Trecho do livro "Widening the Circle: Experiments in Christian Discipleship".
Trecho do capítulo "Equipes Cristãs de Ação pela Paz: Uma Caminhada de Libertação" (Christian Peacemaker Teams: The Journey of Liberation)
Por Tim Nafziger
[...]
A Fundação das Equipes Cristãs de Ação pela Paz (CPT)
Em 1984, Ron Sider fez um discurso na Conferência Mundial Menonita em Strasbourg, na França. O discurso acabou simbolizando a fundação das Equipes Cristãs de Ação pela Paz (CPT). Sider expôs uma visão grandiosa de pacificadores às centenas de milhares descendo em zonas de conflito trazendo justiça aos oprimidos e paz a facções em guerra:
A menos que nós estejamos prontos a morrer aos milhares em novas tentativas dramáticas e fortes pela paz e justiça, nós devemos tristemente confessar que nós nunca realmente quisemos dizer o que dissemos, e que não devemos nunca sussurrar uma outra só palavra sobre pacifismo às nossas irmãs e aos nossos irmãos naquelas terras desesperadas cheias de injustiça.
Para a maioria dos Menonitas até então, alternativas para a guerra haviam sido na maioria das vezes colocadas em termos de serviço voluntário. Objetores de consciência durante a II Guerra Mundial e Vietnã gastaram seus tempos trabalhando em silêncio como serventes em hospitais ou como parte dos Civilian Conservation Corps em parques nacionais. A visão de Sider de adentrar ousadamente no palco mundial como protetores dos pobres e oprimidos foi animadora e profundamente atraente. Líderes de igreja Anabatistas pediram que a Seção de Paz do Comitê Central Menonita explorasse mais a ideia.
Frequentemente passavam-se desapercebidas histórias de ativistas pacifistas que estavam fazendo trabalho de acompanhamento em silêncio em áreas em conflito por décadas. Hedy Sawadsky - membro do comitê diretivo das CPT de 1986 a 2010 é um bom exemplo desse padrão.
Similarmente, Gene Stoltzfus e Dorothy Friesen trabalharam ao lado de Filipinos, desafiando o regime de Marcos. Marilen Abesamius, uma Filipina que trabalhou com Gene e Dorothy, disse "... A caminhada de Gene conosco durante aqueles momentos difíceis nos ajudou imensamente mas também ajudou-o a transformar sua parte do mundo, e no seu testemunho criativo pela paz global - reverberando assim como a vibração de uma borboleta - através do mundo."
Uma dessas reverberações foi a crianção do Synapses, fundada em 1981 por Gene e Dorothy, junto com Joan Gerig e Orlando Redekopp depois que voltaram do trabalho com o Comitê Central Menonita fora dos Estados Unidos. Synapses trabalhou para apoiar a luta pela paz e justiça nas Filipinas, América Central, e África do Sul. A co-diretora atual da CPT Carol Rose e a coordenadora de treinamento da CPT Kryss Chupp trabalharam com a Synapses no início dos anos 80.
Em 1983, Kryss e Gene faziam parte da delegação para Honduras e Nicarágua e viram em primeira-mão a devastação dos ataques dos Contras financiados pelo governo dos Estados Unidos. Os Contras eram grupos armados lutando para derrubar o governo Sandinista na Nicarágua. A delegação também testemunhou as mentiras que apoiaram a guerra. "Nós falávamos sobre como trabalhar com um governo que mente constantemente", disse Steve Wiebe-Johnson, que esteve na viagem. "Como a igreja responde?"
Mas entre as igrejas pacifistas históricas, o chamado baseado nos evangelhos a desafiar a opressão do governo dos Estados Unidos estava limitado a uma pequena minoria. Junto àqueles já nomeados acima, Bob Hull, Peter e Mary Sprunger-Froese [...], Al Zook, e Peter Ediger estavam ativamente desafiando o militarismo dos Estados Unidos de várias formas. Depois do discurso de Sider, esses ativistas, já compromissados em trabalhar por justiça e desafiando o império, se deram conta de que havia uma oportunidade de atrair um grupo maior. Essa visão de pacificação, eles concordavam, incluía táticas como ação direta não-violenta e advocacia política.
Em 1986, Gene ajudou a reunir líderes de igrejas pacifistas históricas, bem como ativistas, para falar sobre como que este movimento poderia ser. Como Gene posteriormente descreveu este encontro nas Torres Techny em Chicago, "Deus concedeu um espírito de unidade ao encontro de cem pessoas e enviamos um chamado para a formação da CPT". Dorothy e Hedy, nomeadas como membros-gerais ativistas do primeiro comitê organizador, trabalharam muito nas reuniões de planejamento para manter a CPT direcionada para a ação e engajamento com o mundo ao invés "da produção de literatura de paz". Em 1988, Gene foi nomeado diretor da nova organização.
[...]
Tradução de Gustavo K-fé Frederico
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Saturday, January 28, 2012
Tuesday, March 16, 2010
Mundo, Missão, e Igreja - 4 - T.V. Philip
Fonte: http://www.religion-online.org/showchapter.asp?title=1573&C=1521
Leia também a parte anterior, a parte 3.
Esta redescoberta do mundo no movimento missionário teve repercussões no movimento ecumênico como um todo. Colin W. Williams fala de uma mudança radical no foco do movimento ecumênico. Ele ressalta o fato de que no período entre as Assembléias do CMI de Amsterdã (1948) e Evanston (1954), sentiu-se que a procura por uma tradição comum por trás das várias tradições era mais um olhar para dentro, e portanto, a pessoa deve não somente procurar continuidades visíveis (como Palavra e Sacramento) mas também o evento da obediência à missão de Cristo. Unidade é dada não somente em continuidades históricas; é um presente que é recebido apenas quando o chamado para missão é obedecido. Neste período deu-se conta de que não é suficiente tenter resolver os problemas de eclesiologia adicionando 'missão' à marca clássica da igreja. O que é necessário é mover a eclesiologia para fora do centro da preocupação teológica, pois assim que a eclesiologia torna-se central, ela é falsificada. O caminho para uma verdadeira eclesiologia deve ser
indireta, pois a igreja foi feita não para ser um fim em si mesma mas a serva da missão de Deus no mundo.
