jah é! > deixo aqui meu blog pessoal www.justicaintegral.blogspot.com ou meu email pedrojustica@gmail.com
Pedro - Jah é! > abração! e espero que ainda entremos em contato!
Pedro - Jah é! > ok, abraçs
Alysson > E é menos uma estrada que um senda frágil e a ser desbravada.
> Pedro - Jah é! has left the conversation.
Alysson > abração Pedro
Alysson > Ela é Prometeu roubando o fogo de Zeus e trazendo faíscas pra alimentar a sede de transcedente da humanidade
Felipe > Isso me lembra o Adão, no Jardim de Delícias.
Felipe > Bendito fruto comido!
Felipe > Transicionamos do mundo transcendente para o imanente.
Alysson > Sim
Gustavo > Interessante que eu estava lendo um livro sobre teologias pós-modernas
Gustavo > e o autor citou um filósofo francês
Alysson > E a tradição patriarcal cometeu o pecado original de considerar isso o pecado original
Gustavo > em que ele dizia que a Ciência não era mais adequada como base para a Filosofia
Gustavo > Mas que a Literatura seria mais adequada
Felipe > Concordo.
Felipe > Até porque a literatura lida com o mito o tempo todo.
Felipe > E mito é narrativa.
Alysson > também, embora tenha relutância em considerar-me pós-moderno
Felipe > Nossa história sagrada é mitológica sempre.
Felipe > É narrativa sempre.
Gustavo > Felipe, Paul Tillich não tem um livrão grande de Teologia Sistemática?
Felipe > Um não. Três.
Gustavo > Puxa
Felipe > No Brasil, a EST publica tudo em um.
Felipe > Mas são três volumes, lançados em épocas diferentes.
Alysson > Bem, perdoe-o, porque ele não sabe o que fez
Felipe > Um sobre Pai, outro sobre o Filho e outro sobre o Espírito.
Felipe > kkkkkkkkkkkk
Gustavo > Pois é, fico me perguntando que papel têm as categorias hoje em dia
Turco > como assim não sabe o q fez?
> Rolf & Brenda Fürstenau has left the conversation.
Alysson > foi um gracejo, Turco
> Rolf & Brenda Fürstenau has been added to the conversation.
Alysson > a Teologia Sistemática do Tillich está aqui na minha estante
Alysson > embora eu prefira a teologia sistemática de Carlos Drummond ou T.S.Eliot
Gustavo > A pergunta, é é a minha última antes de abrir para todos, seria mais ou menos assim:
Felipe > Alysson, eu te amo!
Gustavo > estamos diante de uma descontinuidade ?
Felipe > Gustavo,
> ' (H) Nahor Jr. (H) has been added to the conversation.
Felipe > Por pós-modernidade se entende exatamente isso.
Alysson > :P
Felipe > Não há tanto uma meta-narrativa.
Felipe > Não mais podemos falar em grandes explicações.
Felipe > Só em fragmentos.
Felipe > Micro narrativas.
Alysson > Mas isso não é uma completa descontinuidade; a ideia de micro narrativas já esteve presente em civilizações da Idade do Bronze
Felipe > Mas Gianni Vattimo me ensina que não é mais possível apelar para um fundamento metafísico. Logo, não há mais origem.
Alysson > o que ocorre é que a tradição patriarcal, com sua tendência a metanarrativas, varreu do mapa o que não condizia com seus fins
Gustavo > Ok, amigos, entramos no último período agora. Abrimos agora para perguntas do público
Felipe > ok
> Rolf & Brenda Fürstenau has left the conversation.
Gustavo > Anyul, if you want to ask anything in English , feel free to do so
Anyul > Thanks, gustavo
> Anyul has been added to the conversation.
Gustavo > Alguém? Alguma pergunta? Senão eu tenho umas 20 aqui.
> Rolf & Brenda Fürstenau has been added to the conversation.
Turco > sem perguntas
Anyul > I'm trying to catch up with the conversation
Paulo - Conversa Sem nome > Queria saber na experiência dos dois como essa transição da Teologis Sistemática para a "Teopoética" (se é esse o termo) se dá fora do meio acadêmico..
Paulo - Conversa Sem nome > (eu tenho duas, essa é a primeira)
> marcelo@connection.inf.br has been added to the conversation.
Felipe > Olha,
Felipe > Paulo,
> julianosantos3@hotmail.com has been added to the conversation.
> mauricio@redel.com.br has been added to the conversation.
Felipe > Quero lembrar da teóloga Sallie McFague, para quem a teologia é metafórica.
> juliano@bmcpublicidade.com.br has been added to the conversation.
Felipe > E sempre o foi.
Felipe > Ela lembra das parábolas de Jesus.
Alysson > E os deliciosos mitos de todas as tradições religiosas
Felipe > Lendo-as com carinho, veremos o quanto há de poesia ali. Aliás, o melhor livro do meu ano continua sendo "A volta do filho pródigo", de Henry Nowen, baseado numa dessas teopoéticas de Jesus.
Gustavo > Têm certeza que vocês são Batistas? :)
juliano@bmcpublicidade.com.br > Qem e vc
Felipe > Princípio batista inalienável:
Alysson > Sou cada vez mais católico
Felipe > "Liberdade de consciência"
Gustavo > (Juliano, o Rolf deve ter adicionado-o a este debate sobre Filosofia e Religião)
Alysson > sim, inclusive para ser mais católico que batista
> jrcosta77@gmail.com has been added to the conversation.
Gustavo > Entendo. É que historicamente a hermenêutica parece-me diferente da maioria.
Felipe > A catolicidade é o que Tillich chamava de "substância". Vc está certo Alysson. Só que ela depende do princípio iconoclasta, protestante.
Alysson > mas, voltando a pergunta do Paulo: parece-me que a transição foi contrária: da teopoética de Jesus para a teologia de Calvino
Alysson > no meio acadêmico, digo
> juliano@bmcpublicidade.com.br has left the conversation.
Alysson > Esse princípio já é instititivo em mim
Felipe > Gustavo, Eu não acho que gente como Jesus tinha uma hermenêutica como parecida com a "maioria".
Felipe > Nenhum profeta está no lugar da "maioria".
Alysson > e levado as últimas consequências, foi ele que provocou este "holocausto da alma", cujos resultados estão nos templos quadrados e despidos de símbolos de nossas igrejas batistas
Felipe > Aliás, qual é a validade da "maioria", a não ser institucionalmente falando?
Gustavo > Sim. O que quis dizer é que é bem interessante ouvir falar de uma hermenêutica que considera o mito e a poesia no texto
Gustavo > Ao mesmo tempo é bem diferente do que cresci ouvindo nas igrejas.
Turco > Alysson, podes explicar estas afirmação: parece-me que a transição foi contrária: da teopoética de Jesus para a teologia de Calvino no meio acadêmico, digo e levado as últimas consequências, foi ele que provocou este "holocausto da alma", cujos resultados estão nos templos quadrados e despidos de símbolos de nossas igrejas batistas
Felipe > Preparem os ouvidos...
Turco > se entendi bem estás culpando Calvino por algo...
Nelson Edna > ;)
Alysson > me referia ao princípio protestante de Tillich, de que falava o Felipe, e sua tendência iconoclasta
Alysson > eles provocaram o que alguém chamou de "holocausto da alma"
Turco > hum...ok
Felipe > Exatamente.
Alysson > a morte de toda interpretação simbólica da Bíblia, a destruição de todos os símbolos e paramentos
Alysson > em uma palavra, a morte da beleza
Alysson > e portanto, Paulo, da teopoética
Felipe > É só visualizar um pastor batista levantando o pão e o suquinho de uva dizendo que comprou tudo ali na padaria. Isso é um iconoclastismo exagerado. É quase um ateísmo simbólico.
Alysson > eca
Alysson > e você tomando aquilo tendo como paisagem a nuca do irmão da frente
Alysson > que comunhão belíssima!
Felipe > Lembro do sociólogo Antonio Gouvea Mendonça, de acordo com quem onde há falta de símbolos há um crescente moralismo.
Alysson > e que rito!
Gustavo > Fico pensando se não culpamos a Reforma muito rapidamente ao mesmo tmepo
Gustavo > tempo
Nelson Edna > :)
marcelo@connection.inf.br > Ahahahha caraca meu, eu que sou um punk
Gustavo > Não haveria já na igreja da idade Média um certo medo do belo
Felipe > Mas a Reforma teve três movimentos...
marcelo@connection.inf.br > underground cristao to bebado com esse papo nerd ai de vces
Gustavo > como desejo
marcelo@connection.inf.br > Ahahhahah, parabens vces sao muito inteligentes
> Tuca Lopes has left the conversation.