Pelo final da década de 60, emergiu no movimento ecumênico um consenso geral de que os problemas eclesiológicos poderiam somente serem resolvidos ao ir primeiro além da igreja e fazendo a pergunta sobre a missão de Deus no mundo. Teólogos falaram da igreja em termos funcionais, como um projeto - um caminho de obediência que deve ser continuamente moldado dentro da situação particular na história sob a luz do propósito derradeiro de Deus para a história. Eles afirmaram que o papel da igreja não era atrair o mundo para dentro da ordem da igreja. Nós devemos parar de pensar na salvação derradeira do mundo como um processo no qual o Senhorio de Cristo sobre o seu Corpo é expandido até que enfim ele atrai o mundo inteiro para dentro do seu domínio. A igreja é a serva da luta de Cristo para trazer nova vida às comunidades do mundo, à Sua criação como um todo. A luta para revelar o Senhorio de Cristo sobre sua criação deve ser relacionada às verdadeiras lutas do povo nas estruturas sociais e políticas de nosso tempo. A igreja pode ser a igreja somente sendo a comunidade da obediência a Cristo dentro das estruturas de vida onde a existência humana já é encenada. "A Casa de Deus não é a Igreja mas o mundo, onde a Igreja habita e trabalha como sua serva."
Colin Williams faz a pergunta: "aonde devemos procurar pela Igreja?" Ele diz que a igreja é um evento; é onde o povo de Deus toma a forma de servo ao redor das necessidades e esperanças do mundo - como servos de Cristo e portanto servos da humanidade. Isto significa que [a] igreja é chamada para se mudar para dentro do mundo como Cristo ainda se move no mundo. Cristo não veio como alguém despejando respostas pré-estabelecidas, aquele que traria uma ordem eterna imutável para dentro de nossa ordem temporal mutável. Ele veio como um participante integral na história. Ele veio como alguém cuja liberdade foi sua completa liberdade para as necessidades do mundo, mudando-se de detrás das barricadas da segurança e ordem assumidas para estender a mão para os excluídos [da] comunidade, criando [a] força do amor servil. Além da sua aparente derrota, ele revelou o poder de seu amor para criar nos seus discípulos a fé e a coragem para tornarem-se participantes no caminho do serviço. E esses participantes são a igreja - os seguidores do caminho.
Colin Williams afirma que a direção da eclesiologia nos anos 60 foi um movimento na direção contrária da pergunta de ontem sobre aonde a igreja verdadeira se acha dentro da ordem estabelecida da Cristandade, e [na direção] da pergunta de hoje sobre onde a igreja viva deve acontecer como testemunha da presença de Cristo no mundo. Esta nova direção era muito mais vista nas deliberações da Conferência Igreja e Sociedade em 1966 e na Assembléia de Uppsala da CMI em 1968.
(grifo do K-fé)
Leia também a parte anterior, a parte 3.
Esta redescoberta do mundo no movimento missionário teve repercussões no movimento ecumênico como um todo. Colin W. Williams fala de uma mudança radical no foco do movimento ecumênico. Ele ressalta o fato de que no período entre as Assembléias do CMI de Amsterdã (1948) e Evanston (1954), sentiu-se que a procura por uma tradição comum por trás das várias tradições era mais um olhar para dentro, e portanto, a pessoa deve não somente procurar continuidades visíveis (como Palavra e Sacramento) mas também o evento da obediência à missão de Cristo. Unidade é dada não somente em continuidades históricas; é um presente que é recebido apenas quando o chamado para missão é obedecido. Neste período deu-se conta de que não é suficiente tenter resolver os problemas de eclesiologia adicionando 'missão' à marca clássica da igreja. O que é necessário é mover a eclesiologia para fora do centro da preocupação teológica, pois assim que a eclesiologia torna-se central, ela é falsificada. O caminho para uma verdadeira eclesiologia deve ser
indireta, pois a igreja foi feita não para ser um fim em si mesma mas a serva da missão de Deus no mundo.
Pelo final da década de 60, emergiu no movimento ecumênico um consenso geral de que os problemas eclesiológicos poderiam somente serem resolvidos ao ir primeiro além da igreja e fazendo a pergunta sobre a missão de Deus no mundo. Teólogos falaram da igreja em termos funcionais, como um projeto - um caminho de obediência que deve ser continuamente moldado dentro da situação particular na história sob a luz do propósito derradeiro de Deus para a história. Eles afirmaram que o papel da igreja não era atrair o mundo para dentro da ordem da igreja. Nós devemos parar de pensar na salvação derradeira do mundo como um processo no qual o Senhorio de Cristo sobre o seu Corpo é expandido até que enfim ele atrai o mundo inteiro para dentro do seu domínio. A igreja é a serva da luta de Cristo para trazer nova vida às comunidades do mundo, à Sua criação como um todo. A luta para revelar o Senhorio de Cristo sobre sua criação deve ser relacionada às verdadeiras lutas do povo nas estruturas sociais e políticas de nosso tempo. A igreja pode ser a igreja somente sendo a comunidade da obediência a Cristo dentro das estruturas de vida onde a existência humana já é encenada. "A Casa de Deus não é a Igreja mas o mundo, onde a Igreja habita e trabalha como sua serva."
Colin Williams faz a pergunta: "aonde devemos procurar pela Igreja?" Ele diz que a igreja é um evento; é onde o povo de Deus toma a forma de servo ao redor das necessidades e esperanças do mundo - como servos de Cristo e portanto servos da humanidade. Isto significa que [a] igreja é chamada para se mudar para dentro do mundo como Cristo ainda se move no mundo. Cristo não veio como alguém despejando respostas pré-estabelecidas, aquele que traria uma ordem eterna imutável para dentro de nossa ordem temporal mutável. Ele veio como um participante integral na história. Ele veio como alguém cuja liberdade foi sua completa liberdade para as necessidades do mundo, mudando-se de detrás das barricadas da segurança e ordem assumidas para estender a mão para os excluídos [da] comunidade, criando [a] força do amor servil. Além da sua aparente derrota, ele revelou o poder de seu amor para criar nos seus discípulos a fé e a coragem para tornarem-se participantes no caminho do serviço. E esses participantes são a igreja - os seguidores do caminho.
Colin Williams afirma que a direção da eclesiologia nos anos 60 foi um movimento na direção contrária da pergunta de ontem sobre aonde a igreja verdadeira se acha dentro da ordem estabelecida da Cristandade, e [na direção] da pergunta de hoje sobre onde a igreja viva deve acontecer como testemunha da presença de Cristo no mundo. Esta nova direção era muito mais vista nas deliberações da Conferência Igreja e Sociedade em 1966 e na Assembléia de Uppsala da CMI em 1968.
(grifo do K-fé)
Friday, January 01, 2010
Mundo, Missão, e Igreja - 1 - T.V. Philip
Fonte: http://www.religion-online.org/showchapter.asp?title=1573&C=1521
De Edinburgh a Salvador: Missiologia Ecumênica do Século XX por T.V. Philip.