Felipe > Imagine os movimentos da Reforma em dois extremos...
Felipe > Direita e esquerda...
jrcosta77@gmail.com > opa...boa noite ae a todos
Felipe > À direita, estão aqueles que querem reformar a Igreja Católica e Apostólica, preservando toda a sagrada tradição cristã.
jrcosta77@gmail.com > o assunto está bom aqui
jrcosta77@gmail.com > mas queria só entender, quem me inseriu aqui nesse chat? rsrsrs
' (H) Nahor Jr. (H) > Onde a unidade cristã entra nisso tudo?
Felipe > À esquerda estão os mais radicais, os porra-loucas que queriam destruir toda a tradição simbólica da igreja.
Gustavo > (Apresentando Nahor: faixa-preta em Filosofia. Faixa-preta em Ecumenismo)
Anyul > The anabaptists
Gustavo > (e professor)
' (H) Nahor Jr. (H) > rsrsrsrsrsrs
Felipe > E os batistas são filhos deste radicalismo todo.
Alysson > Santa Nahor
Felipe > That's right, the anabaptists
Alysson > a união se foi na Reforma
Alysson > Santo
Alysson > perdão
' (H) Nahor Jr. (H) > :)
Felipe > A reforma foi uma praga para a unidade cristã.
Felipe > Infelizmente.
Felipe > Tudo tem seu lado ruim. E essa é a chaga protestante.
Felipe > Carregaremos sempre o fardo de termos marcado a igreja cristã para sempre.
Alysson > como disse um amigo; para os protestantes, nada que tenha acontecido antes de 1500 interessa
Gustavo > Como assim, Felipe? Poderias caracterizar melhor o problema?
marcelo@connection.inf.br > Concordo com vce felipe eu ate acho que deveria voltar a venda de indulgencia
Alysson > talvez nem mesmo Cristo
marcelo@connection.inf.br > Deveriamos ate voltar com as torturas
Turco > permitem-me um ponto-de-vista anglicano da reforma?
Felipe > Pera aí.
Gustavo > O que dizer das rupturas das igrejas Ortodoxas, Oriental , etc através da História?
Felipe > E as igrejas reformadas não torturaram?
Felipe > Esse não é um privilégio de católicos, meu caro.
Nelson Edna > Algum antropólogo por aqui ?
Felipe > O protestante é tão mau quanto.
marcelo@connection.inf.br > Ah e pra que jesus se vces tem um papa. Mais famso e adorado que o proprio deus
Felipe > Caia na real!
Gustavo > Ok, amigos, vamos tentar coordenar aqui um pouco mais para todos participarem e para tentarmos dar mais chance dos debatedores responderem às questões
Nelson Edna > Algum professor além do Nahor?
jrcosta77@gmail.com > pessoal, entao
jrcosta77@gmail.com > eu queria saber quem me inseriu aqui nesse chat
Gustavo > O Nahor fez uma pergunta
jrcosta77@gmail.com > o assunto esta excelente
jrcosta77@gmail.com > queria participar
jrcosta77@gmail.com > cponheço alguns, mas nao todos
jrcosta77@gmail.com > e acho um pouco de falta de bom senso sair postando coisas aqui ]
Gustavo > Nahor, Alysson ou Felipe alguma outra colocação?
Felipe > Eu não falei do terceiro movimento da reforma
Gustavo > (jrcosta77@gmail.com: você quer participar? Alguém incluiu você. Se não quiser participar, avise.)
Felipe > ele ficou no centro.
jrcosta77@gmail.com > eu quero
> bernardosophia@hotmail.com has been added to the conversation.
Gustavo > Ok. Com a palavra o Felipe, o Nahor e o Alysson
Felipe > Dizem que neste grupo estão presbiterianos e metodistas, mas do jeito que a coisa está hoje, com o fundamentalismo cada vez mais crescente, acho que o presbiterianismo tende a se vender para o movimento mais esquerdista.
' (H) Nahor Jr. (H) > Bem, perguntei sobre a unidade cristã na Reforma pelo fato de encontrar em alguns participantes uma visão relativista? O que seria então?
' (H) Nahor Jr. (H) > Seria o fundamentalismo um relativimo?
Felipe > Sim. Com certeza.
Paulo - Conversa Sem nome > (eu tô curioso com o 3º movimento de reforma)
Felipe > O fundamentalista relativiza todas as outras verdades e admite apenas uma.
Felipe > Por isso,
Felipe > o fundamentalismo é um movimento moderno.
Felipe > Muita gente acha que é coisa do passado.
Felipe > Mas é um método muito moderno de relativizar qualquer outra possibilidade, elegendo uma como suprema.
Felipe > E isso de modo racional.
Felipe > Veja os artigos sobre os fundamentos.
Felipe > Foram escritos por acadêmicos.
Alysson > E com um carta contendo os fundamentos.
Felipe > Não é gente burra não.
Alysson > sim
Felipe > O maior fundamentalista brasileiro é chanceler de uma universidade grande em SP.
Felipe > O cara tem formação boa.
Felipe > Ele optou seguir uma linha.
Felipe > Ao modo bem moderno.
marcelo@connection.inf.br > Encerro minha participacao dizerndo que catolicos nao tem nenhuma moral pra falar nao sobre cristianismo porque nunca foram cristaos. Protestantes sao usurpadores e terroristas psicologicos do povo. Eu fico fora desse institucionalismo doente e corrompido. Me afasto disso e busco somente me aproximar de Deus atraves do meu Senhor Jesus Cristo. Busco seguir sua palavra deturpada hoje por todos.
Felipe > Marcelo,
jrcosta77@gmail.com > vixi...
Felipe > Só acho que, depois da teologia paulina, "moral" ninguém tem.
Felipe > Estamos todos "separados" de Deus. Somente a graça pode nos salvar.
Paulo - Conversa Sem nome > (Acho que nem vale a pena dar atenção ao que o marcelo, ele já vai sair, e o que ele diz eu vejo latente na obra de Agostinho)
' (H) Nahor Jr. (H) > Cristianismo seria individual, Marcelo?
Felipe > Tudo o que há de bom em nós é obra divina.
> Alysson has left the conversation.
Felipe > Somos "perdidos", "pecadores". Leia os mitos de nossa origem e veja. Só há tragédia.
marcelo@connection.inf.br > Santo agostinho ? Nem sei que 'e esse cara
Felipe > Nossa salvação só foi possível porque houve uma tragédia divina. Ela nos resgatou.
Gustavo > Perguntas, amigos?
Gustavo > Qual a próxima pergunta?
jrcosta77@gmail.com > pessoal
jrcosta77@gmail.com > bem
Felipe > Porque não encontrou "lugar" (topos) aqui.
marcelo@connection.inf.br > Somente expressei o que penso e a realidade que vejo nos dias de hj
Gustavo > (Alysson? Estás aqui?)
Felipe > Volto a dizer o que disse no início. Só conheço um Deus que tenha a cara da gente, não da instituição.
Felipe > Que tenha a cara da Justiça.
Nelson Edna > Não fez Deus o homem bom conforme Gn.? A cruz de Cristo é para agradar a Deus ou aos homens?
jrcosta77@gmail.com > eu não sou acadêmico, mas pelo amor ao Reino e o serviço à comunidade tenho me voltado sim à estudos mais profundos em teologia e eclesiologia e acredito que tratar desses assuntos é fundamental para a formação espiritual em tempos pós-modernos...
Anyul > :)
Felipe > Porque, em última instância, somos todos farinha do mesmo saco.
Paulo - Conversa Sem nome > Felipe, minha inquietação é saber como você reconcilia a sua convivência com uma comunidade Batista tendo isso em seu pensamento.
bernardo > estão anulando o DEUS da intiuição e criando o se
bernardo > seu
Felipe > Paulo,
bernardo > derrubam os idlos d o senso comum,e agora criam otro idolo
Felipe > Primeiramente,
> Anyul has left the conversation.
Felipe > Temos que entender bem os nossos valores.
> Anyul has been added to the conversation.
> jrcosta77@gmail.com has left the conversation.
Felipe > Acho que, batistas, católicos, presbiterianos, whatever, somos todos gente.
Felipe > E por ser gente,
Nelson Edna > Acho que necessitamos sair do superficial aqui meus amigos.
Anyul > (Lost my connection)
Felipe > podemos, em diversas situações, ou legitimar a injustiça ou promover transformação.
' (H) Nahor Jr. (H) > certíssimo, Felipe
Felipe > Isso está para além de ser membro de uma instituição, cara.
Gustavo > Falando em transformação, sugiro que incluamos a política aqui.
bernardo > vixi politica?