Capítulo 4: Mundo, Missão, e Igreja
Se o período entre 1910 e 1960 viu missão descobrindo a igreja, os próximos vinte anos viram a igreja descobrindo o mundo como lócus de sua vida e missão. As principais características dos desenvolvimentos teológicos dos anos 60 foram uma série de tentativas de levar o mundo secular a sério.
... o movimento teológico presente pode ser visto em termos de um consenso animador o qual parece estar se formando sobre a natureza da igreja vis-à-vis ao mundo. A ênfase “a igreja contra o mundo” de 20 ou 30 anos atrás está agora sendo radicalmente questionada e superada por uma apreciação muito mais positiva do secular e do cultura, e em termos explicitamente Cristãos.
Esta concepção mudada do mundo teve sua correspondente em um entendimento diferente da igreja e sua missão. Teólogos começaram a perguntar se haveria algo profundamente secular, e de forma nenhuma apenas “religiosa”, sobre o próprio Evangelho. Dietrich Bonhoffer descreveu certa vez sua tarefa teológica como “dar uma interpretação não-religiosa a idéias bíblicas”. Desde 1960, uma mudança radical no pensamento eclesiológico aconteceu. A igreja como uma instituição promovendo “religião” e “religiosidade humana” recebeu críticas. A nova ênfase no mundo desafiou a até então visão eclesiocêntrica de missão que havia sido desenvolvida no International Missionary Council e o movimento ecumênico em geral. [...]
Bonhoffer (1906-1945) executado pelos Nazistas em 1945 por sua resistência a Hitler, foi um teólogo Protestante dotado. Suas cartas e papéis da prisão tiveram uma grande influência no pensamento teológico no mundo ocidental. Ele falou do mundo como tendo um amadurecimento. “O mundo que amadureceu é mais sem-Deus, e talvez por essa exata razão mais perto de Deus do que o mundo antes de seu amadurecimento.” Para Bonhoffer, viver em Cristo significava ser uma igreja que existia, não pela fé piedosa, mas para outros. M.M. Thomas (1916-1996) foi o pensador Cristão Indiano melhor conhecido neste século [XX]. Ele foi o moderador do Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas de 1968 a 1975. Nos seus escritos e discursos, ele enfatizava a importância do secular para a integralidade da vida e missão da igreja. De acordo com ele, a igreja não é uma esfera de existência distinta e separada do mundo natural e da história. A igreja é nada menos do que o secular, o qual conhece sua verdadeira realidade na era nova inaugurada por Cristo. A igreja é o mundo, a qual sabe ela mesma estar em Cristo, sob o julgamento e a graça do Cristo crucificado e ressurreto. Contrastando com aqueles que construiriam a comunidade de fé como um céu no meio de uma sociedade secular, Thomas falou da igreja consistindo primariamente de leigos fazendo seus trabalhos seculares e testemunhando à verdadeira vida do secular. Ele falou da vocação laica como a base para a vocação do ministério ordenado, e do teólogo como o articulador dos pensamentos teológicos de leigos enquanto eles procuram relacionarem-se como crentes com o mundo laico.
Continua na parte 2.
De Edinburgh a Salvador: Missiologia Ecumênica do Século XX por T.V. Philip.
Capítulo 4: Mundo, Missão, e Igreja
Se o período entre 1910 e 1960 viu missão descobrindo a igreja, os próximos vinte anos viram a igreja descobrindo o mundo como lócus de sua vida e missão. As principais características dos desenvolvimentos teológicos dos anos 60 foram uma série de tentativas de levar o mundo secular a sério.
... o movimento teológico presente pode ser visto em termos de um consenso animador o qual parece estar se formando sobre a natureza da igreja vis-à-vis ao mundo. A ênfase “a igreja contra o mundo” de 20 ou 30 anos atrás está agora sendo radicalmente questionada e superada por uma apreciação muito mais positiva do secular e do cultura, e em termos explicitamente Cristãos.
Esta concepção mudada do mundo teve sua correspondente em um entendimento diferente da igreja e sua missão. Teólogos começaram a perguntar se haveria algo profundamente secular, e de forma nenhuma apenas “religiosa”, sobre o próprio Evangelho. Dietrich Bonhoffer descreveu certa vez sua tarefa teológica como “dar uma interpretação não-religiosa a idéias bíblicas”. Desde 1960, uma mudança radical no pensamento eclesiológico aconteceu. A igreja como uma instituição promovendo “religião” e “religiosidade humana” recebeu críticas. A nova ênfase no mundo desafiou a até então visão eclesiocêntrica de missão que havia sido desenvolvida no International Missionary Council e o movimento ecumênico em geral. [...]
Bonhoffer (1906-1945) executado pelos Nazistas em 1945 por sua resistência a Hitler, foi um teólogo Protestante dotado. Suas cartas e papéis da prisão tiveram uma grande influência no pensamento teológico no mundo ocidental. Ele falou do mundo como tendo um amadurecimento. “O mundo que amadureceu é mais sem-Deus, e talvez por essa exata razão mais perto de Deus do que o mundo antes de seu amadurecimento.” Para Bonhoffer, viver em Cristo significava ser uma igreja que existia, não pela fé piedosa, mas para outros. M.M. Thomas (1916-1996) foi o pensador Cristão Indiano melhor conhecido neste século [XX]. Ele foi o moderador do Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas de 1968 a 1975. Nos seus escritos e discursos, ele enfatizava a importância do secular para a integralidade da vida e missão da igreja. De acordo com ele, a igreja não é uma esfera de existência distinta e separada do mundo natural e da história. A igreja é nada menos do que o secular, o qual conhece sua verdadeira realidade na era nova inaugurada por Cristo. A igreja é o mundo, a qual sabe ela mesma estar em Cristo, sob o julgamento e a graça do Cristo crucificado e ressurreto. Contrastando com aqueles que construiriam a comunidade de fé como um céu no meio de uma sociedade secular, Thomas falou da igreja consistindo primariamente de leigos fazendo seus trabalhos seculares e testemunhando à verdadeira vida do secular. Ele falou da vocação laica como a base para a vocação do ministério ordenado, e do teólogo como o articulador dos pensamentos teológicos de leigos enquanto eles procuram relacionarem-se como crentes com o mundo laico.
Continua na parte 2.
Tuesday, April 14, 2009
Mark Driscoll - parte 1
Tradução: Fé Natábua
Brad Cecil escreve em http://axxess.org/?p=80:
'Eu acho que o neo-calvinismo é covarde e fraco! Apenas vai na carona de líderes inteligentes que foram teólogos brilhantes, visionários, e instigantes para seu tempo - mas hoje, nem tanto.