Nelson Edna > ;)
Gustavo > Felipe ou Nahor ou Nelson ou Alysson:
Anyul > What's your point, nelson?
Nelson Edna > ok
Gustavo > Pensando no divino como expresso no dia-a-dia, no cotidiano
Nelson Edna > english or portuguese
' (H) Nahor Jr. (H) > Que tipo de política? Partidária? Ou o sentido político que está na essência humana, oriundo dos gregos?
Paulo - Conversa Sem nome > (meus nervos anabatistas tremeram com a palavra política)
Gustavo > qual é a relação que tem a política com a teologia?
bernardo > foi boa nahor
Gustavo > Política brasileira, política como jogos de poder
Anyul > Portuguese, Nelson
Gustavo > Política no nosso contexto. Não saberia falar sobre os Gregos
Nelson Edna > :'(Pensei que íamos falar dos gregos
bernardo > kkkkkkkkkkkkkkk
Gustavo > Bem, se conseguir ir dos Gregos para os Brasileiros, tudo bem
Gustavo Abadie > Tocaio, existe abertura para opinião antes de retirar-me?
Gustavo > Estou tentando fazer a conversa continuar pé-no-chão
Gustavo > Certamente, Abadie
Gustavo > Prossiga
Nelson Edna > Gostaria de ouvir o Turco
Gustavo > (Turco = Gustavo Abadie)
Nelson Edna > mean ler...
Gustavo > (Eu sou o Gustavo K-fé)
Gustavo > Abadie, prossiga
Gustavo Abadie > aqui na EST, temos brincado um pouco com este tipo de teologia...poética e especulativa...
Gustavo > (A tempo: se alguém mais tiver perguntas para o Felipe e o Alysson, pode mandar por email para mim que vou repassar para eles. semnome@conversasemnome.com )
Alysson > vc estuda na EST?
Gustavo Abadie > é bom como exercicio teológico....
Gustavo > (EST = Escola Superior de Teologia, em São Leopoldo, RS)
Alysson > sim
Alysson > bem conceituada, não?
Gustavo Abadie > mas dificilmente desse o morro quando em sua aplicabilidade comunitária
Gustavo Abadie > especialmente quando ela se arroga exclusividade.
Paulo - Conversa Sem nome > [mas dificilmente desse o morro quando em sua aplicabilidade comunitária] eis o meu ponto
> pauloqueirozmm@hotmail.com has left the conversation.
Nelson Edna > Meu brother Eliacin está mandando um abraço à todos. Infelizmente não pode participar.
Anyul > :D
Anyul > (Y)
Anyul > (Y)
Anyul > ({) (})
Gustavo Abadie > enfim...encontrei algumas contradições nas teses do Felipe, como procurar uma teologia com a sua cara, na medida que trabalha com teologia essencialmente européia....vide Tillich, Kierkegaard (que é meu texto de cabeceira), Pannenberg....
Gustavo Abadie > mas isso é papo para outra hora...
Gustavo Abadie > Bom participar....e prazer em conhecê-los
Felipe > N
Nelson Edna > Abraço Gustavo!
Felipe > Não vejo assim.
Felipe > A teologia dialoga com a situação.
Felipe > Isso é básico em quem lê Tillich.
Felipe > A coisa mais impossível é querer achar que vc vai falar em termos contextuais apenas.
Felipe > A situação é apenas uma parte da teologia.
Alysson > Que Tillich, se estive entre nós, não seria mais o Tillich da Sistemática dá testemunho aquele que acho que seja o último livro publicado por ele
Felipe > Há uma correlação entre "Mensagem" e "Situação".
Alysson > qual o nome Felipe?
> Gustavo Abadie has left the conversation.
Nelson Edna > Gosto de Tillich. Mas não seria ele muito conservador?
Alysson > É uma ironia?
Felipe > Vc se refere a "O Cristianismo e o encontro das religiões mundiais"
Nelson Edna > Digo para hoje?
Alysson > sim
> ' (H) Nahor Jr. (H) has been added to the conversation.
Felipe > Não sou dogmático em termos de Tillich. Mas não sou idiota. Não dá para querer inventar a roda. Antes de 2010, houve talvez o último grande esforço teológico dos tempos modernos, do qual o pensamento tillichiano foi uma grande expressão.
Nelson Edna > Por que antes de 2010?