Minha opinião é que a falha de pressuposições filosóficas/teológicas causaram esta volta ao "calvinismo" à medida em que as pessoas buscam o conforto do conceito evangélico retorcido de "soberania" que existe nesse círculo. Neo-calvinismo é um desperdício - o calvinismo clássico foi construído sobre uma hermenêutica da aliança e pelo menos continha um "mandato cultural"; neo-calvinismo é construído sobre uma hermenêutica dispensacional e não tem nenhum mandato. Neo-calvinismo é barato, fácil e um zero à esquerda e não tem nada de "fiel às escrituras"como frequentemente afirmam.'
Brad Cecil escreve em http://axxess.org/?p=80:
'Eu acho que o neo-calvinismo é covarde e fraco! Apenas vai na carona de líderes inteligentes que foram teólogos brilhantes, visionários, e instigantes para seu tempo - mas hoje, nem tanto.
Minha opinião é que a falha de pressuposições filosóficas/teológicas causaram esta volta ao "calvinismo" à medida em que as pessoas buscam o conforto do conceito evangélico retorcido de "soberania" que existe nesse círculo. Neo-calvinismo é um desperdício - o calvinismo clássico foi construído sobre uma hermenêutica da aliança e pelo menos continha um "mandato cultural"; neo-calvinismo é construído sobre uma hermenêutica dispensacional e não tem nenhum mandato. Neo-calvinismo é barato, fácil e um zero à esquerda e não tem nada de "fiel às escrituras"como frequentemente afirmam.'
Tuesday, August 19, 2008
Congregação por Tradição
Por Gabriela Fernanda Ibarra
Tradução: Pajé Raoni
"As minhas ovelhas escutam a minha voz;
eu as conheço, e elas me seguem.
Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão.
Ninguém poderá arrancá-las da minha mão.
O poder que o Pai me deu é maior do que tudo,
e ninguém pode arrancá-las da mão dele.
Eu e o Pai somos um."
João 10.27-30
Qualquer tentativa intelectual de valorizar a resistência e validade da congregação cristã como Instituição formal (que é parte do Corpo de Cristo) nestes dias e nestas Américas atuais pode francamente levar-nos com muita facilidade a incongruências involuntárias. Não obstante, o paradoxo não é um perigo do qual deve-se fugir, senão uma simples demonstração de que nos faz falta continuar pensando sobre o assunto.
Em nosso continente sobressaem vozes divididas, umas anunciando o "fim do reino congregacional" e outras reivindicando a forma congregacional chamando a seus grupos de reunião de "A" igreja. Assim sendo, me referirei aos grupos congregacionais que conheço e conheci, sem querer fazer aqui uma generalização maior.
Em princípio, não estou muito certa - teologicamente falando - que verdadeiramente haja uma palavra bíblica com hermenêutica incontestável que contenha o imperativo de reunir-se em uma comunidade institucionalizada e designada para a assembléia dos crentes em Jesus Cristo.
O fato de termos o registro histórico de que os primeiros cristãos faziam-no em suas circunstâncias particulares não pode fazer parte de nenhuma coleção doutrinária bíblica. A imitação de costumes não admite absolutização dogmática e toda instituição nascida de uma perpetuação dos costumes não pode ser obrigatória.
Resgatar o simples testamento histórico daquele século visando a manter uma tradição é uma valorização necessária de nossa história. Mas seria também recomendável considerar este século onde estamos contextualizados e ver sem medo e sem assombro que a tradição da assembléia pode variar e que não é saudável a rigidez absoluta da cultura relativa.
A vida de ekklesia (que não é de episinagoga) em nossos tempos e em alguns de nossos países se está convertendo - ou conseguiram convertê-la - em uma política de afluência impossível de escapar, a qual já é vivida com mal-estar e insatisfação por causa da obrigatoriedade. Obrigatoriedade que se utiliza como princípio sustentador e se indentifica com a salvação por mérito (princípio redentor).
A má transformação da tradição de ekklesia não pode nem deve - em honra a essa tradição - ser imposta como uma carga pela qual se luta e se suplanta em modo de sacrifício.
Nem paramos para pensar se ouvimos bem a Marcos 4.23-24 e a Lucas 8.18 antes de converter em mandamento uma exortação pastoral de Hebreus 10.24-25?
Porque a marca de pensarmos uns nos outros para ajudarmos todos a terem mais amor e a fazerem o bem se dá no âmbito de episinagoga e não necessária e exclusivamente no de ekklesia.
No tempo histórico em que se escreveu o texto de Hebreus, o contexto mundial era muito diferente do nosso nas Américas. Nós aqui não temos a fé cristã proibida pelos estratos religiosos e governamentais. Os cristãos de então se convocavam a umas assembléias secretas às quais não temos porque imitar hoje, a não ser que em algum de nossos países um regime ou um presidente nos persiga para exterminar-nos, ou a religiosidade oficial nos declare extermináveis.
Para preservar-nos como corpo de crentes de baixo de uma severa perseguição política e ditatorial, a ekklesia convocada em forma de alarme e de resistência é uma necessidade imposta pelas más "condições" históricas, mas não existe nas Escrituras um mandamento sobre o encontro, o qual por falta de assistência seja quebrado.
Existe a apostasia como renúncia à fé cristã, mas não existe a figura de "deserção congregacional" passível de punição.
É verdade que em muitos casos particulares, uma pessoa que renuncia à fé cristã obviamente não assiste à assembléia cristã. A apostasia fere simultaneamente a ekklesia e a episinagoga. Mas é verdade também que o inverso não se dá sempre por relação matemática. De modo que não se pode acusar um cristão de "apóstata" por haver abandonado a instituição cultural da qual era membro.
Em nossas Américas todavia se ensina e se amedronta homileticamente mediante a mensagem de que o abandono da membresia é um abandono automático de Deus. Ou que fora da assembléia o único que espera o cristão é uma vida de pecado e perdição, de frieza espiritual, de desintegração psicológica, de más obras e de indiferença moral. Como se a assembléia fosse uma garantia protetora de todas essas desgraças descritas e não - como chegou a ser em muitos casos - a precursora da adversidade dos fiéis e a propulsora da incredulidade das pessoas.
Isto é especialmente verdade nas comunidades onde se relaciona os "fazeres" congregacionais com a identidade cristã genuína. Quanto mais presente, visível e ativa está uma pessoa na ekklesia, mais maturidade cristã se lhe atribuirá, coisa que certamente é um uma mentira ou uma simples ilusão, além de um preconceito que ninguém está autorizado a emitir.
Cheguei a ouvir alguns pastores dizerem que a ekklesia é um modelo dado por Deus para o crescimento do seu Reino!
Um cristão pode prescindir da ekklesia histórica, cultural e tradicional sem que por isto esteja prescindindo do ato de episinagoga nem da fé em Jesus Cristo.
Não é que Jesus Cristo não possa estar presente em todas as formas culturais de ekklesia. É justamente o contrário o que tento dizer: que Jesus Cristo pode estar presente também em todas as formas de episinagoga quando nós que cremos nele nos reunimos em seu nome, seja na ekklesia ou fora da ekklesia.
Nós que escolhemos momentânea ou definitivamente estar fora da ekklesia não somos os que pregamos o abandono congregacional e não o promovemos nem o difundimos como solução para as aberrações eclesiais. Ao contrário, a pregação contra a liberdade dos crentes cristãos sai precisamente do institucionalismo exclusivo, por rancor e por ressentimento.
As pessoas abandonam as dogmatizações culturais mas não abandonam Jesus Cristo nem deixam de ser parte do seu Corpo, então dá raiva nas confrarias doentes o fato de Jesus Cristo não jogar fora os que o buscam.
____________________
Ekklesia: assembléia popular grega que extraía "fora de" um grande grupo de pessoas outro grupo menor de pessoas que compartilhavam a discussão e as lides de um tema único com um fim particular. Por analogia usou-se para a igreja cristã.
Episinagoga: "Coleção ou coleta, convocação". Por analogia usa-se para reunião ao redor da sinagoga, fora da sinagoga, não necessariamente dentro da sinagoga, já que às vezes não os deixavam entrar ou lhes apedrejavam. Eram livres para criar uma ekklesia onde poderiam levar-lhe a cabo. Sabiam bem que o Logos morava neles e não nos edifícios. Nós os esquecemos e levamos a analogia longe demais.
( artigo original em Espanhol: http://teologiasinnombre.blogspot.com/2007/10/congregacion-por-tradicion.html )
Tradução: Pajé Raoni
"As minhas ovelhas escutam a minha voz;
eu as conheço, e elas me seguem.
Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão.
Ninguém poderá arrancá-las da minha mão.
O poder que o Pai me deu é maior do que tudo,
e ninguém pode arrancá-las da mão dele.
Eu e o Pai somos um."
João 10.27-30
Qualquer tentativa intelectual de valorizar a resistência e validade da congregação cristã como Instituição formal (que é parte do Corpo de Cristo) nestes dias e nestas Américas atuais pode francamente levar-nos com muita facilidade a incongruências involuntárias. Não obstante, o paradoxo não é um perigo do qual deve-se fugir, senão uma simples demonstração de que nos faz falta continuar pensando sobre o assunto.
Em nosso continente sobressaem vozes divididas, umas anunciando o "fim do reino congregacional" e outras reivindicando a forma congregacional chamando a seus grupos de reunião de "A" igreja. Assim sendo, me referirei aos grupos congregacionais que conheço e conheci, sem querer fazer aqui uma generalização maior.
Em princípio, não estou muito certa - teologicamente falando - que verdadeiramente haja uma palavra bíblica com hermenêutica incontestável que contenha o imperativo de reunir-se em uma comunidade institucionalizada e designada para a assembléia dos crentes em Jesus Cristo.
O fato de termos o registro histórico de que os primeiros cristãos faziam-no em suas circunstâncias particulares não pode fazer parte de nenhuma coleção doutrinária bíblica. A imitação de costumes não admite absolutização dogmática e toda instituição nascida de uma perpetuação dos costumes não pode ser obrigatória.
Resgatar o simples testamento histórico daquele século visando a manter uma tradição é uma valorização necessária de nossa história. Mas seria também recomendável considerar este século onde estamos contextualizados e ver sem medo e sem assombro que a tradição da assembléia pode variar e que não é saudável a rigidez absoluta da cultura relativa.
A vida de ekklesia (que não é de episinagoga) em nossos tempos e em alguns de nossos países se está convertendo - ou conseguiram convertê-la - em uma política de afluência impossível de escapar, a qual já é vivida com mal-estar e insatisfação por causa da obrigatoriedade. Obrigatoriedade que se utiliza como princípio sustentador e se indentifica com a salvação por mérito (princípio redentor).
A má transformação da tradição de ekklesia não pode nem deve - em honra a essa tradição - ser imposta como uma carga pela qual se luta e se suplanta em modo de sacrifício.
Nem paramos para pensar se ouvimos bem a Marcos 4.23-24 e a Lucas 8.18 antes de converter em mandamento uma exortação pastoral de Hebreus 10.24-25?
Porque a marca de pensarmos uns nos outros para ajudarmos todos a terem mais amor e a fazerem o bem se dá no âmbito de episinagoga e não necessária e exclusivamente no de ekklesia.
No tempo histórico em que se escreveu o texto de Hebreus, o contexto mundial era muito diferente do nosso nas Américas. Nós aqui não temos a fé cristã proibida pelos estratos religiosos e governamentais. Os cristãos de então se convocavam a umas assembléias secretas às quais não temos porque imitar hoje, a não ser que em algum de nossos países um regime ou um presidente nos persiga para exterminar-nos, ou a religiosidade oficial nos declare extermináveis.
Para preservar-nos como corpo de crentes de baixo de uma severa perseguição política e ditatorial, a ekklesia convocada em forma de alarme e de resistência é uma necessidade imposta pelas más "condições" históricas, mas não existe nas Escrituras um mandamento sobre o encontro, o qual por falta de assistência seja quebrado.
Existe a apostasia como renúncia à fé cristã, mas não existe a figura de "deserção congregacional" passível de punição.
É verdade que em muitos casos particulares, uma pessoa que renuncia à fé cristã obviamente não assiste à assembléia cristã. A apostasia fere simultaneamente a ekklesia e a episinagoga. Mas é verdade também que o inverso não se dá sempre por relação matemática. De modo que não se pode acusar um cristão de "apóstata" por haver abandonado a instituição cultural da qual era membro.
Em nossas Américas todavia se ensina e se amedronta homileticamente mediante a mensagem de que o abandono da membresia é um abandono automático de Deus. Ou que fora da assembléia o único que espera o cristão é uma vida de pecado e perdição, de frieza espiritual, de desintegração psicológica, de más obras e de indiferença moral. Como se a assembléia fosse uma garantia protetora de todas essas desgraças descritas e não - como chegou a ser em muitos casos - a precursora da adversidade dos fiéis e a propulsora da incredulidade das pessoas.
Isto é especialmente verdade nas comunidades onde se relaciona os "fazeres" congregacionais com a identidade cristã genuína. Quanto mais presente, visível e ativa está uma pessoa na ekklesia, mais maturidade cristã se lhe atribuirá, coisa que certamente é um uma mentira ou uma simples ilusão, além de um preconceito que ninguém está autorizado a emitir.
Cheguei a ouvir alguns pastores dizerem que a ekklesia é um modelo dado por Deus para o crescimento do seu Reino!