Felipe > Levado às últimas consequencias, a correlação entre mensagem e situação não é conservadora.
Felipe > *Levada
Gustavo > Gostaria de fazer uma pergunta ao Alysson sobre História.
Alysson > por favor
> bernardo has been added to the conversation.
Gustavo > Como você vê a relação entre religião e História na História recente, digamos, dos últimos 40 anos, do Brasil ?
Gustavo > A pergunta é genérica.
> pauloqueirozmm@hotmail.com has been added to the conversation.
Gustavo > Alysson?
Gustavo > Alysson escreveu: "Não é algo de meu domínio; mas todos sabemos que essa relação é a mais contraditória possível na história recente do país. Temos a teologia da libertação com suas nuances marxistas e libertárias e que reclama uma relação mais íntima entre a religião a política, como temos, mais recentemente teologias politicamente narcóticas, por assim dizer, formatadas no modelo capistalista d"
Gustavo > "de consumo."
Gustavo > Ok
Paulo - Conversa Sem nome > deu certo
Alysson > Não é algo de meu domínio; mas todos sabemos que essa relação é a mais contraditória possível na história recente do país.
Alysson > não aceita textos longos
Alysson > Temos a teologia da libertação com suas nuances marxistas e libertárias e que reclama uma relação mais íntima entre a religião a política, como temos, mais recentemente teologias politicamente narcóticas, por assim dizer, formatadas no modelo capistalista de consumo.
Alysson > agora sim
Nelson Edna > Tenho uma pergunta ao Alysson
' (H) Nahor Jr. (H) > Eu tenho dificuldades para compreender teologias que validam o capitalismo. Poderias me dar um exemplo concreto?
Alysson > Falar de teologia da prosperidade seria um senso comum; o calvinismo valida o capitalismo, e Weber nos mostrou isto
Gustavo > Paul Freston, sociólogo brasilófilo, considera a Teologia da Prosperidade neutra politicamente
Felipe > Isso não é verdade.
Gustavo > Ele afirmou aqui em Brasília que ela tem até tendido à esquerda como bloco
Alysson > no que diz respeito a política, nada é neutro
Felipe > Uma leitura muito pobre e preguiçosa mesma, eu diria.
Gustavo > quis dizer, de centro
Rolf & Brenda Fürstenau > tem atendido a uma esquerda "light", né? social-democrata...
Alysson > acho que ela e seus asseclas são sanguessugas políticas
Gustavo > Sei que está ficando tarde, mas se concordarem talvez o Alysson ou o Felipe possa resumir como vêem o atual contexto político brasileiro
Alysson > usam a política como forma de fortalecer seus impérios
Felipe > A teologia da prosperidade prega que o indivíduo precisa alcançar uma vida bem-sucedida, apostando em rituais. E isso tem uma relação direta com uma política "oportunista".
Alysson > sim
Felipe > Não é nada de "tender à esquerda".
> bernardo has left the conversation.
Alysson > oportunismo é a palavra
Gustavo > Eu perguntei a um amigo meu Católico, envolvido com a Teologia da Libertação, o que aconteceu nos últimos 30 anos.
Felipe > É puro oportunismo.
Felipe > O bloco político chamado "evangélico" é um bando de gente louca por poder. Só isso.
Alysson > ele só tenderá à esquerda, se for a "esquerda" a lhe dar os maiores benef;icios
Gustavo > Ele disse que "nós viramos governo". Eu perguntei pra ele para onde foi todo aquele espírito de protesto, toda aquela efervecência política dos anos 60 e 70
Gustavo > Sim, prossigam.
Nelson Edna > E a dos anos 30!
' (H) Nahor Jr. (H) > Existe uma apatia teológica atualmente.
' (H) Nahor Jr. (H) > Não há comprometimento na sociedade.
Felipe > Pelo contrário.
Felipe > Vejo engajamento.
Felipe > Pessoal.
Felipe > Pois com a pós-modernidade, até as ideologias se diluíram.
> Anyul has left the conversation.
Nelson Edna > Gente, foi ótimo poder estar com vcs. Mas infelizmente preciso ir...Forte abraço à todos!
Gustavo > Certo , Nelson
Gustavo > Entendo que está tarde
Gustavo > Passamos em muito do nosso horário
' (H) Nahor Jr. (H) > Qual engajamento, Felipe?
Rolf & Brenda Fürstenau > no continente esta acontecendo a Revolução Bolivariana
> Nelson Edna has left the conversation.