Um cristão pode prescindir da ekklesia histórica, cultural e tradicional sem que por isto esteja prescindindo do ato de episinagoga nem da fé em Jesus Cristo.
Não é que Jesus Cristo não possa estar presente em todas as formas culturais de ekklesia. É justamente o contrário o que tento dizer: que Jesus Cristo pode estar presente também em todas as formas de episinagoga quando nós que cremos nele nos reunimos em seu nome, seja na ekklesia ou fora da ekklesia.
Nós que escolhemos momentânea ou definitivamente estar fora da ekklesia não somos os que pregamos o abandono congregacional e não o promovemos nem o difundimos como solução para as aberrações eclesiais. Ao contrário, a pregação contra a liberdade dos crentes cristãos sai precisamente do institucionalismo exclusivo, por rancor e por ressentimento.
As pessoas abandonam as dogmatizações culturais mas não abandonam Jesus Cristo nem deixam de ser parte do seu Corpo, então dá raiva nas confrarias doentes o fato de Jesus Cristo não jogar fora os que o buscam.
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Ekklesia: assembléia popular grega que extraía "fora de" um grande grupo de pessoas outro grupo menor de pessoas que compartilhavam a discussão e as lides de um tema único com um fim particular. Por analogia usou-se para a igreja cristã.
Episinagoga: "Coleção ou coleta, convocação". Por analogia usa-se para reunião ao redor da sinagoga, fora da sinagoga, não necessariamente dentro da sinagoga, já que às vezes não os deixavam entrar ou lhes apedrejavam. Eram livres para criar uma ekklesia onde poderiam levar-lhe a cabo. Sabiam bem que o Logos morava neles e não nos edifícios. Nós os esquecemos e levamos a analogia longe demais.
( artigo original em Espanhol: http://teologiasinnombre.blogspot.com/2007/10/congregacion-por-tradicion.html )
Wednesday, August 06, 2008
Um sonho (un sueño)
Tradução do Espanhol para o Português: Fé Natábua (Oráculo) (dá um desconto, tchê)
Do blog "Palabra Lateral" por Benjamín: http://palabralateral.blogspot.com/2008/08/un-sueo.html
"
'O SENHOR diz ao seu povo: “Depois disso (da restauração de Israel da ruína e antes do juízo do império opressor), eu derramarei o meu Espírito sobre todas as pessoas: os filhos e as filhas de vocês anunciarão a minha mensagem; os velhos sonharão, e os moços terão visões. 'Joel 2.28
Eu venho da segunda geração pentecostal de raízes inimaginavelmente repressivas. Tenho algumas memórias de momentos vividos nela que até hoje às vezes me quebram e me doem. Venho de uma família quebrada e profundamente desestruturada, apesar de seu intenso compromisso com a igreja.
Venho de uma cultura que não teve tempo para celebrar aniversários, festas especiais, ou bodas. Uma cultura que desprezou o conhecimento, a arte, a literatura, a política, a ciência, a tecnologia, os esportes, enfim, tudo aquilo que não era "espiritual".
Desde pequeno, minha mente e meu coração buscavam penetrar o mistério do tempo, o mistério do mundo lá fora, desse mundo ausente e alheio aos interesses particulares da igreja.
Desde então, apesar da constante inversão que a igreja cristã faz dentro dos seus próprios assuntos e problemas, meu sonho, minha paixão, meu arrepio interminável tem sido ver uma geração cristã que quebre para sempre a falsa divisão que existe entre o espiritual e o secular. Sonho com uma comunidade de crentes onde exercer o cargo de Assessor Principal do Governo do Estado, reger uma Orquestra Filarmônica, exibir quadros no Museu de Arte Contemporânea, administrar um café literário aonde se reúnam os escritores mais destacados da região do país, exercer o cargo de Deão da Faculdade de Ciências Políticas, ser um cantor ouvido em todas as rádios e visto em todos os canais de televisão, tudo isso seja considerado pela igreja como um ministério de serviço ao Senhor, tão válido e legítimo como dirigir o louvor ou uma célula de discipulado.
Sonho com uma comunidade de crentes onde já não tenhamos mais medo que nossas inclinações artísticas, intelectuais, profissionais sejam consideradas como algo secundário, sem importância para a "obra do Senhor".
Sonho com uma comunidade de crentes onde todas as capacidades - sejam elas úteis ou não para a gerência interna da igreja, sejam apreciadas, respeitadas, promovidas e cultivadas.
Sonho com uma comunidade de crentes onde junto com as Agências de Missões, de Discipulado e de Ministérios Cristãos exista um Departamento de Artes, com espaços para a dança moderna, a música contemporânea, a pintura, a escultura, a arte digital, a poesia, a literatura e o periodismo. Um Departamento de Formação Política e Cívica para treinar líderes para o serviço público. Um Departamento de Empreendimento onde possam acolher e estimular as habilidades empresariais e de negócios.
Sonho com uma comunidade de crentes onde a ação social não seja considerada uma ameaça à pureza da doutrina ou uma inclinação comunista, senão uma responsabilidade essencial do amor cristão em uma sociedade dolorida e carente.
Sonho com uma comunidade de crentes onde a misericórdia não seja uma visita de vez em quando a uma prisão ou a um hospital no Natal, ou um programa para cortar os cabelos dos pobres, mas que seja uma gestão permanente da igreja que comprometa não só a caridade, mas seus recursos materiais e as pessoas que compõem o corpo de crentes.
Sonho com uma comunidade de crentes onde todas as pessoas - especialmente as mulheres e os jovens, sejam reconhecidos na diversidade de suas capacidades e que, por fim, ser cristão não seja um estereótipo de ser humano que fala de certa maneira, e que só se reúnem entre eles, mas que por fim haja espaço, amor e aceitação para a multiforme graça de Deus, expressa em outras formas de ser, de sentir e de pensar a realidade de Deus no mundo.
Este é o meu sonho mesmo aos cinqüenta e quatro anos de vida.
"
(Nota: acho interessante as idéias do irmão. Embora ache necessária a idéia de quebrar a divisão entre o sacro e o secular, teria receios de criar ministérios e departamentos. Talvez a criação de comitês não ajude muito. Também não gosto muito da concepção da igreja como empresa. Penso que igrejas necessitam ser mais criativas e menos burocráticas ao tentar enfrentar o problema. Mas a intenção é excelente. )
Do blog "Palabra Lateral" por Benjamín: http://palabralateral.blogspot.com/2008/08/un-sueo.html
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'O SENHOR diz ao seu povo: “Depois disso (da restauração de Israel da ruína e antes do juízo do império opressor), eu derramarei o meu Espírito sobre todas as pessoas: os filhos e as filhas de vocês anunciarão a minha mensagem; os velhos sonharão, e os moços terão visões. 'Joel 2.28
Eu venho da segunda geração pentecostal de raízes inimaginavelmente repressivas. Tenho algumas memórias de momentos vividos nela que até hoje às vezes me quebram e me doem. Venho de uma família quebrada e profundamente desestruturada, apesar de seu intenso compromisso com a igreja.
Venho de uma cultura que não teve tempo para celebrar aniversários, festas especiais, ou bodas. Uma cultura que desprezou o conhecimento, a arte, a literatura, a política, a ciência, a tecnologia, os esportes, enfim, tudo aquilo que não era "espiritual".
Desde pequeno, minha mente e meu coração buscavam penetrar o mistério do tempo, o mistério do mundo lá fora, desse mundo ausente e alheio aos interesses particulares da igreja.
Desde então, apesar da constante inversão que a igreja cristã faz dentro dos seus próprios assuntos e problemas, meu sonho, minha paixão, meu arrepio interminável tem sido ver uma geração cristã que quebre para sempre a falsa divisão que existe entre o espiritual e o secular. Sonho com uma comunidade de crentes onde exercer o cargo de Assessor Principal do Governo do Estado, reger uma Orquestra Filarmônica, exibir quadros no Museu de Arte Contemporânea, administrar um café literário aonde se reúnam os escritores mais destacados da região do país, exercer o cargo de Deão da Faculdade de Ciências Políticas, ser um cantor ouvido em todas as rádios e visto em todos os canais de televisão, tudo isso seja considerado pela igreja como um ministério de serviço ao Senhor, tão válido e legítimo como dirigir o louvor ou uma célula de discipulado.
Sonho com uma comunidade de crentes onde já não tenhamos mais medo que nossas inclinações artísticas, intelectuais, profissionais sejam consideradas como algo secundário, sem importância para a "obra do Senhor".
Sonho com uma comunidade de crentes onde todas as capacidades - sejam elas úteis ou não para a gerência interna da igreja, sejam apreciadas, respeitadas, promovidas e cultivadas.
Sonho com uma comunidade de crentes onde junto com as Agências de Missões, de Discipulado e de Ministérios Cristãos exista um Departamento de Artes, com espaços para a dança moderna, a música contemporânea, a pintura, a escultura, a arte digital, a poesia, a literatura e o periodismo. Um Departamento de Formação Política e Cívica para treinar líderes para o serviço público. Um Departamento de Empreendimento onde possam acolher e estimular as habilidades empresariais e de negócios.
Sonho com uma comunidade de crentes onde a ação social não seja considerada uma ameaça à pureza da doutrina ou uma inclinação comunista, senão uma responsabilidade essencial do amor cristão em uma sociedade dolorida e carente.
Sonho com uma comunidade de crentes onde a misericórdia não seja uma visita de vez em quando a uma prisão ou a um hospital no Natal, ou um programa para cortar os cabelos dos pobres, mas que seja uma gestão permanente da igreja que comprometa não só a caridade, mas seus recursos materiais e as pessoas que compõem o corpo de crentes.
Sonho com uma comunidade de crentes onde todas as pessoas - especialmente as mulheres e os jovens, sejam reconhecidos na diversidade de suas capacidades e que, por fim, ser cristão não seja um estereótipo de ser humano que fala de certa maneira, e que só se reúnem entre eles, mas que por fim haja espaço, amor e aceitação para a multiforme graça de Deus, expressa em outras formas de ser, de sentir e de pensar a realidade de Deus no mundo.
Este é o meu sonho mesmo aos cinqüenta e quatro anos de vida.
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(Nota: acho interessante as idéias do irmão. Embora ache necessária a idéia de quebrar a divisão entre o sacro e o secular, teria receios de criar ministérios e departamentos. Talvez a criação de comitês não ajude muito. Também não gosto muito da concepção da igreja como empresa. Penso que igrejas necessitam ser mais criativas e menos burocráticas ao tentar enfrentar o problema. Mas a intenção é excelente. )
Monday, June 30, 2008
O auge da institucionalização evangélica na Argentina
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O auge da institucionalização evangélica na Argentina
Por David Tigani
Há algum tempo atrás, à poucos meses de haver-se celebrado eleições na Argentina, chegou no meu e-mail um dos vários boletins cristãos que circulam pela web ("Noti Prensa"), com uma notícia que dizia mais ou menos assim: "A deputada evangélica Fulana, no seu primeiro trabalho como funcionária do governo, declarou a partir do Interesse Governamental no festival de Luis Palau em Buenos Aires".
Neste momento, lembrei-me e pensei: "Essa funcionária chegou ao poder por meio de um partido que fundamentou fortemente sua campanha na promoção de uma nova política e no término do clientelismo". Será que a opinião pública não verá esta ação como uma mostra de "clientelismo" evangélico? É coerente atuar desta forma e difundir-lo como um logro? Talvez esse não tenha sido o objetivo buscado, mas na função pública é muito difícil explicar estes tipos de ações de forma convincente.
Esses enganos são cada dia mais comuns entre os cristãos do meu país. Já há algum tempo, um setor majoritário de evangélicos argentinos se despertou da mentalidade "portas adentro", para entender que era necessário transmitir os valores de Jesus nos âmbitos decisivos da sociedade. Os pastores deixaram de chamar de "mundanos" e "pouco espirituais" aos que tinham tais interesses, e viram com bons olhos a nova "porta que se abria".
Não questiono os interesse da igreja pelos temas de transcendência nacional. Contudo, creio que há muito para refletir sobre os métodos e iniciativas que intentam elevar a um âmbito governamental.
Como periodicista, vejo que a opinião pública "secular" (segundo o nosso dialeto de gueto) percebe os evangélicos argentinos com duas preocupações principais, e no meu ponto de vista, nenhum dos dois deixa uma boa impressão.
Em primeiro lugar, existe uma forte procura de reconhecimento institucional por parte da liderança evangélica. O tempo todo citam as estatísticas que nos posicionam como uma minoria importante, o tempo todo se trata de demonstrar no nível corporativo que não somos ignorantes, que somos honestos, que somos confiáveis. Procuramos incansavelmente que os líderes de outras esferas nacionais (políticas, religiosas e institucionais) nos façam sentir participantes da realidade argentina, como se a visão destes setores nos validasse para nos expressarmos. Precisamos realmente desse contexto para transmitir o amor e a mensagem de Jesus? Com que fins pedimos tanto respeito?
Não vejo Jesus buscando a aprovação política e religiosa dos líderes da sua geração. Compartilhava seu tempo com eles, mas seu ministério não era o lobby, mas sim confrontar sua hipocrisia para levá-los a um caminho mais excelente. Também não estava interessado em ser aclamado pelas multidões. Melhor, as via como "ovelhas sem pastor" e tinha compaixão (prática) delas. Levar-lhes seu amor e ajuda a todos os focos sensíveis da sua sociedade foi e é seu verdadeiro objetivo.