Felipe > Digo
Felipe > Nahor
Felipe > Um engajamento pessoal
Rolf & Brenda Fürstenau > quanto ao governo, muitos estão em apoio a Marina hoje
Felipe > Uma consciência de que posso exercer meu papel transformador no lugar em que estou.
Rolf & Brenda Fürstenau > e no PSOL tb
Rolf & Brenda Fürstenau > no MST
Alysson > eu diria que é uma desinstitucionalização da política
Alysson > ou, no mínimo, uma política sem governo
Gustavo > Ao mesmo tempo, Alysson, me pergunto o que é essa nova organização
Gustavo > Se é sem as meta-narrativas, sem as grandes Verdades e sem as instituições
Gustavo > o que é essa política coletiva?
Gustavo > Que contrato social é esse?
' (H) Nahor Jr. (H) > Amigos, gostei do debate e da ideia da Conversa Sem Nome. Pena que estou aqui participando e fechando médias ao mesmo tempo. Mas terei imenso prazer em participar mais!
Gustavo > Certo, Nahor
' (H) Nahor Jr. (H) > Abraço a todos! Fiquem com Deus! (DEUS????)
Gustavo > Muito obrigado por suas ponderações.
' (H) Nahor Jr. (H) > rsrs
Alysson > abraços
Rolf & Brenda Fürstenau > e eu tambem preciso ir dormir
Rolf & Brenda Fürstenau > amanhã vamos acordar cedo
Rolf & Brenda Fürstenau > foi um prazer
Rolf & Brenda Fürstenau > abraços
Gustavo > Ok, amigos, encerramos por aqui
Rolf & Brenda Fürstenau > boa noite
Gustavo > Fiquem à vontade para mandar ideias por email
Gustavo > Ou perguntas ao Felipe e ao Alysson (sem promessa de resposta)
Gustavo > Ou ideias complementares
> Rolf & Brenda Fürstenau has left the conversation.
Gustavo > semnome@conversasemnome.com
Gustavo > Muito obrigado ao Felipe e ao Alysson
Gustavo > pela participação e ideias.
Felipe > Imagina.
Felipe > Espero que tenha sido proveitoso.
Gustavo > Foi o primeiro debate e estamos ainda sondando as águas para ver como a tecnologia e os formatos podem acontecer.
Gustavo > Certamente que sim.
> ' (H) Nahor Jr. (H) has left the conversation.
Alysson > sou eu a agradecer, cara
Alysson > valeu pelo espaço aberto
Thursday, May 06, 2010
Conversa Sem Nome | Conversación Sin Nombre
Começamos a Conversa Sem Nome | Conversación Sin Nombre. A Conversa Sem Nome é uma ideia que associa amigas e amigos. Essa conversa gira em torno do tema "Deus" no contexto latinoamericano. As pessoas envolvidas na Conversa Sem Nome assumem apenas um compromisso: o de conversar.
Nesse aspecto, a Conversa Sem Nome é minimalista: não é nada mais do que amigos e amigas dispostos a conversarem. E não é nada menos do que isto, pois conversar implica em doar e expôr parte de si.
Na verdade não estamos "começando" a conversa. Conversas já existem. Queremos pôr em evidência estas conversas. Queremos torná-las públicas.
Como participar da Conversa Sem Nome? Interaja nos lugares e com meios já existentes: blogs, portais, fóruns de discussão, e-mail, telefone, Twitter, pessoalmente, etc.
Também:
- Participe do grupo no Facebook
Nesse aspecto, a Conversa Sem Nome é minimalista: não é nada mais do que amigos e amigas dispostos a conversarem. E não é nada menos do que isto, pois conversar implica em doar e expôr parte de si.
Na verdade não estamos "começando" a conversa. Conversas já existem. Queremos pôr em evidência estas conversas. Queremos torná-las públicas.
Como participar da Conversa Sem Nome? Interaja nos lugares e com meios já existentes: blogs, portais, fóruns de discussão, e-mail, telefone, Twitter, pessoalmente, etc.
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. Envie e-mails sobre todos e quaisquer assuntos relacionados a "Deus".
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- Inclua o hashtag #csnome em seus tweets (isto é, mensagens no Twitter).
Vamos também coordenar alguns debates. Aguardem mais informações sobre os debates.
A Conversa Sem Nome está no ar. Vamos conversar?
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