A segunda percepção que ressalta é a imposição moral que se quer incutir na sociedade. Há poucos dias, lendo o blog de Philip Yancey em Espanhol (obrigado por fazê-lo) pude confirmar essa reflexão que lutava dentro de mim.
Pretendemos determinar pela Lei da Nação que um povo que ainda não experimentou a Graça e o Amor transformador de Jesus viva de acordo com os preceitos morais que não deseja nem respeita, impossíveis de alcançar com esforço e disciplina pessoal. Todos nós cristãos nos preocupamos com o estrago das drogas nos jovens, com o aborto, com o alcoolismo, com a violência social, etc. Mas creio que é necessário entrar no debate sério com a sociedade (mais que fazer coisas pelas pessoas, sem tanto alarde) e não aderir a qualquer projeto moralista que venha da política. De que adianta apoiar aos que por um lado prometem cuidar dos valores morais nos seus mandatos, mas impõem imoralmente terríveis cargas sociais e econômicas à pessoas? Nos EUA, Bush manipulou perfeitamente esses temas, seduziu muitos cristãos e faz tremendas barbaridades com seu consenso.
Nos horrorizamos com a descriminalização do consumo de drogas ou coisas do tipo, mas não nos incomoda que um viciado que comete um delito menor entre na cadeia comum, violentem-no, contagiem-no com HIV, e aperfeiçoem-no no ódio e na delinqüência. Vêem que estamos convencidos que o ressentimento social se cura com mais ressentimento social. Que teologia será esta?
Este tema é muito grande, e minhas perguntas são muitas... Seguirei compartilhando com vocês, porque acredito que além das diferenças que possam surgir, pensar em conjunto pode ajudar-nos a evitar as armadilhas da ignorância.
"
Fonte: Teologia Sin Nombre
Tradução: K-fé
O auge da institucionalização evangélica na Argentina
Por David Tigani
Há algum tempo atrás, à poucos meses de haver-se celebrado eleições na Argentina, chegou no meu e-mail um dos vários boletins cristãos que circulam pela web ("Noti Prensa"), com uma notícia que dizia mais ou menos assim: "A deputada evangélica Fulana, no seu primeiro trabalho como funcionária do governo, declarou a partir do Interesse Governamental no festival de Luis Palau em Buenos Aires".
Neste momento, lembrei-me e pensei: "Essa funcionária chegou ao poder por meio de um partido que fundamentou fortemente sua campanha na promoção de uma nova política e no término do clientelismo". Será que a opinião pública não verá esta ação como uma mostra de "clientelismo" evangélico? É coerente atuar desta forma e difundir-lo como um logro? Talvez esse não tenha sido o objetivo buscado, mas na função pública é muito difícil explicar estes tipos de ações de forma convincente.
Esses enganos são cada dia mais comuns entre os cristãos do meu país. Já há algum tempo, um setor majoritário de evangélicos argentinos se despertou da mentalidade "portas adentro", para entender que era necessário transmitir os valores de Jesus nos âmbitos decisivos da sociedade. Os pastores deixaram de chamar de "mundanos" e "pouco espirituais" aos que tinham tais interesses, e viram com bons olhos a nova "porta que se abria".
Não questiono os interesse da igreja pelos temas de transcendência nacional. Contudo, creio que há muito para refletir sobre os métodos e iniciativas que intentam elevar a um âmbito governamental.
Como periodicista, vejo que a opinião pública "secular" (segundo o nosso dialeto de gueto) percebe os evangélicos argentinos com duas preocupações principais, e no meu ponto de vista, nenhum dos dois deixa uma boa impressão.
Em primeiro lugar, existe uma forte procura de reconhecimento institucional por parte da liderança evangélica. O tempo todo citam as estatísticas que nos posicionam como uma minoria importante, o tempo todo se trata de demonstrar no nível corporativo que não somos ignorantes, que somos honestos, que somos confiáveis. Procuramos incansavelmente que os líderes de outras esferas nacionais (políticas, religiosas e institucionais) nos façam sentir participantes da realidade argentina, como se a visão destes setores nos validasse para nos expressarmos. Precisamos realmente desse contexto para transmitir o amor e a mensagem de Jesus? Com que fins pedimos tanto respeito?
Não vejo Jesus buscando a aprovação política e religiosa dos líderes da sua geração. Compartilhava seu tempo com eles, mas seu ministério não era o lobby, mas sim confrontar sua hipocrisia para levá-los a um caminho mais excelente. Também não estava interessado em ser aclamado pelas multidões. Melhor, as via como "ovelhas sem pastor" e tinha compaixão (prática) delas. Levar-lhes seu amor e ajuda a todos os focos sensíveis da sua sociedade foi e é seu verdadeiro objetivo.
A segunda percepção que ressalta é a imposição moral que se quer incutir na sociedade. Há poucos dias, lendo o blog de Philip Yancey em Espanhol (obrigado por fazê-lo) pude confirmar essa reflexão que lutava dentro de mim.
Pretendemos determinar pela Lei da Nação que um povo que ainda não experimentou a Graça e o Amor transformador de Jesus viva de acordo com os preceitos morais que não deseja nem respeita, impossíveis de alcançar com esforço e disciplina pessoal. Todos nós cristãos nos preocupamos com o estrago das drogas nos jovens, com o aborto, com o alcoolismo, com a violência social, etc. Mas creio que é necessário entrar no debate sério com a sociedade (mais que fazer coisas pelas pessoas, sem tanto alarde) e não aderir a qualquer projeto moralista que venha da política. De que adianta apoiar aos que por um lado prometem cuidar dos valores morais nos seus mandatos, mas impõem imoralmente terríveis cargas sociais e econômicas à pessoas? Nos EUA, Bush manipulou perfeitamente esses temas, seduziu muitos cristãos e faz tremendas barbaridades com seu consenso.
Nos horrorizamos com a descriminalização do consumo de drogas ou coisas do tipo, mas não nos incomoda que um viciado que comete um delito menor entre na cadeia comum, violentem-no, contagiem-no com HIV, e aperfeiçoem-no no ódio e na delinqüência. Vêem que estamos convencidos que o ressentimento social se cura com mais ressentimento social. Que teologia será esta?
Este tema é muito grande, e minhas perguntas são muitas... Seguirei compartilhando com vocês, porque acredito que além das diferenças que possam surgir, pensar em conjunto pode ajudar-nos a evitar as armadilhas da ignorância.
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Fonte: Teologia Sin Nombre
Tradução: K-fé
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